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A interinidade mais cara da história de Santa Catarina

Daniela Reinerh terá que governar para garantir sete votos, não apenas mais um.
A interinidade mais cara da história de Santa Catarina
Por João Paulo Messer Em 30/03/2021 às 20:28

A vice-governadora Daniela Reinerh (Sem partido) assumiu o governo de forma interina, nesta terça-feira. Pela segunda vez ocupa a cadeira em virtude do afastamento do governador Carlos Moises (PSL), investigado em CPI. Permanecerá na função de forma interina no máximo em 120 dias, ou em menor tempo se os trabalhos da Comissão Mista, formada por cinco deputados e cinco desembargadores, forem concluídos antes. Ao término desta etapa haverá julgamento sobre o impeachment do governador. Se o relatório considerar que ele cometeu crime de responsabilidade administrativa, e for aprovado por sete votos entre 10, ele é cassado e a vice-governadora empossada de forma definitiva. Se não houver sete votos ele retorna. Se a investigação demorar mais que 120 dias ele também retorna e aguarda o término do processo na função.

Até a semana passada não havia clima de afastamento do governador. Pelo menos no grande público. Ao meu ver os cinco desembargadores surpreenderam. Veio deles a maioria - cinco - dos seis votos para o afastamento de Carlos Moisés. Sigo pensando - pensar é livre - que os magistrados deram um troco nos deputados, pois ao término do primeiro impeachment sobraram farpas na relação entre ambos. Magistrados foram tratado por deputado como "máfia de toga". Naquela ocasião foi reação porque os magistrados salvaram Moises, enquanto no ambiente dos deputados o desejo era o da degola. Atualmente os interesses seriam outros: absolver o governador. Não me parece estranho que os magistrados tenham se esmerado em procurar teses para "emparedar" Moises e com isso desconstruir a estreita relação que Moisés construiu com a Assembleia Legislativa ao escapar do primeiro impeachment.

Pois agora Daniela tem a segunda chance. Ela terá que garantir sete votos. À primeira impressão eles viriam dos cinco desembargadores e mais o deputado Laércio Schuster (PSB), que seguiu os magistrados e agora somando pelo menos um dos outros quatro deptuados, que neste caso mudaria de opinião. Sendo assim, Daniela terá que governador, nestes primeiros dias, para contentar os deputados e levar pelo menos um dos quatro a mudar de opinião. Sim, mas e se os magistrados considerarem que investigar sim, mas cassar não? Esta interinidade vai custar caro.

Aos números: A adminissibilidade do processo foi de 6 a 4. Significa que agora Carlos Moisés será investigado. Não signfiica que os seis que o colcoaram no paredão considerem-no culpado. Uma coisa é admissibilidade (abrir a investigação) a outra é a conclusão da investigação.

De quebra Daniela Reinerh não pode esquecer que precisa governar para a torcida bolsonarista, pois vêm dele e aliados outras forças que a possam manter na cadeira de governadora.