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'Não há como saber por quanto tempo essa estabilidade pode continuar', diz infectologista

Santa Catarina vive estabilidade no número de casos de Covid-19
'Não há como saber por quanto tempo essa estabilidade pode continuar', diz infectologista
Foto: Rafaela Custódio / Portal Engeplus
Por Jessica Rosso Em 16/10/2020 às 15:24

A região Carbonífera segue classificada como potencial grave para a Covid-19, conforme a matriz de risco, que aponta a mesma situação para outras 11 regiões de Santa Catarina. Nos últimos dias a Vigilância Epidemiológica Estadual tem informado que  Santa Catarina vive estabilidade no número de casos.

A infectologista Monica Anselmo Junkes, afirma que a região Carbonífera ainda está na primeira onda. "Ainda não podemos falar de segunda onda, se ainda estamos na primeira", ressaltou.  A infectologista explica que não há como saber com exatidão quantas pessoas já foram expostas ao coronavírus. "Porque muitas pessoas não tiveram sintomas, então simplesmente não fizeram exames. Então é dificil falar em segunda onda, porque ainda não chegamos numa exposição maciça das pessoas", afirma.

Além disso, não há como saber por quanto tempo essa estabilidade pode continuar. "Depende muito da exposição. Se começarem a liberar e não tiver medidas de prevenção os casos vão aumentar e as pessoas que estavam em casa se cuidando vão se expor ao vírus", comenta.

Segunda onda

A profissional explica ainda que a segunda onda ocorre quando existe o controle e a doença volta a aparecer em maior frequência de casos. Como a região ainda não chegou nessa fase de controle, o termo 'segunda onda' seria questionável. "O Brasil é muito grande e temos diferentes regiões com curvas diferentes de infecção e de pessoas já expostas ao vírus. Parece estarmos vivendo no momento num contexto geral do Brasil e na região, um platô. Mas é difícil estimar para todo o Brasi", relata.

A falta de testagem no Brasil dificulta a análise da evolução da pandemia. " Não temos como saber quantos já se expuseram ao coronavírus com exatidão e se já temos uma imunidade coletiva ( imunidade de rebanho). Portanto, provavelmente uma grande parte da população ainda não se expôs ao vírus e não tem anticorpos. A presença de uma possível segunda onda depende de vários fatores e um destes é a quantidade de infectados na primeira fase da pandemia.

Com mais pessoas imunes, a infectologista explica que a parcela de susceptíveis à contaminação é menor. Há ainda outros fatores que também influenciariam uma segunda onda: a intensidade e duração da imunidade natural das pessoas infectadas ( tempo que iria durar a imunidade de uma pessoa contra o vírus), heterogeneidade da população, a sazonalidade (outras doenças respiratórias também podem confundir com Covid), possíveis mutações do vírus e a dinâmica das medidas de distanciamento da sociedade.

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