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Protesto contra feminicídio é realizado em Forquilhinha; cartaz dizia: 'parem de nos matar'

Em menos de seis meses município registrou dois crimes de violência com morte de mulheres
Protesto contra feminicídio é realizado em Forquilhinha; cartaz dizia: 'parem de nos matar'
Por Jessica Rosso Em 13/01/2021 às 20:27

As falas emocionadas não são apenas de saudade, mas de angústia. Familiares da sargento Regiane Miranda estão há seis meses aguardando a finalização do inquérito policial civil que apura o caso de feminicídio. A sargento morreu aos 37 anos, após ser atingida por tiros de arma de fogo pelo ex-companheiro e ex-PM, que tirou a própria vida após cometer o crime. O fato aconteceu na residência de Miranda, no bairro Vila Lourdes, em Forquilhinha.

Nesta quarta-feira, dia 13, familiares foram as ruas para manifestar contra o feminicídio, mas também para lembrar as autoridades que a espera pelo encerramento do caso continua. O delegado de Polícia Civil de Forquilhinha Ricardo Kelleter, é responsável pela investigação do assassinato de Regiane. Ele disse à reportagem que ainda existem diligências necessárias a serem feitas na investigação. Informações mais detalhadas não podem ser divulgadas por conta do andamento do processo, informou Kelleter.

Além de amigos e familiares da sargento, também estiveram presentes pessoas próximas da também vítima de feminicídio Aline Arns, morta, em sua residência, pelo ex-companheiro. Ele também tirou a própria vida. O caso aconteceu no mesmo bairro, e foi um motivo a mais para que a manifestação acontecesse nesta quarta. 

'Parem de nos matar', 'você foi uma joia rara que nos deixou', 'não deixe seu medo acabar com sua vida', 'seu sorriso por onde passou a todos conquistou', 'quem ama não humilha, não maltrata, não mata', 'nenhuma a menos', 'amor com violência é doença', 'lutamos para que o fim dos relacionamentos não seja o fim da vida'. Essas são apenas algumas das frases escritas em cartazes, segurados nas mãos, à vista dos que passaram pela principal via de Forquilhinha por volta das 18 horas desta quarta-feira. Os olhares eram tristes e os discursos pediam um basta da violência contra a mulher. Crianças, mulheres, homens, pessoas de todas as idades levaram mensagens não só relacionadas às vítimas Regiane e Aline, mas para todas as mulheres que sofrem algum tipo de violência, e também para os agressores.

Saiane Miranda disse que o protesto é um alerta. "Para as mulheres, para pedirem ajuda, procurarem ajuda, denunciarem qualquer tipo de violência. É também um apelo para a população, às autoridades para prestarem mais atenção nisso. Estamos usando a nossa voz para tentar conscientizar a população, para dar um basta no feminicídio, que mata tantas mulheres todos os dias. Alguns cartazes dizem: 'o machismo mata mulheres todos os dias', então estamos aqui, mostrando a nossa luta para conscientizar o pessoal acerca disso", contou. 

Lisiane Pereira Arns disse que é necessário união, e que ninguém deve mais passar por esse tipo de situação. "É muito sofrimento". O protesto teve início na ponte de Forquilhinha, que dá acesso a principal via do centro da cidade, e com o auxílio da segurança da Polícia Militar, protestantes caminharam pela via, realizaram discursos e cantaram a letra que dizia: "eu não posso andar só, eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor".

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