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Obra de recuperação ambiental causa mau cheiro e moradores reclamam em Siderópolis

População também reclama da poeira proveniente da obra
Obra de recuperação ambiental causa mau cheiro e moradores reclamam em Siderópolis
Foto: Jessica Rosso
Por Jessica Rosso Em 22/05/2020 às 16:37 - Atualizado há 4 meses

No bairro Patrimônio, em Siderópolis, uma obra de recuperação ambiental tem causado transtornos para a população. Desde o início da obra, que já dura meses, moradores reclamam da poeira proveniente da mesma, e nos últimos dias, do cheiro ruim. Nessa quinta-feira, dia 21, alguns moradores que estavam em casa foram até a obra reinvindicar uma solução para o problema que está afetando diretamente a saúde pública. Uma das moradoras, que reside a poucos metros de onde ocorrem os trabalhos tem, inclusive, doença crônica, como relatou a mãe dela,  Márcia Severo Salvaro, durante o encontro com alguns dos trabalhadores que ali estavam. 

"O que a comunidade está pedindo é que a empresa busque uma alternativa nessa questão do mau cheiro que tomou conta do bairro e da poeira provocada pela execução desse trabalho, desse serviço. É tendo em vista que já foram realizados contatos com os responsáveis sobre a poeira na primeira fase da recuperação, foi providenciado naquela época a vinda de um caminhão pipa que molhava a estrada duas vezes por dia, e isso amenizou um pouco o nosso problema. A questão agora é a seguinte, que a obra está na segunda fase, e é a fase do preparo da terra, e aí colocaram esse adubo e não dá mais para suportar o cheiro e já podemos ver a presença de moscas. Então a situação se agravou bastante", afirmou a moradora.

Márcia disse ainda que a comunidade sabe da importância da recuperação, e do quanto ela é necessária, e que querem que tudo aconteça da melhor forma. "Mas nós precisamos que os responsáveis encontrem outra alternativa, alguma saída para essas questões", explicou a moradora, que finalizou dizendo que a obra ainda deve durar cerca de um mês, conforme informação repassada pela empresa, e isso é muito para os moradores, sendo que o material que causa o mau cheiro, segundo ela, foi colocado, até agora, apenas em um pequeno espaço, que faz parte da grande área de recuperação.

Maria Célia Rosso é outra moradora do bairro, que reclamou do mau cheiro. "É uma comunidade toda que está sendo afetada. Assim como eu que não moro tão perto do local estou sentindo o cheiro, lá no fim do bairro tenho certeza que o povo também sente. É muito forte. Eu não sabia a forma e a proporção tão forte que é quando cheguei no local, simplesmente não dá para conviver com aquilo alí. Além de mosca, mosquito, eu senti um gosto ruim na boca, acredito que não vá fazer bem para a saúde de qualquer pessoa que mora próximo dalí, até a gente aqui mesmo. Eu estou mais preocupada com a saúde", comentou.

O engenheiro Geovani de Costa da Companhia de Pesquisa Recursos Minerais, responsável pela obra, falou ainda no dia de ontem, quinta-feira sobre a situação."Em relação a poeira a gente já determinou que a empresa [terceirizada] tem que fazer esse molhamento, quando não for diário, pelo menos a cada dois dias tem que fazer, porque semana passada eles estavam com vários caminhões, então era todo dia. Mas, realmente já falei com o fiscal da obra e ele disse que essa semana ainda não foram, e fiz o pedido para que fossem amanhã de manhã. Mas vou reiteirar esse pedido de fazer sempre que sentir necessidade", disse o engenheiro. Na manhã desta sexta-feira, o caminhão pipa esteve no local.

Já a questão do cheiro, o engenheiro explica que como está sendo colocado cama de aviário, tem esse cheiro forte, e isso levará alguns dias. "Na verdade não terminou o serviço ainda, está sendo feito. Está sendo colocado calcário, cama de aviário e depois está sendo colocado a turfa, e aí depois vai ser revirado a terra para poder fazer o plantio. Uma vegetação mais rasteira será colocado alí. O cheiro a gente sabe que é um transtorno, mas infelizmente é obrigado a ser colocado, mas ele é passageiro, sabemos que daqui a pouco vai parar, porque a gente já fez em outros lugares", disse o engenheiro.

Ele complementou dizendo que o tipo de serviço já havia sido feito no mês de fevereiro na mesma área, mas em outro local, e que talvez por conta do fator da seca, dessa vez o mau cheiro tenha tido mais evidência. O engenheiro disse que pretende agilizar o serviço (colocação dos materiais) para que o odor não dure muitos dias. A expectativa de finalização dos trabalhos onde tem o maior número de moradores é no final do mês de junho, depois os trabalhos seguem em outra área (industrial) do bairro.

A reportagem procurou a Prefeitura Municipal para saber se a situação chegou ao Executivo, embora não seja uma obra municipal, por conta de afetar a saúde pública questionamos o prefeito a cerca de fiscalização. O prefeito Hélio Césa, o Alemão, entrou em contato com o engenheiro da empresa terceirizada (que neste momento executa as obras no local) enquanto conversava com a reportagem. Ele cobrou do profissional, que alegou não estar por dentro da situação do incomodo para a população e que iria averiguar o fato.

A Fundação do Meio Ambiente de Siderópolis (FAMSID), que foi acionada pelos moradores para averiguar a situação, se manifestou após a publicação desta matéria, na tarde desta sexta-feira. “Estamos cientes sobre a situação. Na segunda-feira, faremos a solicitação das vistas do processo do Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) para acompanharmos a recuperação, logo após entraremos em contato com a empresa para verificarmos os procedimentos que estão sendo adotados durante a recuperação. Vamos realizar o acompanhamento do Plano em seu decorrer. Sabemos a importância da obra e os benefícios que irá trazer ao meio ambiente, por isso faremos o possível para sanar os problemas, devido ao mau cheiro e poeira, adotando outras medidas eficazes sem que haja transtornos aos moradores“, disse a presidente da Fundação do Meio Ambiente de Siderópolis (Famsid), Franciele Candido de Oliveira.