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Comandante Dimitri deixa o 9º BPM e fala sobre trajetória, projetos e assalto ao Banco do Brasil

Tenente-coronel Cristian Dimitri Andrade esteve à frente do 9º BPM por mais de dois anos
Comandante Dimitri deixa o 9º BPM e fala sobre trajetória, projetos e assalto ao Banco do Brasil
Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 25/02/2021 às 11:00

O tenente-coronel Cristian Dimitri Andrade deixará o comando do 9º Batalhão da Polícia Militar (9º BPM) no dia 5 de março. Após 889 dias, ele se despede da corporação para atuar como chefe do Estado Maior da 6ª Região de Polícia Militar com o coronel Evandro de Andrade Fraga. O comandante foi responsável pela segurança pública em Criciúma, Forquilhinha, Nova Veneza, Siderópolis e Treviso por dois anos e cinco meses. 

“A expectativa era assumir e não decepcionar, pois já tínhamos uma aproximação muito bem consolidada com a sociedade. Trabalhamos muito para dar continuidade ao trabalho realizado no batalhão e os policiais tiveram participação fundamental nesta jornada”, destacou Dimitri, em entrevista ao Portal Engeplus. 

O atual comandante do 9º BPM ressaltou a importância dos policiais militares na região. “Os policiais sempre tiveram uma responsabilidade territorial muito grande. Tiveram autonomia para liderar reuniões com a comunidade, comerciantes e atuaram forte nas Redes de Vizinhos”, observou. 

O 9ºBPM conta com as seguintes modalidades: Rádio-Patrulha, Policiamento de Proximidade (Comunitário), Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT), Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), Canil (K-9), Cavalaria, Guarnição Reforçada (GR/9), Grupo de Operações/Eventos, Agência de Inteligência, Expediente, Proerd, Rede Catarina de Proteção à Mulher, Pós-crime e Juizado Especial de Trânsito (JET).

Rede de Vizinhos 

O tenente-coronel Dimitri ressaltou a importância da Rede de Vizinhos para a sociedade. “Mais localidades foram alcançadas e contempladas com a Rede de Vizinhos, que trouxe uma aproximação com os moradores. Não aumentamos apenas os números, aumentamos a qualidade em atendimentos e interação com as pessoas”, comenta. 

Covid-19

Com relação a Operação Covid-19 da Polícia Militar de Santa Catarina, deflagrada em março de 2020, o 9º Batalhão de Polícia Militar realizou mais de 10 mil fiscalizações preventivas, tendo expedido cerca de 350 notificações e realizado 25 interdições cautelares. Sem contar o apoio prestado para a Vigilância Sanitária municipal, que expede as suas próprias autuações. 

“Nós ajudamos a população com a entrega de máscaras. Atuamos na prevenção, mas não deixamos de ajudar quem precisou da Polícia Militar também”, afirmou Dimitri. 

Operações

Nos últimos dois anos, o 9° BPM realizou mais de 2.3 mil operações e atingiu a marca de 3.361 adultos presos/detidos (crimes e contravenções penais), além de mais de 800 adolescentes apreendidos por atos infracionais. Também foram recuperados 385 veículos furtados, cerca de 148 armas de fogo e 1.210 munições foram retiradas de circulação.

Entre crimes envolvendo tráfico de drogas, foram apreendidos 396 quilos de maconha, 37 quilos de cocaína, nove quilos de crack e 2.274 comprimidos de drogas sintéticas (ecstasy e micropontos de LSD).

Assalto ao Banco do Brasil 

Uma onda de crimes e terror assolou Criciúma entre o fim da noite do dia 30 de novembro, e início da madrugada de 1º de dezembro, quando um grupo criminoso, armado com fuzis de grosso calibre, assaltou a agência do Banco do Brasil, na área central do município, estourou vidraças de lojas e também atingiu o batalhão da Polícia Militar (PM), no bairro Jardim Maristela, com tiros e um caminhão em chamas. 

Muitos questionamentos surgiram com relação à atitude da Polícia Militar, porém o tenente-coronel Dimitri explicou as decisões realizadas. “Foi uma ocorrência que fugiu da normalidade em Santa Catarina. Os criminosos tiveram o domínio da cidade e houve um ataque no batalhão para mostrar que estavam bem armados. Tiros de rajadas no quartel e em diversos pontos da cidade que buscaram desestabilizar as forças de segurança e causar pânico na população”, comentou. 

Conforme o tenente-coronel Dimitri, os primeiros policiais militares atenderam ocorrências de disparos de alarmes em agências bancárias. “No momento em que o batalhão foi atacado, os policiais retornaram e, em certo momento, uma guarnição desceu da viatura a pé, porém o comboio passou e houve um confronto. Foram mais de 60 disparos de fogo realizados pelos militares contra um veículo dos criminosos que também atiraram contra os policiais e um tiro acertou o policial Esmeraldino, que ficou hospitalizado por dois meses, porém já está em casa em tratamento com equipe de saúde especializada”, relembrou. 

“Nós buscamos mobilizar policiais de outras regiões, porém eles atearam fogo em um caminhão também no Túnel do Morro do Formigão. Mas tivemos apoio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) de Florianópolis, por exemplo”, citou. “Tivemos apoio das forças de segurança de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, e claro, de Santa Catarina”, completou. 

O comandante ainda ressaltou os procedimentos adotados. “No batalhão, deixaram explosivos e também em diversos pontos da cidade. Os explosivos estavam conectados em dispositivos eletrônicos e celulares e poderiam ser acionados à distância. Tínhamos que ter cautela para proteger os moradores da cidade. Foram feitos reféns e estávamos lidando com vidas e não podíamos errar. Nosso protocolo é salvar vidas e aplicar a lei”, destacou. 

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Ao ser questionado porque não foi seguido o comboio, o comandante foi enfático. “Tínhamos dispositivos acionados em diversos pontos da cidade, não sabíamos se haviam reféns nos veículos. Eles poderiam explodir qualquer artefato que eles deixaram armados e matar várias pessoas e destruir edificações em Criciúma. Tínhamos vidas para salvar e isso veio em primeiro lugar”, relatou. "Segundo o relatório do Bope, os explosivos deixados no Centro de Criciúma, ou seja, os 200 quilos de nitrato de amônia poderiam causar morte e destruição em até um raio de 600 metros", completou. 

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Perdas 

Conforme Dimitri, o momento mais difícil neste período de comando, foram as mortes de policiais na área do 9º Batalhão. “Desde dezembro de 2019, perdemos cinco policiais militares. Além da família, que perde um parente especial e querido, é um grande vazio para um comandante e para a sua tropa”,observou. 

Novo comandante 

O 9ª BPM de Criciúma terá um novo comandante: Sandi Muris de Medeiros Sartor. O novo ocupante do cargo é natural de Criciúma e, recentemente, estava no subcomando da Guarnição Especial de Içara (GEIC). O 9º BPM é responsável pela segurança pública em Criciúma, Forquilhinha, Nova Veneza, Siderópolis e Treviso. 

Confira abaixo um vídeo do tenente-coronel Cristian Dimitri Andrade: