InternetData CenterAssinante

Luta pela vida: o desespero de mães na busca por leitos de UTIs pediátricas

De Criciúma e Turvo, os dois casos desesperadores na busca por tratamento
Luta pela vida: o desespero de mães na busca por leitos de UTIs pediátricas
Foto: Divulgação
Por Thiago Hockmüller Em 15/05/2022 às 20:10

A falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) direcionados para crianças pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tem sido imensa preocupação para famílias catarinenses. No Sul do Estado, dois casos chamaram atenção neste domingo, dia 15, nas cidades de Criciúma e Turvo, envolvendo Marília Gabriela Furlan e Cristina Gonçalves, mamães de Caetano e Joaquim.

A busca da criciumense Marília por um leito para internar Caetano, de apenas dois meses, que sofre de bronquiolite, começou no Hospital Materno Infantil Santa Catarina (HMISC). Diante do tamanho da fila de espera, a mamãe não teve alternativa a não ser procurar atendimento particular na Unimed.   

“Chegando aqui já fomos internados em função da sensibilidade imensa da médica que estava de plantão, que nos chamou logo que saímos da triagem. Ele precisava de “alto fluxo” que só tem na UTI. Pelo SUS (Sistema Único de Saúde) não tinha vaga e tinha uma criança na frente. Não podíamos esperar, então mandamos para a UTI e pagamos adiantado R$ 22 mil”, explica Marília, lembrando que seriam necessários R$ 30 mil para custear três diárias, mas a instituição aceitou os R$ 22 mil. 

Caetano foi entubado no início desta manhã. Marília explica que não há possibilidade de transferência para uma unidade hospitalar com leito de UTI via SUS em função do risco desta operação. "Temos que aguardar, ele não pode ser transferido, pois é um aparelho que tem aqui que o mantém. Talvez na ambulância não tenha, não podemos arriscar”, diz Marília.

Uma Vakinha Online está ativa para custear as diárias. Diante da possibilidade de cobertura do Governo do Estado, Marília explica que usará o dinheiro para auxíliar outras mamães que passam pelo mesmo problema. "Caso o Caetano não precise desse dinheiro, vamos direcionar para outras crianças que estão precisando de internação. Ou custear a hospedagem de mães em cidades onde tiver UTI. Esse dinheiro será para ajudar crianças, seja lá quem for que estiver precisando neste momento", afirma. 

Joaquim aguarda transferência para Tubarão

Joaquim, três anos e cinco meses, sofre de paralisia cerebral. Na sexta-feira, dia 13, Cristina levou o filho até o Hospital São Sebastião na esperança de obter diagnóstico e tratamento para os problemas respiratórios que a criança vinha apresentando. O quadro evoluiu para parada respiratória e Joaquim foi entubado ali mesmo na emergência do município. Desde então, Cristina tem esgotado os recursos para conseguir transferir a criança para um leito de UTI.    

“Trouxemos o Joaquim para a emergência do hospital de Turvo, mas evoluiu para parada respiratória e tiveram que entubar na emergência do município. De pronto solicitamos transferência para a UTI do Santa Catarina (HMISC, em Criciúma), mas não havia leito disponível. O quadro foi piorando e ele continua na emergência, que não tem nem pediatra”, preocupa-se a mãe.


Cristina ainda aguarda transferência de Joaquim para Tubarão.

Na perspectiva de obter auxílio judicial, a família ingressou com um pedido junto ao Ministério Público da comarca, mas o recurso foi negado. O apelo então foi parar no Ministério Público Federal, que autorizou por meio de liminar a internação em no máximo um dia. Mas os problemas continuaram.

“Pesquisamos hospitais que poderiam receber. A Unimed de Criciúma entrou em contato informando que receberam a liminar e que nos atenderia. Fizemos os trâmites para estabilizar o caso dele e chamar o transporte, mas a Unimed retirou a oferta de leito. A princípio conseguimos que o promotor conseguisse leito no HNSC (Hospital Nossa Senhora da Conceição) de Tubarão, porém não foi transferido ainda. Estamos aguardando”, conta Cristina.

Joaquim apresentou uma piora na última madrugada e acordou dos sedativos. Foi reanimado e entubado novamente. Cristina espera obter logo a transferência para enfim ver o filho recebendo o tratamento adequado e o diagnóstico para entender o que provocou os problemas respiratórios. “Segue em sedação total e estamos aguardando para saber o que ele tem. A parte respiratória nunca tinha sido afetada”, relata.

Cristina afirma ainda que diante da procura por um leito de UTI, descobriu mais duas mamães que lutam para conseguir tratamento adequado para seus filhos. “Falamos com todos que poderiam nos ajudar e esgotamos nossos recursos”, lamenta. 

O que o Estado diz?

Em nota, o Governo do Estado afirma que a transferência de Joaquim deve ocorrer ainda neste domingo para o Hospital Nossa Senhora da Conceição. E que os custos da internação de Caetano serão cobertos pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) até que seja realizada a transferência para o sistema público de saúde. 

Sobre a falta de UTI SUS pediátrica no Estado, a SES justifica que há uma grande demanda por leitos hospitalares infantis, sobretudo em função de doenças respiratórias. E que está trabalhando para a ampliação dos leitos, não apenas de UTI, como também clínicos e de retaguarda. 

Abaixo, confira as duas notas na íntegra:

Nota sobre os casos em Criciúma e Turvo:

A Secretaria de Estado da Saúde informa que a transferência do paciente Joaquim está sendo preparada e ele será recebido no hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, ainda neste domingo. O paciente Caetano está sendo atendido na rede privada. A SES segue trabalhando para realizar a transferência através do serviço de regulação. Os custos da internação serão cobertos pela SES até que seja realizada a transferência para o sistema público. Cabe ressaltar que o paciente está recebendo todo atendimento necessário para o quadro que apresenta.

Nota sobre a demanda por leitos pediátricos em SC

O Governo do Estado de Santa Catarina está empenhado em garantir o atendimento pleno aos pacientes pediátricos. Diante do momento sazonal, com casos de doenças respiratórias, há grande demanda de leitos hospitalares infantis, causando uma sobrecarga no sistema de saúde.

Desde o início deste ano, através da Secretaria de Estado da Saúde, há um trabalho dedicado à ampliação dos leitos, não apenas os de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), bem como dos leitos clínicos de retaguarda. Da mesma forma, as equipes das unidades de saúde, vem desenvolvendo fluxos de rotatividade dos pacientes, promovendo, sempre que possível, uma redução no tempo de permanência nas UTIs.

Ainda no conjunto de ações, a SES, através da Central Estadual de Regulação de Internações Hospitalares (CERIH) está realizando a busca por leitos nos sistemas privados, para contratação. Esta busca também está sendo realizada em estados vizinhos, para caso necessário, seja feita a transferência dos pacientes. Lembrando que estas transferências devem respeitar os protocolos de gravidade, visando a segurança na movimentação do paciente.

Vale ressaltar que até o momento, os pacientes estão sendo absorvidos pelo sistema no Estado e que todos estão sendo assistidos de forma plena.