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Estudantes e professores universitários produzem em casa máscaras com tecnologia 3D

A intenção é produzir nos próximos dias cerca de 1200 itens
Estudantes e professores universitários produzem em casa máscaras com tecnologia 3D
Foto: Divulgação/Pronto 3D
Por Redação Em 29/03/2020 às 15:55

As universidades catarinenses paralisaram as atividades como medida para evitar a propagação da Covid-19. Mas nem por isso alunos e professores deixaram de trabalhar ou elaborar soluções para o combate à pandemia. É o que tem feito Gabriela Chicarelli, estudante de Design de Produto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Desde a última segunda-feira, dia 23, junto com colegas e professores, a jovem está imprimindo com tecnologia 3D máscaras plásticas que serão usadas por motoristas e garis. A intenção é produzir nos próximos dias cerca de 1200 itens.

Atuando para desenvolver os modelos e ajudando na coordenação da equipe, a professora do curso de Design de Produto da UFSC Regiane Trevisan Pupo organiza todos os trabalhos virtualmente. Tudo é feito de maneira remota e com equipamentos de impressão em 3D, que possam ser usados em casa. O objetivo é dar conta de produzir 200 máscaras por dia com ajuda de voluntários, alunos e professores do Laboratório de Prototipagem e Novas Tecnologias Orientadas ao 3D, o Pronto 3D.

O estopim para iniciar os trabalhos foi a constatação de Regiane de que a maiorias das máscaras produzidas por outros laboratórios eram direcionadas para as unidades de terapia intensiva (UTIs) e centros cirúrgicos. Ela percebeu que outros profissionais também precisariam de equipamentos próprios, como motoristas e garis. “Ninguém estava fazendo para eles. Eles também precisam de proteção”, justificou a professora.

Em Criciúma, a equipe do Pronto 3D instalado do Colégio, Faculdade, Extensão e Centro Tecnológico (Satc) também produz emergencialmente as máscaras. O coordenador do laboratório, Daniel Fritzen, conseguiu apoio de alunos e professores para imprimir de casa os EPIs, que serão destinados aos profissionais de saúde, que são mais expostos à contaminação.

A iniciativa em Criciúma surgiu com a demanda na cidade e foi possível a partir de experiências de outros laboratórios internacionais que também ajudaram vários países no combate à pandemia. “Com esse período de quarentena que estamos vivendo, com possível agravamento da pandemia, naturalmente nos vimos convocados a participar deste movimento”, destacou.

Do outro lado do Estado, a técnica do laboratório Pronto 3D da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), a professora Carla Secchi está verificando a possibilidade de começar as impressões nos próximos dias. Para isso, ela está buscando apoio com a universidade. A ideia é testar na próxima semana os modelos de máscaras que devem ser destinados aos profissionais da saúde, especialmente dos hospitais da região.

Para que as equipes dos laboratórios possam dar conta da demanda, é preciso apoio da comunidade. Quem tiver um equipamento de impressão 3D, para colaborar de casa com a produção, ou puder doar materiais pode entrar em contato pelo e-mail pronto3d@gmail.com em Florianópolis, para o pronto3dcriciúma@satc.edu.br no Sul do Oeste ou ainda para o pronto3d@unochapeco.edu.br no Oeste.

 

Laboratórios Pronto 3D em SC são criados com recursos da Fapesc

Em 2013, quando Regiane planejava instalar um laboratório de prototipagem para impressão em 3D, a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc) foi uma das grandes apoiadoras dessa iniciativa inédita nas universidades. Tanto que a fundação, hoje vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, contribuiu para a expansão do projeto para instituições de ensino de outras três cidades: Criciúma, Chapecó e Lages.

A fundação destinou recursos para a compra de impressora 3D, máquina de corte à laser e máquina CNC (também para produção de modelos), além de treinamento dos profissionais. Assim começou a operação das primeiras fábricas digitais em Santa Catarina.

“Esse investimento em tecnologia e pesquisa causa impacto por muitos anos e de maneiras diferentes na sociedade. O papel da Fapesc é justamente esse: buscar inovação, criar estruturas tecnológicas e de conhecimento que permitam com que Santa Catarina reaja mais prontamente aos desafios”, destaca o presidente da fundação, Fábio Zabot Holthausen.

Já o secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Lucas Esmeraldino, ressalta a importância da solidariedade de pesquisadores e profissionais de inovação para a busca de soluções para os desafios. “O momento é de união, para que juntos possamos enfrentar essa pandemia. Vamos aliar o que temos de melhor para contribuir com o bem das pessoas que precisam estar nas ruas em prol da sociedade”, frisou Esmeraldino.

A Fapesc está contribuindo também para o combate à Covid-19 com a participação de um edital internacional de cooperação com a União Europeia. O objetivo é selecionar projetos e pesquisadores que apontem novas formas de tratamento e de diagnóstico para o novo coronavírus (SAR-CoV-2). As inscrições vão até 31 de março. Mais informações podem ser acessadas em www.fapesc.sc.gov.br.

Colaboração: Gisele Krama

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