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Dia Mundial da Psoríase: como a pandemia pode agravar o quadro

Dermatologista especialista em psoríase alerta para os efeitos negativos do isolamento
Por Redação Engeplus Em 29/10/2020 às 17:32

Depois da gravidade indiscutível da pandemia de coronavírus no mundo todo, o isolamento social com certeza foi o fator mais assustador e difícil de ser enfrentado nos últimos meses. Não é novidade que ele aumentou as angústias e agravou problemas psicológicos e psiquiátricos ao longo de todo o globo, mas além disso, ele reverberou também em doenças crônicas como a psoríase, lembrada mundialmente no dia de hoje, 29 de outubro.

Ainda com causa desconhecida, acredita-se que a psoríase está ligada a uma mutação da célula T (presente no sistema imunológico e responsável pelo combate a vírus e bactérias), na qual ela erroneamente ataca células saudáveis da pele. "As crises, caracterizadas na sua forma cutânea em sua maioria por lesões vermelhas, espessas e com escamas brancas, podem ser desencadeadas por diversos fatores, como infecções, tabagismo, medicações, fatores endócrinos e imunológicos, e, muitas vezes, fatores emocionais", explica o médico Luiz Alberto Bomjardim Pôrto, dermatologista membro da plataforma Doctoralia.

Segundo o especialista, a relação entre agravamento do quadro da doença e os reflexos da Covid-19, como a solidão, a ansiedade e até mesmo a perda, é real. "Há relatos de pessoas que abriram o quadro de psoríase após o impacto psicológico da morte de um parente por Covid-19, por exemplo".

Dr. Luiz Pôrto informa que um fator importante para controlar essas crises e diminuir os danos em um momento já tão difícil para todos é a constância do tratamento. Ainda não há cura para a psoríase, mas com o tratamento adequado e levado a sério, é possível viver com poucos sintomas ou até sem qualquer sinal da doença por muito tempo. Para casos leves, com pouco comprometimento da qualidade de vida, o uso de medicamentos tópicos com produtos anti-inflamatórios e hidratantes pode ser suficiente. Já em casos moderados a graves, que podem comprometer articulações e apresentar feridas mais severas, é necessário o tratamento sistêmico, por meio de fototerapia, medicamentos imunossupressores, retinóides orais e imunobiológicos.

A exposição solar, inclusive, é grande aliada dos pacientes em crise, mas por conta do isolamento pode ter sido negligenciada. "Muitas pessoas deixaram de tomar suas doses diárias de sol por medo de saírem de casa, principalmente no início. O ideal é que busquem alguns minutinhos de radiação solar por dia, nem que seja pela janela", orienta Pôrto.

Ainda não se sabe se pessoas com psoríase têm alguma desvantagem em relação à Covid-19, mas é algo que vem sendo estudado. "É de suma importância que pacientes informem seus dermatologistas em caso de infecção por coronavírus para que haja uma reavaliação do quadro clínico. Assim, conseguimos mais informações sobre a convergência dessas duas doenças e aperfeiçoamos o tratamento de maneira cada vez mais eficaz", finaliza o dermatologista Luiz Pôrto.