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Enterrada nesta manhã, amigos e familiares se despedem de Júlia Volp

Transexual foi encontrada morta em Florianópolis nessa segunda-feira
Enterrada nesta manhã, amigos e familiares se despedem de Júlia Volp
Foto: arquivo engeplus
Por Débora Correa Em 05/12/2017 às 11:11

Familiares e amigos se despediram de Júlia Volp na manhã desta terça-feira. O enterro foi realizado por volta das 8h30, em Morro da Fumaça, cidade em que Júlia nasceu. O corpo da jovem foi encontrado na tarde dessa segunda-feira, dia 4, em Florianópolis. Ela estava desaparecida desde a última quinta-feira.

O velório foi realizado com caixão fechado, já que o corpo já foi encontrado em avançado estado de decomposição. A Polícia Civil acredita que a jovem tenha sido morta na quinta ou sexta-feira. O Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis identificou ferimentos de arma branca (faca) pelo corpo. 

Júlia era transexual e, segundo a Polícia Civil, viajou para Florianópolis para trabalhar. A jovem buscava juntar dinheiro para viajar para a Itália e guardava cerca de 700 euros na bolsa. Ela havia sido deportada pelo governo italiano há alguns meses. O objetivo de trabalhar na ilha era recuperar esse dinheiro e voltar para a Europa.

Esclarecimentos

A família de Júlia deve ir à Florianópolis até o fim da semana para recolher os pertences da jovem e se inteirar das investigações. A Delegacia de Homicídios da capital é a responsável pelo caso.

UNA LGBT emite nota de Pesar

A União Nacional LGBT de Criciúma emitiu uma nota de pesar sobre a morte da jovem e levantou o debate sobre as estatísticas do país. Segundo a nota, em 2016 o índice de assassinatos contra pessoas LGBT bateu recorde de 347 mortes no país.

A psicóloga especialista em gênero nas escolas e integrante do Programa Diversidades, Inclusão e Direitos Humanos (DIDH) da Unesc, Rita Guimarães, ressalta a importância de falar sobre o assunto. “Eu honestamente não vejo outra saída que não pela educação. É falando sobre a diversidade, sobre direitos humanos, sobre cultura de paz que a gente cria pessoas melhores para esse mundo”, ressalta. “Hoje estamos de luto e estamos com muito medo também. Mas não estamos sós. Pela Julia e por tantas outras Julias que estão por aí, resistiremos”.

Confira na íntegra a nota de pesar:

A União Nacional LGBT de Criciúma manifesta seu mais profundo pesar pela precoce perda da jovem Julia Volp, que foi encontrada morta hoje em Florianópolis.
Julia tinha 20 anos e era uma jovem criciumense cheia de sonhos e um futuro incrível pela frente. Representou brilhantemente nossa cidade em um concurso de beleza trans, o Miss T Brasil e levava no rosto um sorriso que sempre nos encorajava a seguir firmes na luta contra todas as formas de opressão.
Infelizmente vivemos no país que mais mata Transexuais e Travestis no mundo. Em 2016, o índice de assassinatos contra pessoas LGBT bateu recorde com 347 mortes e atualmente a estimativa é de uma morte a cada 25h por crime de ódio.
Precisamos dar um basta nesta violência desenfreada. Clamamos por justiça.

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