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Segurança alimentar: fiscalizar também é tarefa dos consumidores

600 milhões de pessoas adoecem após o consumo de alimentos contaminados, aponta OMS
Segurança alimentar: fiscalizar também é tarefa dos consumidores
Foto: Divulgação
Por Jessica Rosso Em 06/06/2019 às 19:50

Nesta sexta-feira, dia 7 de junho, a Organização das Nações Unidas celebra pela primeira vez o dia Mundial da Segurança Alimentar. O tema segurança alimentar é assunto de todos, inclusive do consumidor.  De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em torno de 600 milhões de pessoas (quase uma em cada dez no mundo) adoecem depois de ingerir alimentos contaminados e 420 mil morrem anualmente. 

Outro dado apontado afirma que crianças menores de 5 anos sofrem 40% de doenças transmitidas por alimentos, com 125 mil mortes por ano. Segundo a OMS as doenças transmitidas por alimentos são causadas por bactérias, vírus, parasitas, substâncias químicas ou objetos que são introduzidas no corpo através de alimentos ou água contaminados. Para reduzir estes números, a campanha deste ano chama a atenção para uma tarefa coletiva: "Se você é agricultor, fornecedor agrícola, processador de alimentos, transportador, comerciante ou consumidor, a segurança alimentar é o seu negócio", disse o diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Agriculta e Alimentação), José Graziano da Silva.

Fiscalização também é tarefa do consumidor

A ação das Vigilâncias Sanitárias Municipais é fundamental para a oferta segura de alimentos, afirma o coordenador adjunto do curso de Nutrição, Marco Antônio da Silva. Porém, observar as condições de higiene dos estabelecimentos alimentícios frequentados também cabe ao consumidor preocupado com sua saúde. Ao ir a um local que forneça alimentos, as pessoas devem ficar atentas com a limpeza do ambiente, "não apenas na área onde são recepcionadas ou que tenham alimentos expostos, mas a condição do piso, teto, ventiladores, a limpeza dos balcões, entre um equipamento e outro, entre os móveis, entre outros. “Se o que está aparente estiver bem higienizado, já é sinal de que existe um cuidado quanto às boas práticas de produção e oferta de alimentos ou refeições", afirma. “É importante que o consumidor evite estabelecimentos ou espaços de alimentação que não apresentem condições ambientais adequadas”, ressalta Silva.

Outra observação que pode ser feita pelo consumidor está relacionada à condição de higiene do manipulador de alimentos, "daqueles que estão produzindo refeições ou servindo alimentos prontos para consumo, observar se o manipulador está sem adereços (piercing, brincos, anéis, colar, pulseiras, entre outros), de unhas curtas e sem esmalte, se está utilizando touca envolvendo todo cabelo, uniforme limpo e íntegro, e se for homem, estar sem barba e cabelo curto coberto por touca, isso é fundamental para evitar contaminações físicas e microbiológicas no alimento", diz.

A terceira questão é referente à regulamentação sanitária. " O Alvará Sanitário deve estar exposto, o consumidor tem esse direito”. Também é interessante que o consumidor fique atento ao ambiente ao redor do estabelecimento, se está localizado em área salubre, com espaço de coleta de lixo adequado, sem entulhos ou lixo próximos, “lixo exposto, entulhos, presença de animais, entre outros fatores, atrai insetos, como baratas, formiga, moscas e roedores (ratos, ratazanas), que são potenciais vetores de microrganismos causadores de doenças.

Além disso, o profissional cita que em casa, os cuidados também devem existir:

 - Antes de manipular o alimento é necessário sempre higienizar as mãos; 

- Utilizar somente água tratada; 

 - Comprar alimentos de vendedores ambulantes não certificados ou em qualquer local que não tenha fiscalização sanitária é  colocar em risco a saúde; 

- Sempre manter os alimentos in natura ou que tenham sido cozidos e não totalmente consumidos em refrigeração, particularmente os de origem animal, pois são alimentos facilmente susceptíveis à contaminação;

- Tentar produzir em quantidade que não precise ser armazenada. Caso sobre, manter sempre em refrigeração ou congelamento;

- Evitar comer alimentos de origem animal crus;

- Por fim, não recongelar alimentos que tenham sido descongelados.  Neste caso, levar o alimento à cocção e após estar devidamente embalado e etiquetado, daí pode ser congelado.

O cuidado com a água também é muito importante, a limpeza semestral da caixa d’água e o suo de água tratada é imprescindível. Nas localidades rurais que o fornecimento de água não seja tratado, cuidados adicionais devem ser mantidos, entre eles, os exames físico-químicos e microbiológicos rotineiros, conforme orientação de órgão público competente.

Contaminação, surto de doenças transmitidas pelos alimentos e sintomas

Entre os microrganismos mais envolvidos em surtos de doenças transmitidas pelos alimentos, no Brasil, segundo Silva, está a Salmonella, a Escherichia coli e o Staphylococcus aureus. Com relação ao ciclo de vida, as crianças, os idosos e as gestantes são mais susceptíveis à contaminação alimentar.

Os sintomas de contaminação alimentar, em geral, incluem diarreia líquida ou pastosa, vômitos, dor de cabeça, às vezes febre e cansaço. Alguns microrganismos causam sintomas mais graves, ressalta Silva, como a Listeria monocytogenes, que é abortiva, ou o Clostridium botulinum, que pode ser fatal.

Segundo Silva, “geralmente os microrganismos que causam doenças de origem alimentar não deterioram o alimento”, o que faz com que muitas vezes as pessoas acreditem que o alimento ainda está em boas condições para ser consumido. “Em caso de sintomas ou suspeita de contaminação alimentar, a pessoa deve procurar uma Unidade de Saúde ou se dirigir a um hospital”, afirma.