InternetData CenterAssinante

Crônica do Didé: Tabelando em Belém e os bastidores do acesso, parte dois

Crônica do Didé: Tabelando em Belém e os bastidores do acesso, parte dois
Foto: Celso da Luz/CEC
Por Didé Fontana Em 12/11/2021 às 08:08

O jogo do ano está prestes a começar e o Tabelando, diretamente de Belém, no Estádio da Curuzu, com microfone à postos para um show de emoções que será esta tarde em busca do acesso. 

De um lado, o time presente em Belém, onde eu, Mateus Mastella e Emerson Crippa contamos as emoções de Paysandu e Criciúma; de outro lado, diretamente de Criciúma, Fabrício Junior, Beto Locks, Aderson Amboni e Marcos Dávilla cuidaram do pré-jogo, intervalo, pós-jogo e do confronto entre Ituano e Botafogo da Paraíba.

Antes mesmo de começarmos a transmissão, apareceu um problema técnico que nos incomodaria o resto do jogo: a internet. O sinal no estádio era fraco, e nós, por exemplo, nem sequer conectamos os nossos celulares com sinal do modem do Tabelando para não sobrecarregar o uso da internet. 

Todos os demais colegas também passavam pela mesma dificuldade, mas a nossa transmissão é a que mais depende de internet, portando, uma das emissoras locais se sensibilizou e nos ajudou emprestando seu modem, e deu certo, pelo menos o primeiro tempo...

Assim que o Fabrício começou o editorial, através de suas frases que deram o ar da Batalha de Belém, o clima começou a ser decisivo, esquentando ainda mais o dia decisivo que estava só por começar.

Enquanto rolava o editorial, nós nos aliviávamos com o imenso calor que pairava a capital paraense, pois começou a entrar uma brisa que refrescou a cabine de imprensa para o restante do jogo, ou seja: o pior do calor já tinha ido embora, agora restava o calor da emoção.

Equipes em campo
Terminado o aquecimento, as equipes finalmente entraram em campo e a decisão que todo Carvoeiro esperou a semana inteira, estava para começar.
As equipes já a postos em campo, antes da partida, os jogadores do Criciúma começaram a cumprimentar e ficarem na resenha com os atletas do Paysandu, e o que estariam conversando? Tigre prometendo churrasco para o Papão depois do jogo? Ou era só uma simples resenha? A imaginação de cada um é quem manda e bora para o jogo.

Eram duas partidas para acompanhar e torcer: de um lado, acompanhar o Tigre, de outro, o Paysandu, e o torcedor torceu para as duas equipes vencerem. Quem iria narrar o primeiro gol dos dois jogos decisivos para o Criciúma? Mastella com um gol do Tigre ou o Fabrício com um gol do Ituano? Pouco importava, desde que os dois narrassem os gols de Criciúma e Ituano, garantindo uma vitória cada e o acesso à Série B.

Jogo nervoso
Que o jogo seria um daqueles de se assistir nervoso, todos sabem, mas que o Paysandu, já eliminado, fosse jogar o impossível, como se estivesse disputando título, isso foi surpresa.

Em contrapartida à pressão do Paysandu, o Criciúma não inspirava, pouco criava e deixava o torcedor cada vez mais nervoso, porém, jogava de forma segura.
Logo nos minutos iniciais, a dúvida de quem iria narrar o primeiro gol foi sanada, pois o Fabrício interrompeu a transmissão para narrar o gol do Ituano! Ufa, está dando tudo certo, é só o Tigre fazer sua parte, pois o Ituano está fazendo a dele e logo o acesso vem!

 Um exemplo do perigo que o Paysandu causou, foi em um lance com Marlon na ponta esquerda, chegando na área, e cruzou, a sorte foi a defesa de Gustavo, pois tinha dois homens do Paysandu na área, e um chegou até de carrinho, ou seja, o time da casa estava jogando com uma raça daquelas!

Duplo quase gol
Apesar da raça demonstrada pelo time de Belém, o Criciúma teve lá seus lances mágicos, como um drible de craque realizado por Dudu Figueiredo, ao receber a bola quicando, dar um toque leve, e saiu um meio-chapéu no adversário, deixando Dudu cara a cara com o goleiro, e a chance do gol...quase!

Outro quase, e bota quase nisso, pois fez tudo, menos acertar a mira, que foi o caso de Alemão, dentro da área, cortou, fez a finta, deixou o marcador na saudade e de cara a cara com o goleiro do Paysandu, chutou... o goleiro nem sequer viu a bola, pois ela voou para a arquibancada, inacreditável!

Enquanto o Tigre não marcava, o Fabrício entrava no ar para narrar o segundo gol do Ituano, deixando o torcedor Carvoeiro mais seguro, pois era só o Criciúma fazer o seu, só isso!
Cera e malandragem em campo.

A famosa “cera” foi outro grande destaque do jogo, primeiro, por parte do goleiro do Paysandu, depois, por parte de Gustavo (ou não). Era lance aqui e ali na área adversária que o goleiro do time paraense parava, caia, recebia atendimento médico e ganhava tempo no cronometro, e não foi uma, e sim mais vezes durante o jogo.

Intervalo com pane técnica
Nos parágrafos iniciais, havia mencionado nossa dificuldade com relação a internet, e que uma emissora emprestou seu modem, que deu certo até o fim do primeiro tempo. O Fabrício mal começou o editorial no intervalo, que nós caímos de vez, e a transmissão ficou com ele interagindo com ouvintes, o Beto e o Aderson.

Enquanto isso, o Mastella corria para um lado e para outro, falava com um, com outro, ia para o notebook, tentava conectar, e nada, e assim foi o intervalo. No fim das contas, outra emissora emprestou o modem bem no início da segunda etapa, mas não durou muito, caiu de novo, então, resolvemos transmitir no improviso, de outra maneira.

Foi na raça, no improviso e no celular que aconteceu o restante da transmissão. O Mastella ligou para o Fabrício e deixou a ligação no ar, assim, por telefone, o pessoal de Criciúma escutava nós de Belém, ou seja, foi ao estilo gambiarra, mas com muita emoção que só o Tabelando pode proporcionar.

E o segundo tempo ia começando, com cachorro-quente servido pela diretoria do Paysandu (sim, eu comi durante a transmissão, aparecendo na câmera. Comi para não ter que comer frio).

O salvador Henan
O segundo tempo foi de mudanças, com a saída de Silvinho, que estava com dores na cabeça após choque em campo e Dudu Figueiredo, dando lugar a Hygor e Minho. E o Tigre saiu atacando, e logo, logo, o tão sonhado gol que quase ninguém viu, chegaria...

Em um lance relâmpago, a bola desapareceu dos olhos até da comissão técnica Carvoeira, e foi encontrada no fundo do gol. Hygor, com sua arrancada, cruzou e Henan subiu como se estivesse em uma cama elástica, e acima de todos, cabeceou, o goleiro tocou na bola, mas não bastou, balançando as redes, estava marcado o gol do acesso!

Na hora, não vi o gol (quase ninguém viu) e só fui saber com a comemoração do Mastella, que pela intuição de narrador, sentiu a bola entrar na rede e soltou o berro que estava guardado a semana inteira.

Eu, Mastella e o Crippa levantamos, gritamos por quase dois minutos, e nem foi preciso eu fazer minha função de repórter em descrever o lance de forma precisa após ter acontecido (ufa, afinal, mal vi o gol).

E o resto da partida? Foi um acaba logo que olha, com tensão, emoção, gritaria que não dava de segurar, pois era só terminar assim que o Tigre estava na Série B.
 Na onda da emoção, gritávamos com o pessoal do Criciúma qua passava embaixo da cabine de imprensa. Vibramos com o Canella passando, com o Tiago da comissão técnica na arquibancada, com o torcedor nas redes sociais, com todo Carvoeiro que se preze.

Paysandu se transformou
Sim, o Paysandu não se entregou, e mesmo sem ter motivos para empatar ou ganhar, tentou de tudo parar o Tigre. A cada lance, perigo em dobro, com finalizações dignas de um time em busca de um título. 

O susto foi tanto que até uma bicicleta o Paysandu tenou, de dentro da área. Houve um outro lance perto da área, com jogador levantando a bola com embaixadinhas e tentou um voleio, que isso! Dois chutes antológicos na mesma partida!

E para incendiar ainda mais, até o goleiro adversário entrou na área no escanteio do time da casa, tudo para buscar a toda custa um gol que eles não precisavam.

No final, o Criciúma tentou mais uma, com o zagueiro Rodrigo driblando no meio campo, puxando o contra-ataque e lançando para Hygor, que quase marca o segundo, mas não conseguiu.

Polêmica de bastidor
Um lance polêmico marcou a transmissão, mas não pelo lance em si, e sim pelo que aconteceu perto de onde estávamos. Um jogador do Paysandu fez falta no Tigre, e o Crippa, torcedor fanático como é, chamou o jogador adversário de bandido, normal, no calor do momento. Eis que, após o xingamento, eu e o Mastella ouvimos uma batida, e pensamos ser o Crippa quem bateu na mesa, na verdade não foi isso.

A diretoria do Paysandu estava ao nosso lado, em uma sala fechada, e assim que escutou o xingamento do Crippa, bateu forte na parede para chamar a atenção. Após o jogo, a mulher do presidente veio até nós, que nos desculpamos e ela nos parabenizou pelo acesso. Vale destacar que os funcionários do Paysandu estavam simpáticos conosco, parabenizando o Tigre pelo acesso.

Acabouuuuu
 Apita o árbitro, e começamos a pular, nós que já estávamos transmitindo o jogo de pé, pulamos mais ainda, gritando por uma torcida inteira. Soltei um: “acabouuuu, acaboouuuuu, acabouuuuu, o Criciúma vai voltar à Série B”, em uma semelhança com um famoso narrador na Copa de 94. Na emoção, ainda puxei o nostálgico: “Tigrão eooooo, oooo, ooooo, Tigrão eoooo” e o pessoal foi junto, era uma festa que não parava mais.

Ligação para o Anselmo
Mal tinha acabado a partida, e em meio as comemorações, avisei o Crippa que iria ligar para o Anselmo e ver se conseguiria colocar ele no ar.
Imaginando a situação, com muitos torcedores, empresários, diretores, imprensa, familiares, amigos e todo tipo de gente ligando para o presidente, eis que o homem me atende na primeira ligação, e um detalhe, ele não sabia de nada, foi o Tabelando quem deu a notícia do acesso!

Comecei parabenizando o pelo ano, e ele me perguntava: “Quanto foi o jogo”, e eu, estranhando a situação, me preocupei, pensei ter acontecido algo e perguntei se estava tudo bem, e o presidente confirmou querendo saber do placar:” Subimos presidente, o Criciúma venceu por 1 a 0, e o Ituano ganhou do Botafogo por 3 a 1, subimos”, e depois de muita euforia, o presidente desligou, vai ver não sabe que era eu, pois nem me identifiquei.

A festa vai começar
Com toda a euforia, resolvemos descer ao gramado eu e o Crippa, enquanto o Mastella comandava direto da cabine. O Crippa saiu antes, eu demorei para sair, e assim que cheguei ao gramado, vi pouca gente, e não sabia se eram pessoas ligadas ao Criciúma ou não, pois estava difícil de enxergar.

Tive que ligar para o Canella, e ele me direcionou até onde todos estavam, e sim, estavam no gramado. Pude entrevistar o Canella, o Henan (autor do gol), o doutor Beirão, assim como fazer imagens da festa no vestiário. Nesse tempo, o Mastella também desceu ao gramado, e conseguiu entrevistar os jogadores, comissão técnica e demais pessoas ligadas ao clube.

Eu realizei entrevistas em vídeo e gravadas, enquanto o Mastella realizava em áudio e ao vivo. Em Criciúma, o Fabrício cobrou o escanteio e foi para a área marcar de cabeça, ao sair do estúdio e seguir na carreata até o estádio cobrir a festa que seguiu por lá.

No próximo capítulo, os bastidores da festa do acesso em Belém e Criciúma, assim como a chegada do time em casa. O capítulo vai ao ar no dia seguinte, a mesma hora.
@didefontana é jornalista e colabora para o Tabelando e Engeplus

Atualização em tempo real

Carregando...
${ noticia.hora_cadastro }
Leia mais sobre: