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Crônica do Didé: Anselmo Freitas, a trajetória de um presidente

Crônica do Didé: Anselmo Freitas, a trajetória de um presidente
Foto: Manuela Silva
Por Didé Fontana Em 16/11/2021 às 21:07

Uma semana difícil e conturbada, marcada pelo “habemus presidente”, à viradas de mesa, com articulações nas sombras, ditaram o ritmo do que girou em torno do Criciúma Esporte Clube nos últimos dias.

Junto à intrigas políticas, a decisão de um gestor que, fazendo o que gosta, no clube que gosta, esteve dividido entre continuar ou não – pesando na decisão, fatores como sucesso no clube, família, empresas, carga emocional, amor ao Criciúma.

De gandula a presidente
Desde criança, sempre fanático torcedor Carvoeiro, o torcedor Anselmo Freitas vivenciou desde os tempos áureos dos anos 90 da Copa do Brasil, Libertadores, títulos estaduais e participações no Campeonato Brasileiro, passando pelos anos 2000, de turbulências às glórias com mais conquistas nacionais. Assim como a década passada, de uma quase queda brusca até o retorno a elite nacional e, agora, como protagonista de uma era que começou em janeiro, e tem tudo para dar continuidade, com o apoio em massa que conquistou durante o ano.

Anselmo foi desde gandula nos jogos do Tigre, na infância e adolescência, passando por patrocinador, diretor, até chegar a presidência do clube. Se é algo que sempre sonhou desde criança, não se sabe, porém, sempre quis fazer e fará parte do Criciúma Esporte Clube - seja como patrocinador, investidor, dirigente, vice-presidente ou presidente, Anselmo Freitas nunca largará o Criciúma Esporte Clube, pois por trás de um gestor, há um torcedor.

Entre nomes à definição
Em 2020, na gestão passada, que havia anunciado renúncia, ares de mudanças estavam por vir, com nomes atrás de nomes dispostos a tocar o Criciúma, porém, caindo fora às vésperas da eleição presidencial. Na época, foi Anselmo quem chamava os empresários da região, sem importar a qual lado pertenciam, ou se eram oposição ou não, e sim, por se tratar de pessoas que estejam dispostas a ajudar o clube de alguma forma.

Eis que dois nomes registraram concorrer a presidência em um mandato tampão: Anselmo Freitas e Pedro Paulo Canella, ambos fanáticos torcedores do Criciúma Esporte Clube, e que futuramente, jogariam juntos, formando uma bela dupla de ataque na gestão do clube.

Debutante na presidência
Quinta-feira, 17 de dezembro, já de noite, em uma sala no estádio Heriberto Hülse, Anselmo Freitas e Pedro Paulo Canella, amigos e candidatos a presidência do clube, sentados frente a frente, conversando, na resenha e esperando sair o resultado da eleição.

Assim que saiu o resultado, Anselmo, eleito pelo Conselho Deliberativo do clube, prometeu colocar seu amigo Canella na direção do clube, e assim o fez. O novo presidente assumiu o clube a partir de 1° de janeiro de 2021, iniciando uma nova era.

O começo foi de total transparência, segurança e reformulação na forma de gerir o clube, assim como dificuldades no futebol, com mais da metade do time indo embora, pois pertenciam a gestão passada.

Nomes e nomes tiveram de ser contratados às pressas, assim como um técnico novo, e o futebol ia aos poucos, sendo formado. A comunicação do clube com o torcedor começou a se abrir, assim como a busca por patrocinadores, que confiaram na nova gestão e ajudaram o clube no início do ano.

Abrindo o clube ao torcedor, transparência, formação de um novo time, busca de novos patrocinadores, assim como renovação de antigos, uniforme novo, em homenagem aos 30 anos da conquista da Copa do Brasil, foram alguns atos que marcaram o início da gestão de Anselmo Freitas, que debutava em seus primeiros meses como presidente do Criciúma Esporte Clube.

Diretoria forte
Da atual diretoria, uma característica principal, a acessibilidade com a imprensa e torcida, mostrando segurança no que está fazendo. Anselmo montou um time composto por pessoas do bem e competentes. 

Na relação com a torcida, Pedro Paulo Canella muito fez, com seu estilo de torcedor raiz e com a inauguração da Sala de Troféus do clube; juridicamente, Rodolfo Moretti na parte jurídica; Vitor Marcelo com o comercial e marketing; Alexandre Farias, que mostrou interesse em assumir o clube no passado, também faz parte da gestão de Anselmo Freitas; Juliano Camargo como executivo de futebol; Paulo César Bittencourt como braço-direito do Anselmo, sempre ajudando na gestão executiva; Wilsão na coordenação do futebol e da base. Esses são nomes que compõem a direção do Criciúma Esporte Clube.

Queda brusca
No começo, nada foi fácil, e a nova gestão fez parte de uma das, se não a maior queda na história do Criciúma Esporte Clube. Com futebol fraco, desanimador, sonolento e com pouca vontade, o time montado as pressas ia dando as caras de que seria um ano que o clube lutaria para buscar sobrevivência onde quer que estivesse.

Após decepções mais decepções, com uma vitória apenas, bem no final da competição, eis que o Criciúma conseguiu ser rebaixado no estadual, diante de um time reserva do Avaí, que nada queria ao jogar em Criciúma por já estar classificado. Aquele dia foi um desastre, e o presidente Anselmo Freitas ficou desgastado de tal forma, que colocou, no calor do momento, seu cargo à disposição.

Projeto “volta por cima”
Com a eminente queda à Série B do estadual, Anselmo Freitas, mesmo no dia seguinte ao rebaixamento, dava entrevistas à imprensa em momento de sofrimento à frente do clube que sempre torceu. Com tudo isso, um novo projeto seria traçado, e para isso, o futebol foi refeito, desde jogadores até treinador e executivo de futebol.

Para presentear o torcedor e dar esperança de novos ares, o ídolo Paulo Baier foi contratado, reformulando o time e fazendo o elenco dar o sangue pela camisa, que assim o fez.

Em seguida, chegou a heroica participação na Copa do Brasil com dois jogos vencidos nos pênaltis, contra equipes como Ponte Preta e América Mineiro, chegando até as oitavas-de-final, diante do Fluminense, com um detalhe: Tigre venceu em casa por 2 x 1, porém, tropeçou feio no Maracanã.

Mesmo assim, sob comando de Baier, a Série C foi de ua campanha inteira com o time no G4, chegando muitas vezes na liderança, vencendo em casa, empatando e perdendo a maioria fora, com uma vitória apenas, veio enfim, a classificação.

Apoio crescente
Mesmo após o rebaixamento no estadual, o presidente recebeu todo apoio do mundo de uma torcida que, reconhece seus esfoços e sua vontade de tocar o Criciúma Esporte Clube, e que sabe de seu comprometimento, tal quanto o desgaste físico e mental que causa o cargo a qual ocupa, devido a forte pressão que recebe.

Com o Tigre na fase final, enfim chegava a verdadeira batalha rumando o acesso à Série B, e logo após um empate sem gols na primeira rodada, Anselmo teve uma difícil decisão: demitir Paulo Baier.

A diretoria foi criticada na semana, porém, o torcedor não deixou de apoiar o clube e os dirigentes, pois tratava-se de uma difícil decisão, com um acerto dias depois: a vinda de Cláudio Tencati, o treinador mais longevo em um clube no Brasil. Chegou Tencati, o time mudou, e mesmo com a dificuldade, conseguia se manter de pé em busca do acesso. 

Presidente – torcedor
Anselmo Freitas, antes de presidente, é torcedor, e provou isso ao longo de seu mandato, principalmente em um jogo com estádio cheio, diante do Botafogo da Paraíba. Após empate sem gols e jogando com dois a menos, o homem foi ao campo cumprimentar os jogadores, como de costume, e agradecendo os atletas, chegou a pular junto com a torcida, arrepiando a todos.

Durante os jogos da Série C, o presidente foi, inúmeras vezes, de seu camarota à entrada do túnel que liga o vestiário ao campo, para cumprimentar os atletas após a partida, mostrando total apoio com seus comandados.

Acesso ao “dia do fico”
Com a Série C terminando, o acesso esteve perto de não acontecer, com tropeços aqui e ali, porém, chegou, de forma dramática, como sempre foi no Criciúma Esporte Clube.

O maior objetivo da gestão de Anselmo Freitas finalmente foi alcançado, e o Criciúma voltou a Série B do Campeonato Brasileiro. Com o acesso, um novo capítulo se iniciava, o da permanência ou não de Anselmo na presidência do clube.

A semana foi tensa, com indecisões e indecisões por parte do presidente, afinal, concorreria ou não a uma nova eleição dia 23 de novembro? Família, apoio da imprensa e torcida, empresas, pressão, desgaste físico e mental que o cargo traz e amor incondicional ao clube, assim como o gosto por gerir o clube pesaram na decisão de ficar ou não, até que, enfim, decidiu que fica no clube.

Articulações contra
Porém, no “dia do fico” aconteceram conspirações, de pessoas exigindo cargos na chapa de Anselmo para a eleição, que motivaram a uma desistência, pois o presidente não quer trabalhar com um grupo dividido. Tais desdobramentos motivaram a uma revolta da torcida nas redes sociais, culminando em um clima mais tenso, com ampla maioria apoiando Anselmo, e a indefinição no final de semana, se iria ou não continuar.

O homem vai continuar
Depois de dias tensos, eis que Anselmo Freitas lançou sua chapa na data limite das inscrições para concorrer a eleição no dia 23 de novembro. O caminho do Criciúma nos próximos anos começa a ser projetado!!!

@Didefontana é jornalista e colabora para o Tabelando e Engeplus