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Sub-tenente da PM confessa ter matado a namorada, em Imbituba, e delegado dá detalhes sobre o caso

Possível corpo de Hannelore Siewert, de 40 anos, foi encontrado carbonizado e esquartejado
Sub-tenente da PM confessa ter matado a namorada, em Imbituba, e delegado dá detalhes sobre o caso
Por Vanessa Amando Em 22/04/2013 às 16:35
Em entrevista ao Portal Engeplus na tarde desta segunda-feira, o delegado de Imbituba, Raphael Giordani, deu detalhes sobre as investigações do caso do sub-tenente da Polícia Militar, Ênio Sebastião de Farias, de 50 anos, assassino confesso da companheira, Hannelore Siewert, uma professora de 40 anos. O caso teve início no último dia 13, um sábado, quando o casal teria desaparecido.

Na segunda-feira seguinte, dia 15, o carro deles foi localizado com marcas de sangue e abandonado próximo da Lagoa do Timbé, no balneário de Itapirubá. Um corpo carbonizado e ainda não identificado foi encontrado enterrado nas proximidades da mesma lagoa na manhã de quarta-feira, dia 17. Indícios preliminares apontam que se trata do cadáver de Hannelore, o que somente poderá ser comprovado através de exame de DNA. O sub-tenente teve a prisão temporária decretada na tarde da mesma quarta-feira. Ele estava no extremo Sul do Brasil, na cidade de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul.

De acordo com o delegado Raphael, o sub-tenente já confessou o crime. "O primeiro interrogatório feito por mim ocorreu ainda em Santana do Livramento, na quinta-feira, dia 18, e ele confirmou a autoria do homicídio. A primeira pergunta que fiz foi sobre a arma, ele ainda estava na cela e disse que não sabia de arma alguma. Questionei novamente e ele afirmou que havia jogado a arma fora. Depois iniciamos o interrogatório formal, por volta das 20 horas, e perguntei apenas o que aconteceu na noite de sexta-feira para sábado. Ele respondeu a pergunta por 1h30min, sem parar, dando detalhes sobre como matou Hannelore", revelou a autoridade policial.

No depoimento, o sub-tenente afirmou que brigas com a companheira eram constantes. Elas começavam por motivos irrelevantes e se tornavam sérias. Ele contou que matou Hannelore em casa, com um tiro. A arma, um revólver calibre 38 e sem registro, teria sido jogada fora, mas ele não lembra onde. No entanto, segundo o delegado responsável pelo caso, o exame de necropsia realizado no corpo carbonizado não apontou nenhuma perfuração. Apenas um afundamento no crânio foi encontrado. "Isso pode ter sido causado por uma paulada, um golpe com cassetete, por exemplo. Talvez ele tenha falado que a matou com um tiro para evitar agravantes porque matar a pauladas é considerado motivo cruel e pode aumentar a pena, em caso de condenação", detalhou Giordani.

O corpo da vítima, segundo o sub-tenente, foi colocado no porta-malas do carro do casal, um Cross Fox, e levado até a Lagoa do Timbé. Um sofá-cama também foi transportado em cima do veículo. Na lagoa, ele colocou fogo no corpo da namorada, em cima do sofá. A alegação, segundo ele, teria sido o desejo de Hannelore de ser cremada após a morte e ter suas cinzas jogadas naquela lagoa. Neste ponto, um detalhe chama a atenção do delegado: O corpo encontrado estava esquartejado, pois faltavam pedaços dos dois braços e das duas pernas, mas o sub-tenente nega que tenha feito algum corte no corpo.
"Depois de ocultar o cadáver, ele pegou uma carona até Tubarão, onde comprou uma passagem na rodoviária para Porto Alegre (RS). Da capital gaúcha, ele partiu para Santana do Livramento, onde foi detido. Ele confirmou, ainda, que pretendia deixar o país. A intenção era começar vida nova no interior do Uruguai ou Argentina, já que ele entende de agricultura e pecuária, e pretendia viver disso", contou o delegado.

Giordani acredita que o sub-tenente agiu sozinho. Ele confessou o crime em dois depoimentos, respondeu todas as perguntas, não houve contradições e negou poucos fatos, como o esquartejamento e a real causa da morte de Hannelore. O inquérito policial tem 30 dias para ser concluído. O delegado ouviu outras pessoas próximas do casal e aguarda, ainda, o resultado do exame de DNA do corpo carbonizado.

O sub-tenente está detido de forma preventiva no 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Florianópolis, onde era sua área de atuação, mas ele estava de licença nos últimos dias. Era membro da PM há cerca de 30 anos e deveria ser aposentado dentro dos próximos quatro meses.