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Conheça a história de Diomício Vidal, um dos precursores da confecção no Sul do Estado

Atual vice-presidente regional sul da Fiesc, ele atua no setor desde a década de 1960
Conheça a história de Diomício Vidal, um dos precursores da confecção no Sul do Estado
Foto: Filipe Scotti/Fiesc
Por Thiago Hockmüller Em 28/04/2021 às 14:57

A região Sul catarinense foi forjada a muitas mãos e com a força de diversos setores da economia. Um deles é o ramo de confecção. Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o segmento é, ao lado do ramo de alimentação, o que mais emprega no estado. E dados de 2018 revelaram que a produção nesta área cresceu 6,1%, resultado maior que a média nacional. Ainda conforme o Sebrae, o Sul representa 17% da indústria de confecção no estado, atrás apenas do Vale do Itajaí, que possui a maior fatia com 59%.

O Personalidades do Sul desta semana conversou com o vice-presidente regional sul da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Diomício Vidal. Aos 79 anos, ele é um dos precursores do ramo de confecção no Sul do estado e teve uma contribuição ímpar para o desenvolvimento socioeconômico da região.


Vidal completa em junho 10 anos à frente da vice-presidência regional sul da Fiesc.

“Comecei meus negócios com 13 anos e fui para Florianópolis estudar, fazer escola técnica, que até hoje existe. Concluí curso na área de confecção e comecei na década de 60, na Henrique Lage, sem dinheiro nenhum. Com uma máquina comecei a fazer meu trabalho no dia 3 de abril de 1960. Tinha 18 anos e no mês de novembro já tinha mais dois trabalhando comigo”, orgulha-se.

A história de Diomício Vidal se mistura com a de Criciúma e com a do ramo de confecção. Desde a abertura da própria empresa, a D.Vidal e Cia, aberta em conjunto com o irmão Orestes Vidal e que depois virou a Modal Indústria do Vestuário, buscou formas de cooperar com o desenvolvimento do setor. Uniu forças com a Associação Empresarial de Criciúma (Acic) e desde 1978 atua na Fiesc.   

O próprio Vidal explica que o associativismo faz parte de sua veia empresarial e que não chegaria tão longe não fosse este ideal. “Meu irmão mais velho trabalhou muitos anos em parceria comigo. Sempre gostei do associativismo. Procurei uma entidade, a Acic, lá me criei também fazendo um trabalho coletivo, que proporciona mais que o individual, essa era a minha visão e é até hoje”, declara.

Achei que tínhamos que ter um Sindicato Patronal para representar a categoria da indústria da confecção. Em 1978 já tínhamos em Criciúma 26 indústrias de confecções que formavam o sindicato com apoio da Acic. Como fui a liderança do movimento acabei sendo presidente

Diomício Vidal, vice-presidente regional sul da Fiesc
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O segredo é a mão de obra qualificada

Assim que iniciou o empreendimento, Vidal notou que havia um gargalo a ser diluído: a mão de obra. E que somente a qualificação dos trabalhadores tornaria o setor de confecção produtivo, robusto e importante no contexto econômico catarinense. Junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) encontrou o que precisava e ajudou a idealizar uma escola para formação de mão de obra qualificada.

“Alugamos uma sala em nome do sindicato, compramos algumas máquinas e formamos a primeira escola para formação de mão de obra para confecções em 1978. Sempre gostei de compartilhar o que aprendi. Fazendo meu trabalho junto à Acic, fui para a Fiesc. Criamos a primeira escola para formação profissional. Começamos a melhorar dando oportunidade de aprendizado através do Senai. Isso até hoje existe no Senai em Criciúma, para melhorar a mão de obra para as confecções”, recorda.

A importância que nosso setor dá para formação educacional é vital. Foi, é, e sempre será para a nossa região preponderante ter todas essas formações educacionais. Estão aí contribuindo para a melhoria da qualidade da mão de obra e crescimento da educação. A área evoluiu e o Senai que dá esse suporte. Hoje temos uma formação profissional de qualidade. 

Diomício Vidal, vice-presidente regional sul da Fiesc
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Pausa para falar de futebol

A empresa dos irmãos Vidal cresceu. E foi importante também para uma área amada pelos criciumenses: o futebol. O ano era 1962, o Metropol havia conquistado o bicampeonato Catarinense em 1960 e 61. O dono e mandatário do clube, Dite Freitas, como forma de recompensar seus vitoriosos atletas, encomendou uma excursão do Carneiro - mascote do clube - na Europa.

O que isso tem a ver com os irmãos Vidal? Ele conta: “Na primeira excursão do Metropol, nós fizemos os uniformes para eles. Eles foram fazer um tour pela europa e nossa empresa fez o uniforme. Tínhamos pessoas que trabalhavam em casa para nós. Eu pegava minha bicicleta e trazia peças para nossas costureiras trabalharem”, lembra o empresário. 

Durante a excursão, segundo um levantamento dos jornalistas Emerson Gasperin e Zé Da Silva, no livro Almanaque do Futebol Catarinense, estima-se que os selecionáveis do Metropol viajaram 63 horas de avião, 78 horas de trem, 13 horas de navio e 126 horas de ônibus. Vestidos pela empresa dos Vidal, jogaram 23 partidas. Resultado: 13 vitórias, seis empates, quatro derrotas e um uniforme histórico na mala. 


Metropol brilhou na década de 60, com cinco título estaduais. (foto: História do E.C Metropol/Facebook)

Gosto pelo trabalho

Filho de mineiro, seu Diomício é casado com Ana Maria Serafim Vidal, 75 anos, e pai de Diomício Vidal Júnior, 53 anos, que também atua no ramo de confecção. Em junho, Diomício (pai) completará dez anos na vice-presidência regional Sul da Fiesc. Durante todo o período de vida profissional, conquistou diversas condecorações, entre elas da Polícia Militar e do Exército, também recebeu o título de Cidadão Benemérito de Criciúma. 

A vitoriosa carreira e o reconhecimento orgulham o empresário criciumense. “Sempre gostei de trabalhar, sou filho de mineiro. Meu pai trabalhava na mina e pude agradecer a ele. Ele não tinha instrução, mas disse para eu estudar. Ganhei uma bolsa do Governo do Estado, por isso estudei lá (em Florianópolis), assim como outros amigos. Todo aquele trabalho que fizemos, a evolução da nossa regional, não foi só Criciúma, mas os outros municípios... Sempre nos propusemos a ir a outras cidades. Em Sombrio tivemos várias vezes para ajudar. Esta ligação sempre foi preponderante”, explica.

Depois de muitos anos vendendo produtos para fora do estado, seu Diomício diminuiu o ritmo da empresa e passou a produzir uniformes em escala regional. Mas segue trabalhando nos bastidores pelo crescimento do setor de confecção. Também teve papel preponderante na valorização da educação e do trabalho jornalístico. “Presidi a Acic por dois mandatos, de 2000 a 2004. Criamos estreitamento entre Acic com a própria universidade. Também criamos o prêmio Acic de Jornalismo, que até hoje existe”, conta. 

Por prevenção e cuidados relacionados à pandemia do novo coronavírus, esta entrevista foi feita por telefone. Antes de encerrar, foi possível ouvir o barulho de algumas folhas sendo revisadas. Gentil, seu Diomício deixou uma mensagem escrita por ele em 1997 para celebrar a passagem para 1998. Confira:

O viver todos os dias é um pouco de nós. É deixar entre as pessoas o nosso exemplo. A vida é bonita e somos felizes com ela. Viver significa compartilhar e essa tem sido a esperança de muitos 

Diomício Vidal, vice-presidente regional sul da Fiesc
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Para conhecer mais histórias de pessoas que contribuíram para o crescimento do Sul catarinense ou que de alguma forma se tornaram importantes no cenário em que vivem, confira a editoria Personalidades do Sul clicando aqui.