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Gestora do Aeroporto de Forquilhinha quer atrair investidores e sonha com a volta de voos comerciais

Linhas aéreas regionais são tendência e caminho para retorno dos voos regulares no local
Gestora do Aeroporto de Forquilhinha quer atrair investidores e sonha com a volta de voos comerciais
Foto: Lucas Renan Domingos/Portal Engeplus
Por Lucas Renan Domingos Em 15/12/2020 às 18:25

O Aeroporto Regional Diomício Freitas, em Forquilhinha, está com nova gestão desde julho de 2020. A empresa Infracea, que possui matriz em Brasília, venceu a licitação e substituiu a RDL Aeroportos como administradora do local. A gestora seguirá fazendo os trabalhos de manutenção previstos no edital apresentado pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (SIE), mas também projeta atrair novos investidores para o aeroporto.

Hoje, em Forquilhinha, não há mais voos comerciais. Esse tipo de operação foi desativada na unidade desde que foi inaugurado o Aeroporto Regional Sul Humberto Ghizzo Bortoluzzi, em Jaguaruna. Mesmo assim, o Aeroporto Diomício Freitas continuou aberto e passou a ser vocacionado no atendimento de outras operações, principalmente o de voos particulares.


Nova gestora já iniciou trabalhos de manutenção na unidade - Foto: Lucas Renan Domingos/Portal Engeplus

“Por mês, temos uma média de 70 a 100 movimentos de aeronaves (uma decolagem e um pouso conta um movimento). E a pandemia mostrou o quanto este aeroporto ainda é importante. Os empresários da região continuaram viajando em seus aviões e utilizaram esta base para sair e voltar de viagens de negócios para manter suas empresas e trazer novos investimentos para as cidades daqui”, destacou o gestor do Aeroporto Diomício Freitas, Luís Jung.

Atualmente são quatro hangares no aeroporto, todos de empresas locais. “Nosso objetivo é expandir o número de hangares, trazer mais empresas aqui para dentro. Isso é bom para a região e para o Estado. A gente lembra que não temos nenhum lucro com as movimentações. Somos pagos apenas para administrar o local e deixar em condições de uso para que o Governo de Santa Catarina, que possui o convênio, possa ter retornos e fazer novos investimentos”, disse.

Além dos voos particulares, a Infracea deseja atrair outras atividades relacionadas a aviação, como escola de pilotos, mecânica de aviação e a utilização do espaço para eventos privados. “Estamos tendo aqui, por exemplo, um treinamento de profissionais que trabalham em redes de distribuição de energia elétrica. Eles atuam em torres que o acesso por terra é remoto e eles precisam descer na torre com auxílio de um helicóptero. E vieram fazer treinamento", destacou o gestor enquando dava entrevista ao Portal Engeplus.

O desejo do retorno dos voos comerciais

Com sete anos de experiência no mercado, a Infracea hoje é responsável pela gestão e manutenção de oito aeroportos regionais espalhados pelo Brasil. Três deles estão localizados em Santa Catarina. Além do Aeroporto Diomício Freitas, a empresa administra o Aeroporto Federal Antônio Correia Pinto de Macedo, em Lages, e o Aeroporto Regional do Planalto Serrano, em Correia Pinto. Nenhum deles atualmente possui voos comerciais.

Mas está nos planos da Infracea a ativação de mais voos comerciais nas unidades que administra no Estado. O aeroporto de Correia Pinto é o mais adiantado. O local está em processo de fase de certificação para receber voos regulares. E o aeroporto de Forquilhinha também é um dos concorrentes a voltar a receber os voos domésticos.

“A Infracea negocia com diferentes empresas para que operem nas bases que administra. Não quer dizer que as tratativas sejam exclusivas para um aeroporto. Se uma companhia começa começa a operar em uma das nossas unidades, isso abre a porta para que outros aeroportos possam receber o serviço dessa empresa também”, analisou Jung.

Voos regionais são tendência

A esperança de retorno dos voos comerciais em Forquilhinha tem embasamento. Conforme o gestor do Aeroporto Diomício Freitas, tem sido uma tendência de mercado os voos regionais, que partem de cidades de interior rumo às capitais dos Estados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a Azul passou a oferecer um novo tipo de serviço. É o Azul Conecta, que são aeronaves menores que levam e trazem passageiros de Torres (RS), na divisa com Santa Catarina, e Canela (RS), até Porto Alegre, a capital gaúcha.

“Além da Azul, a Voepass também oferece este tipo de operação e são empresas que a Infracea possui contato. Hoje os aeroportos regionais ainda podem ser melhor explorados. E é isso que queremos fazer aqui. Não é porque há um aeroporto em Jaguaruna que não podemos ter voos comerciais aqui. Um exemplo são essas linhas regionais, que nada interferem nas atividades de Jaguaruna”, disse Jung.


Voos regionais são tendência e podem fazer parte do futuro do Aeroporto Diomício Freitas - Foto: Lucas Renan Domingos/Portal Engeplus

“São voos que podem levar passageiros para algumas capitais mais próximas, como Florianópolis e Porto Alegre e de lá as pessoas pegam voos maiores, até internacionais. Enquanto isso, Jaguaruna segue operando os voos para São Paulo. E se um dia voltar a ter voo comercial regular aqui para São Paulo, também é bom para o consumidor, já que a concorrência barateia o custo de passagens”, acrescentou.

Para isso, o gestor destaca mais uma vez a importância de novos investimentos em Forquilhinha. “Seja voos comerciais, eventos particulares ou voos comerciais regionais. O importante é manter a atividade do aeroporto e gerar movimento. Isso atrai mais investimentos e gera benefícios para a região. Hoje aqui já ocorre a chegada de aeronaves de empresários, é negócio, é dinheiro para a região. Também temos transportes aeromédicos, que acontecem constantemente. Isso tudo demonstra a importância de manter o Aeroporto Diomício Freitas em boas condições”, completou Jung.