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Crônica do Didé: O Criciúma e a continuidade do imediatismo no futebol brasileiro

Crônica do Didé: O Criciúma e a continuidade do imediatismo no futebol brasileiro
Foto: Celso da Luz/CEC
Por @mateusmastella Em 04/10/2021 às 22:13

Mais um técnico arruma as malas para sua saída em um clube de futebol. Mais um técnico sai em poucos meses de trabalho (sete, para ser exato). Mais um técnico com um trabalho em andamento, sai sem concluir o que começou. Tais informações poderiam facilmente ser notícia em qualquer clube de futebol no Brasil. Desta vez foi no Criciúma Esporte Clube, que a continuidade do imediatismo de técnicos no futebol brasileiro se mantém de pé.

A “era Paulo Baier”

Quarta-feira, 05 de maio, chuva e frio, na primeira hora da tarde, profissionais da imprensa estavam na sala de imprensa Clésio Búrigo para a apresentação do técnico Paulo Baier e de seu auxiliar, Luciano Almeida. Foi colocado muita expectativa, principalmente com os termos colocados pelo então novo comandante do “time que querer ganhar do Criciúma aqui, vai passar trabalho -  vamos resgatar o DNA do Criciúma - cada jogador aqui vai lutar pela bola como se fosse um prato de comida”, foram algumas das palavras do comandante, que encheram o torcedor de expectativa, e que, de fato, se concretizaram através do trabalho feito à época.

O Criciúma era recém-rebaixado à Série B do Catarinense e estava para estrear na Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro. Amistosos foram realizados e o time foi mudando as caras de “um time morto” para “um time brigador”.

Cabisbaixos, desanimados, sem perspectivas, assim estavam os jogadores. Chegou a nova comissão técnica resgatando alguns atletas e, reanimando o time, assim como alguns jogadores foram saindo, outros foram chegando.

Com a reformulação no futebol veio à Série C.  Com o time chegando à liderança do grupo no primeiro turno vencendo todas em casa (com exceção de um empate) e perdendo ou empatando a maioria fora, vencendo somente uma.

Em paralelo, veio a heroica campanha na Copa do Brasil, eliminando nos pênaltis um time da Série A, semifinalista na última edição da Copa do Brasil. A classificação aconteceu com direito a três defesas do goleiro Gustavo nas penalidades máximas.

Depois veio o Fluminense e o Tigre venceu em casa por 2 a 1, e foi jogar no Maracanã, um desastre. Acabando a Copa no Brasil, o time continuou seu trabalho na Série C, com bons resultados em casa e baixo desempenho fora. Com altos e baixos, a classificação veio com uma rodada de antecedência e o Criciúma havia recuperado seu bom futebol, agora era hora da próxima fase.

Chegando a fase decisiva, neste domingo, um empate sem gols, com o time lutando o tempo todo, mas com falhas, porém, não parava de lutar. Resultado insatisfatório, mas tem cinco jogos pela frente para conseguir o acesso. Eis que no dia seguinte vem a bomba, Paulo Baier e seu auxiliar Luciano Almeida são demitidos.

Críticas e erros

Em meio a vitoriosa trajetória, erros vinham acontecendo, como um time acovardado fora de casa. Substituições desnecessárias, falta de padrão no ataque, sem um aprimoramento a cada jogo, dentre outros fatores que culminaram com críticas de parte da torcida e imprensa ao longo dos últimos meses. Há quem apenas criticava e há quem apenas elogiava.

Baier errou? Sim. Acertou? Sim. Erros e acertos ditaram sua trajetória nestes sete meses aqui no Criciúma Esporte Clube. Neste período, injustamente, alguns pediram sua demissão. Uma coisa é errar, outra é pedir demissão por qualquer erro, principalmente em meio de campeonato e de um trabalho sendo realizado e que agora terá de ser concluído de uma outra forma, com outro comandante.

Clube imediatista

O Criciúma, assim como todos, ou quase todos os clubes de futebol no Brasil, pensam de forma imediatista, mantendo seus treinadores até que venham três ou quatro resultados negativos seguidos, por exemplo. O Criciúma poderia fazer diferente mantendo Baier por, ao menos, um ano e meio, e mostrar que no futebol não se trata um técnico como “a bola da vez”. Na Europa, existe a paciência com o treinador, que inicia um proje,to com começo, meio e fim, diferente do futebol brasileiro.

Novo comandante

Ao novo comandante, espera-se apenas o acesso à série B, que é o grande objetivo do ano para o Criciúma Esporte Clube. Seria muito pedir que esse novo comandante fique por, ao menos, um ano inteiro, ou dois, pois no Brasil os clubes não pensam em trabalho de continuidade. O Criciúma deixou de mostrar que pensa diferente ao demitir alguém que até queria um projeto de longo prazo por aqui.

O novo comandante que vier precisará de todo o apoio da torcida e imprensa, pois o Criciúma terá pela frente mais cinco finais e é preciso estar entre os dois primeiros para conseguir o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro.

@Didefontana é jornalista e colabora para o Tabelando e Engeplus