InternetData CenterAssinante

Médica alerta sobre a importância do diagnóstico precoce de câncer infantojuvenil

Adalisa Reinke é médica responsável pelo serviço de oncologia pediátrica do HSJ
Médica alerta sobre a importância do diagnóstico precoce de câncer infantojuvenil
Foto: Unsplash/Ilustrativa
Por Rafaela Custódio Em 15/09/2020 às 08:54

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) informou neste ano que a estimativa de novos casos de câncer infantojuvenil no Brasil é de 8.460, sendo 4.310 para o sexo masculino e 4.150 para o feminino. A médica Adalisa Reinke, que é responsável pelo serviço de oncologia pediátrica do Hospital São José (HSJ), destaca que o diagnóstico precoce pode ajudar na cura do pacientes. 

De acordo com Adalisa, os sinais do câncer infantojuvenil são parecidos com outras doenças comuns da infância e isso dificulta o diagnóstico. “Febre, dor de cabeça e vômitos podem ser sintomas comuns, mas excluídas as causas mais comuns, podemos pensar no câncer infantil. Os principais sintomas são febre, cansaço, caroços, massa na barriga que a mãe pode sentir na hora do banho, alteração de comportamento, vômitos pela manhã, manchas roxas. A mãe que sentir esses sintomas é necessário levar a criança à Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no médico de confiança”, explica. “Sempre dizemos que três dias de febre que não aparece a causa ou três dias de palidez é preciso levar a um especialista”, completa. 

Setembro Dourado é o mês de conscientização do câncer infantojuvenil

O tratamento de uma criança com câncer infantojuvenil é a quimioterapia, radioterapia, cirurgia e transplante de medula óssea. “Atualmente em Criciúma, nós estamos com 23 crianças realizando quimioterapia. Cobrimos as regiões da Amurel, Amrec e Amesc e todas são atendidas no Hospital São José”, cita.  

A médica aconselha os pais e responsáveis a levarem seus filhos ao pediatra. “Durante o primeiro ano de vida, as mães devem levar ao pediatra mensalmente para acompanhar o desenvolvimento. Após o segundo ano de vida, o pediatra acompanha os principais marcos do crescimento da criança. Até os 19 anos todos devem ser acompanhados por um pediatra”, ressalta. “Nós estamos aptos a tratar pessoas de 0 a 19 anos. Hoje, temos uma menina de 24 anos que está tratando um tumor que é de criança”, acrescenta.  

“A maioria do câncer infantojuvenil dizemos que é o acaso. Uma célula que se multiplicou de forma errada e o organismo não eliminou e desenvolveu o câncer. Em crianças menores de 1 ano e nas crianças que já nascem com câncer existem algumas alterações genéticas, mas a maioria dizemos que é o acaso”, conta. 

Adalisa ressalta que é difícil falar em prevenção, mas, sim, em diagnóstico precoce. “Não conseguimos prevenir e, por isso, falamos em diagnóstico precoce, pois quanto mais cedo chegar para o tratamento com a doença menos avançada a chance de cura é muito alta”, finaliza. 

De acordo com o INCA, assim como nos países desenvolvidos, no Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos.

Nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo. Hoje, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos da doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado, afirma o INCA.