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Paulo Mendes da Rocha

Um expoente da escola paulista de Arquitetura
Paulo Mendes da Rocha
Foto: Archdaily e CAU
Por João Rieth Em 25/05/2021 às 11:40

Um dos maiores nomes da arquitetura brasileira e mundial, Paulo Mendes da Rocha, faleceu ao 92 anos.

Sua criação arquitetônica debatia sobretudo a vida, levantando indagações que questionam as ideias prontas e o conformismo. Consolidou uma influência além da linguagem ou estética, formada principalmente pelo modo de agir e de pensar, no qual cada projeto era uma oportunidade de transformação. Suas ideias e desenhos transbordavam os limites do programa, lote e materialidade, trazendo sempre um novo olhar para uma simplicidade revolucionária. 

Nascido em Vitória, Espírito Santo, em 1928, muda-se jovem para São Paulo, onde titula-se pela FAU-Mackenzie, em 1954. Em poucos anos de atuação consegue consolidar um conjunto de obras, sobretudo residenciais, de grande qualidade, onde prevalece a materialidade do concreto aparente. Sua carreira sempre esteve vinculada ao ensino da arquitetura. Foi professor de projeto da FAU-USP de 1961 a 1999. Referência da arquitetura moderna e contemporânea, durante seus estudos na Universidade Mackenzie de São Paulo, Paulo Mendes formou, juntamente com outros colegas, um grupo interessados na arquitetura moderna, o que acabou influenciando, anos mais tarde, seu primeiro grande projeto: o Ginásio do Clube Atlético Paulistano.Entre 1961 e 1969, foi professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, sendo cassado pelo governo militar por sua postura sobre o papel social que devem ter os arquitetos. Curiosamente, nesse mesmo ano, Paulo Mendes da Rocha ganha o concurso para o Pavilhão do Brasil na Expo’70 em Osaka, em equipe com Jorge Caron, Júlio Katinsky e Ruy Ohtake. Em 1980 retorna como professor de Projeto Arquitetônico na mesma Faculdade, onde permanece até 1999, ano em que se aposenta. Em 2001, recebe o II Prêmio Mies van der Rohe de arquitetura latino-americana pelo seu projeto da Pinacoteca de São Paulo, em que intervém em um importante edifício neoclássico. Em 2006, recebe o Prêmio Pritzker pelo conjunto de sua obra. Dez anos mais tarde, em 2016, é reconhecido com mais dois prêmios do mais alto nível da arquitetura mundial: o Leão de Ouro da Bienal de Veneza e o Prêmio Imperial do Japão. Em 2017 é laureado com a RIBA Gold Medal. Ainda em 2021 foi premiado com a Medalha de Ouro da União Internacional de Arquitetos.

Hoje, o acervo do arquiteto - cerca de 8.800 itens, relativos a mais de 320 projetos - está na Casa da Arquitectura, instituição portuguesa com sede em Matosinhos que se dedica a preservar e difundir documentações de arquitetura. Para o CAU (Conselho de Arquitetura), Em seu processo de formalização, não é o apuro no detalhe construtivo ou a expressividade plástica que comandam, mas a monumentalidade da técnica. Não há a intermediação do capricho artesanal ou da composição em seu raciocínio, pois a relação entre técnica e pensamento é direta. “Raciocina-se com a engenhosidade possível. Não se pensa com formas autônomas ou independentes de uma visão fabril delas mesmas”, diz Mendes da Rocha. E completa: “Quando o arquiteto risca no papel uma anotação formal, um croquis, está convocando todo o saber necessário, mecânica dos fluidos, mecânica dos solos, máquinas e cálculos que sabe que existem para fazer aquilo. Não se trata de fantasias, mas uma forma peculiar de mobilizar o conhecimento, o modo arquitetônico.”

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