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Perícia aponta pelo menos três criminosos feridos durante roubo ao Banco do Brasil; saiba mais

Dois teriam sido baleados em confrontos com policiais e outro se feriu durante explosão
Perícia aponta pelo menos três criminosos feridos durante roubo ao Banco do Brasil; saiba mais
Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus
Por Thiago Hockmüller Em 15/12/2020 às 12:35

O Instituto Geral de Perícias (IGP) de Santa Catarina tem cumprido um importante papel de contribuição com o trabalho investigativo relacionado ao roubo do Banco do Brasil, no último dia 1°, quando criminosos aterrorizaram Criciúma e levaram cerca de R$ 80 milhões da agência central, onde funciona a tesouraria regional do banco.

O desdobramento das perícias realizadas ao lado da agência, onde os criminosos utilizaram explosivos para arrombar a porta e acessar o cofre, também nos nove veículos usados pelos quadrilheiros e posteriormente abandonados em uma área rural de Nova Veneza, aponta para pelo menos três feridos entre os criminosos: dois em confronto com a polícia e um, possivelmente, vítima dos explosivos utilizados na agência.


Criminosos usaram carros de luxo durante roubo em Criciúma. (fotos: Thiago Hockmüller)

Primeiro ferido

O primeiro assaltante ferido foi alvejado em confronto com a Polícia Militar (PM) logo depois que o plano criminoso foi colocado em ação. Era por volta 23h30 do dia 30 de novembro quando os quadrilheiros entraram na cidade pela Via Rápida e atacaram a sede do 9º Batalhão de Polícia Militar de Criciúma (9º BPM) com um caminhão em chamas e tiros de fuzis de grosso calibre.

Há poucos metros do batalhão, próximo ao Ibis Hotel (apenas referência), uma guarnição do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT), que se deslocava para a sede policial, entrou em confronto com criminosos que estavam em uma caminhonete Mitsubishi L200 Triton - o único dos nove veículos apreendidos que não era blindado. E foi justamente ali que um dos ladrões foi baleado e que outros também podem ter sido atingidos. No tiroteio, o soldado Jeferson Esmeraldino foi alvejado no abdômen e desde então está hospitalizado. 

“Temos no mínimo três pessoas (feridas). Ainda desconfiamos que possam haver mais por causa da troca de tiros com a PM. Um carro ali foi bem atingido, pode ser que tenha mais pessoas”, explica o gerente da mesorregional do IGP Criciúma, perito criminal bioquímico André Bittencourt Martins, em entrevista ao Portal Engeplus.

A reportagem esteve no pátio da empresa DJ Guinchos e Estacionamento, onde estão os nove veículos apreendidos em Nova Veneza e o caminhão queimado na frente do batalhão. Todos já passaram pela perícia que identificou falhas e contribuiu na identificação de suspeitos. Apenas a L200 e uma Volkswagen Tiguan possuem marcas de tiros. A primeira foi atingida por cerca de 23 projéteis. Somente na porta do motorista, são mais de dez marcas entre perfurações e danos na lataria. Já a segunda possui apenas uma perfuração.

Outra constatação que deixa evidente que na L200 pelo menos uma pessoa foi atingida é a quantidade de sangue encontrada no tapete onde estava o motorista. Este material foi coletado pelos peritos e encaminhado para análise de DNA. Também existem marcas de tiros no interior da caminhonete, como no painel e nos bancos dianteiros.  

Abaixo, confira o mapa dos projéteis que acertaram a L200 e que estão visíveis. Isto quer dizer que outros disparos também atingiram a caminhonete, todavia, os vidros laterais frontais estavam abaixados, assim como o lateral traseiro (esquerdo), que estava a meia altura. Desta forma não foi possível contá-los.


Além da L200 e da Tiguan, a frota de luxo utilizada na noite do crime e recolhida no pátio da empresa conta ainda com os seguintes carros: Range Rover, duas Audi Q5 (uma com placas de Baureri), Mitsubishi Pajero Tr4, BMW X6, BMW X4 e uma Hyundai Tucson. 

Delegado atingiu assaltante

O segundo criminoso ferido também foi baleado, isto é o que indicam vídeos gravados pelo morador de um apartamento localizado na rua Santo Antônio, na Praça do Congresso. Foi na sacada que ele registrou o momento em que dois assaltantes trocam tiros com o delegado Márcio Campos Neves, morador da área central de Criciúma.

Ferido e caído na calçada, o ladrão se levanta e caminha para uma área segura. O IGP esteve neste local e identificou uma marca de sangue possivelmente resultado do ferimento. O material foi coletado e encaminhado para análise de DNA. 

Ferido durante explosão

Já o terceiro ferido pode ter sido vítima da própria ação durante o acionamento de explosivos para arrombar o banco, na rua Lauro Müller. A prova que houve um ferido está nas marcas de sangue deixadas na calçada, em frente ao portão da agência onde também fica a porta arrombada. A reportagem esteve no local e constatou as marcas (foto ao lado). 

A amostra de sangue foi coletada pelo IGP e encaminhada para análise. Somente depois desta avaliação ficará comprovado se são, de fato, três pessoas distintas ou duas (neste caso entre elas um ladrão azarado que estava no carro sem blindagem atingido pelos policiais e depois novamente baleado na Praça do Congresso).

“Aquela mancha de sangue ali na frente do banco, a gente pode dizer oficialmente que ali é realmente outro ferido. Um ferido ali, um que trocou tiro com a polícia e outro atingido pelo Márcio. O fato de serem três pessoas, a certeza só vai ser absoluta no momento que a gente tiver confirmação de três perfis, aí vamos saber que são três pessoas”, explica o gerente da mesorregional do IGP Criciúma, perito criminal bioquímico, André Bittencourt Martins.

Pode acontecer eventualmente de não dar perfil (a mancha), pode ter contaminação, pode ter mistura. Olhando a cena do crime, considerando como aconteceu, a gente tem aquela mancha que você encontrou ali na frente do banco, no chão. Aquilo é um ferido provavelmente durante a explosão, não foi troca de tiro, foi provavelmente durante a explosão. Também tem o que trocou tiro com a PM e um que foi acertado pelo delegado Márcio.

gerente da mesorregional do IGP Criciúma, André Bittencourt Martins
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Casas analisadas e mais evidências colhidas

Ainda na madrugada de terça-feira, o Instituto Geral de Perícias (IGP) já estava nas ruas de Criciúma para cumprir com o objetivo de colher o máximo de vestígios que pudessem contribuir com as investigações. No banco, na Praça do Congresso, em Nova Veneza onde os carros foram encontrados e no batalhão da Polícia Militar (PM). Estes foram alguns dos locais periciados ao longo daquela semana. 

Também foram alvos de perícia um galpão no bairro Presidente Vargas, em Içara, utilizado para pintar os carros usados na ação, e diversas casas em municípios da mesorregional Sul, que compreende desde Laguna até Passo de Torres. O IGP não comenta qual tipo de prova foi encontrada nestes locais, mas deixa claro que um simples fio de cabelo pode ser providencial para identificar suspeitos. 

“Os vestígios só se tornam indícios quando eles têm correlação com o crime. Qualquer coisa é vestígio. Chega lá, um fio de cabelo, uma gotinha de sangue, uma tampinha de garrafa, às vezes, dependendo do caso, pode ser uma prova muito importante com DNA”, argumenta Bittencourt. 


Peritos encontraram evidências em um galpão no bairro Presidente Vargas. (fotos: Thiago Hockmüller)

Crime reconstituído

Munidos com as evidências, é possível reconstruir o caminho feito pelos criminosos. Foi assim que um casal acabou preso em Campinas (SP), após a perícia encontrar um cupom fiscal de abastecimento deixado na BMW X6, abandonada na zona rural de Nova Veneza. A partir disso, foi localizado o posto onde o veículo foi abastecido e por meio de imagens de monitoramento identificou-se o casal.

"O que deu errado para essa quadrilha? A escolha do Estado. Temos a melhor força de segurança pública do Brasil aqui em Santa Catarina. Tanto a Polícia Militar, como a Polícia Civil e a perícia catarinense. Temos homens extremamente capacitados e prontos para dar uma pronta resposta para a sociedade”, argumenta o perito geral do IGP de SC, Giovani Eduardo Adriano.

Em entrevista coletiva na última semana, o diretor do Instituto de Criminalística do IGP, perito Tiago Petry, explicou que a organização e planejamento do órgão permitiu oferecer apoio para Criciúma de forma rápida e efetiva. “O IGP tem uma estrutura física bastante adequada. A nomeação do último concurso em 2019 possibilitou que o IGP desse uma resposta imediata para a sociedade”, refletiu. 

Relembre o caso

Uma onda de crimes e terror assolou Criciúma entre o fim da noite de segunda-feira, dia 30, e início da madrugada de terça, dia 1, quando um grupo criminoso armado com fuzis de grosso calibre assaltou a agência do Banco do Brasil, na área central do município, estourou vidraças de lojas e também atingiu o batalhão da Polícia Militar (PM), no bairro Jardim Maristela, com tiros e um caminhão em chamas.

O terror foi gravado em vídeos por moradores da cidade, sobretudo na área Central, onde os quadrilheiros disparavam fuzis e pistolas sem um alvo específico. Em outros bairros da cidade também foram ouvidos tiros, como no Pinheirinho, Próspera, São Luiz, Santa Bárbara e Michel. Segundo a investigação, isso aconteceu na tentativa de despistar os policiais sobre o foco dos criminosos: a agência do Banco do Brasil, de onde estima-se que R$ 80 milhões foram levados pelos assaltantes.

A ação criminosa é considerada pelas forças de segurança o maior assalto a banco já registrado em Santa Catarina e está incluída na modalidade nomeada como 'Novo cangaço". A ação também teve reféns, veículos atingidos por tiros, um policial e pelo menos três criminosos baleados, e aqueles que aproveitaram para recolher parte do rastro de dinheiro deixado pelos assaltantes em torno do banco. Clique aqui e confira a matéria completa sobre a noite de terror vivida em Criciúma.

Abaixo, confira mais imagens dos veículos utilizados durante o assalto ao Banco do Brasil: