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“Ir ou não para a escola é uma decisão e um direito dos pais”, diz presidente de sindicato

Representante do movimento 'Lute Como Uma Mãe' também se manifestou sobre fala de Salvaro
“Ir ou não para a escola é uma decisão e um direito dos pais”, diz presidente de sindicato
Foto: Pais pela Educação SC
Por Jessica Rosso Em 21/06/2021 às 21:25

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores No Serviço Público Municipal de Criciúma e Região (Siserp), Jucélia Vargas, rebateu a declaração do prefeito Clésio Salvaro, em que ele chama os sindicalistas do Siserp de ‘vadios’ e afirma que o sindicato está fazendo campanha para os alunos não voltarem para as escolas. O prefeito ainda ressalta que “quem não voltar, vai rodar de ano”. 

A presidente do Sindicato responde. “Nós não somos vadios, nós representamos a nossa categoria e representamos muito bem. Ir ou não para a escola é uma decisão e um direito dos pais. Os alunos têm o direito de ter aula remota, tem um decreto estadual. Quem decide sobre a vida dos alunos são os pais. O Governo Municipal pode até querer, pode até fazer campanha, mas no momento em que os pais decidem mandar os filhos para a escola, a escola tem que estar apta a receber, e não é o que ele falou de estar tudo bem, não é isso que estamos vendo”, disparou e complementou, “Os professores estão vacinados, mas os alunos e os pais, a grande maioria das pessoas não estão. Se os pais querem deixar o filho em casa, a Prefeitura de Criciúma é obrigada a cumprir o seu papel”, ressalta. 

Leia: Prefeito de Criciúma sobre aulas presenciais: 'quem não voltar, vai reprovar de ano'

A presidente do sindicato coloca a fala do prefeito como desconexa e diz que ele comete uma série de equívocos em suas falas e critica como vem sendo conduzida a pasta da Educação. "Ele vem com essa conversa e ao mesmo tempo quer melhorar o seu índice, porque tem disparidade de série, evasão escolar, tem de tudo que o município não deu conta de combater e aí eles ficam com uma série de artimanhas por trás de passar aluno de uma série para outra sem sequer fazer uma avaliação, sem  ter passado pelo Conselho Municipal de Educação, então tem muitas coisas acontecendo no município de Criciúma que o prefeito tenta ludibriar com uma conversinha de holofotes”, aponta.

 

Representante do movimento Lute Como Uma Mãe também se manifesta

Valéria Machado Bitencourt  é representante do movimento Lute Como Uma Mãe, criado durante a pandemia, com o intuito de informar os pais e lutar pelos direitos em relação à volta às aulas nos colégios.  

Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Secom/Arquivo

Sobre a fala do prefeito Clésio Salvaro, ela comenta que “é um decreto que ele está querendo passar por cima. Ele está com raiva porque ele não está conseguindo manipular, não está conseguindo fazer o que ele quer, que é colocar as crianças em sala de aula, porque existe um decreto estadual, só que ele quer passar por cima deste decreto. Ele não pode reprovar, não pode reprovar por faltas, não pode reprovar por não estar dentro da sala de aula. Ele está passando por cima de tudo”, afirma. 

A representante do movimento, explica que assim como ela outros pais fazem parte do movimento e que a maioria não é sindicalista. “Somos pais preocupados com a saúde das crianças, então ele tem uma certa rixa com o sindicato e ele acha que é o sindicato que está à frente de tudo, mas não. São pessoas de fora desse ramo que estão batendo de frente com ele", diz.

Valéria conta que a ideia é transformar o movimento em uma associação. “Temos a intenção, até para dar mais credibilidade, porque ninguém nos escuta. Parece que são pais alucinados, querendo que os filhos não vão para a sala de aula, mas não é bem assim, só queremos que seja cumprido o decreto”.

 A representante do grupo disse que em maio deste ano ela, juntamente com mais quatro pessoas representaram o movimento, em uma reunião com o secretário de Educação Miri Dagostin. “Ele nos garantiu o ensino remoto, que não iria ter obrigatoriedade de nada. O que eles iriam fazer era tentar entender o motivo das crianças estarem fora da escola e tentar levar para a escola, respeitando o não querer voltar para a escola e o querer deixar como está”, lembra Valéria.

Procurado pela reportagem o secretário de Educação Miri Dagostin voltou a reforçar a informação divulgada pelo prefeito mais cedo de que mais de 80% dos estudantes de Criciúma já estão de volta às escolas e que com o respeito às normas sanitárias não teria motivo para que os alunos não retornassem de forma presencial. 

Legenda: secretário de Educação, Miri Dagostin - Foto: Rafaela Custódio/Arquivo Portal Engeplus

“Vamos trabalhar forte no convencimento mais uma vez. Hoje estivemos reunidos com todos os nossos coordenadores, vamos estar presente em todas as escolas, as duas assistentes sociais estão fazendo busca ativa”, pontua. Questionado quanto a reprovação de alunos, o secretário informou que até o fim do dia não havia visto a entrevista em que o prefeito fala sobre o assunto. “Eu não escutei o que ele disse, tivemos uma atividade intensa no dia de hoje, estive super envolvido e não vi a entrevista ainda”, responde Dagostin.

A representante do movimento Lute Como Uma Mãe, Valéria Machado Bitencourt diz que o discurso da gestão neste momento está deixando as pessoas com medo. “O que tentamos passar com o nosso movimento é mostrar a verdade para as pessoas, que estamos com a lei do nosso lado. Tudo que estamos fazendo é de acordo com a lei, é de acordo com o que a gente pode fazer, acontece que o prefeito não está cumprindo, ele está ameaçando, coagindo, ele usa as diretoras para coagir os pais, para ameaçar os pais, sendo que está tudo errado. Ele poderia muito bem ser a favor da vida, ser a favor das crianças em casa ou quem quer mandar para a escola, manda, mas quem quer deixar o filho, dentro de casa continue assim”, completa. Por fim, ela menciona que as pessoas que fazem parte do movimento estão juntando provas para encaminhar ao Ministério Público.

 

Sobre o Movimento

Foto: Divulgação/Movimento

O movimento surgiu depois do pronunciamento do secretário da educação do Estado de Santa Catarina, que intimidou  os pais a mandarem seus filhos para escola, assim que retornassem as aulas presenciais, em setembro do ano passado.

Lute como uma mãe foi criado com o intuito principal de exigir a total liberdade das mães e pais a escolherem se seus filhos devem ou não ir para a escola.

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