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Amamentar é uma conquista diária e complexa?

Mães falam sobre experiências positivas e negativas com a amamentação
Amamentar é uma conquista diária e complexa?
Foto: Divulgação
Por Jessica Rosso Em 08/08/2019 às 15:25

A amamentação é uma das experiências que cria vínculos entre a mãe e o bebê, além de ser um ato importante para o fortalecimento da criança nos primeiros meses de vida. Mas, na Semana Mundial do Aleitamento Materno, além de temas voltados ao incentivo, inúmeros eventos no Brasil trataram sobre a falta de apoio ao ato. Com isso vem a questão: será que amamentar é uma conquista diária e complexa? Para Vanessa Moretti Baldessar Antunes, que é mãe do Arthur de 10 anos e da Letícia de 6 meses, a resposta é sim! “Vai muito além do que a mídia pró-amamentação transmite”, afirma. 

O que para muitos parece ser um gesto bonito, na verdade pode ser muito dolorido e quase insuportável para muitas mães que não buscam conhecimento sobre o assunto. Vanessa não se preocupava tanto com isso na primeira gestação, até que chegou o momento de amamentar. 

“Não tinha muita informação. Eu pensava que na hora de amamentar eu iria ver como seria. Todo mundo fala que é uma maravilha, mas não tive sucesso. Ele mamou muito pouco, o peito machucou e ele chorava. E como eu achava que ele estava passando fome eu dava o leite artificial”, conta.

Na segunda gravidez, Vanessa pensou que seria diferente. Com mais experiência, pensava que não teria erro. “Eu já sabia o que tinha dado errado com o Arthur e agora iria reparar com a Letícia”, mas não foi o que aconteceu. Vanessa explicou que entre as duas gestações fez redução dos seios e teve dificuldade em amamentar por conta disso. “Eu fui para o hospital e ganhei ela. Ali ela já veio comigo e saia colostro (leite de baixo volume). E assim foi, amamentei ela com aquele colostro. No hospital mesmo já deram leite artificial para ela achando que ela estava passando fome, porque achavam pouco colostro. Meu peito começou a machucar, ficou pior do que da primeira vez, quando amamentei o Arthur. Ela não conseguia abocanhar o peito, não fazia a sucção correta”, lembra.

Preocupada, Vanessa resolveu fazer consultoria com uma profissional que lhe ajudasse a entender o processo. Mesmo assim, já era tarde, porque Letícia (bebê), havia decidido com cinco meses que não queria mais o leite materno. Foi uma decepção para a mãe. “Me frustrei bastante, me sinto culpada por ter deixado ela tomar leite artificial. Talvez tenha faltado para mim buscar rede de apoio. A criança chora e você acha que é fome. Ela passa o dia todo praticamente no peito, e você não sabe o quanto a criança mamou”, afirma. Com o auxílio da pediatra, Vanessa ainda conseguiu intercalar o leite materno e o artificial por algum tempo, e dessa forma prolongou a amamentação de Letícia, diferente de Arthur que mamou até o três meses de idade.

“Eu me perguntava se valia a pena aquela dor. De onde vinha o que eu estava sentindo? Eu sonhava em amamentar e quando machucou meu peito eu chorava de dor. Todo mundo diz que é um conto de fadas, só que amamentar dói, a gente sofre. Mas claro, é compensador, se ela aceitasse o peito eu deixaria ela mamar o quanto ela quisesse", comentou. “Tem muita coisa que não falam, a parte pesada, que a gente sofre e acho que teria que ser mais explorado isso. Tem a parte emocional que estamos fragilizadas, sensíveis. É um turbilhão de sentimentos”. 

Diferente de Vanessa, a experiência com a amamentação está sendo positiva para Ana Cristiny de Amorim Constantino. Ela é mãe do Théo de 1 ano e 4 meses. Ana conta que se preparou muito para esse momento. Durante a gestação ela já se preocupava. “Eu queria muito amamentar, era o meu sonho, lia bastante sobre o assunto, pesquisei. Eu mamei até os três anos e meu irmão até os cinco anos. Me informei bastante", ressaltou. 

Quando Théo nasceu, Ana contou que desceu o colostro. "Na sala de parto eles me entregaram ele e ali já mamou. A enfermeiras me instruíram. No quarto dia desceu o leite”, contou.

Depois disso, apareceu uma fissura no peito e Ana Cristiny imediatamente, por orientação, começou a hidratar o peito com o próprio leite materno. “Ficou dolorido por alguns dias e depois melhorou. Nunca empedrou”. 

Ana disse que o pesadelo veio quando voltou a trabalhar. “Fui no pediatra e ela disse que meu leite ia secar. Foi aí que comecei a congelar meu leite, comprei uma bombinha, comecei a deixar no potinho, tirava nos três períodos do dia”.

Até os seis meses a mãe conta que conseguiu manter a amamentação materna como exclusiva. Só depois disso é que Théo começou a ingerir outros alimentos. “Fui contra algumas regras, inclusive de alguns médicos e ele continua no peito”. Mesmo o processo de amamentação sendo cansativo para Ana, ela o encara como prazeroso.

O processo de amamentação

A secretária de Saúde de Cocal do Sul Sinara Crippa Milanez respondeu algumas dúvidas selecionadas pelo Portal Engeplus sobre o processo de amamentação. Confira:

Portal EngeplusQuais os principais problemas que levam as mães a não amamentar? 

Secretária de Saúde principalmente pela falta de informação muitas delas vão para o caminho errado. Muitas pensam na parte estética.  Muitas delas pensam também pensam que não vão conseguir amamentar ou orque demora um pouco para o bebê pegar o aleitamento. Nesse sentido, às vezes a mãe não tem paciencia e acaba desistindo. Tem a dor, o desconforto. 

Portal Engeplus - Quais as dicas que você dá para as mães de primeira viagem para facilitar o aleitamento? E quando elas podem começar? 

Secretária de Saúde: Ela deve iniciar obviamente o aleitamento materno na maternidade. Quanto mais informação ela buscar, melhor ela vai conduzir o processo. Na maternidade ela deve ficar atenta às primeiras informações. Depois ir a Unidade de Saúde e buscar com a sua médica, a enfermeira, com a ginecologista ou com a obstetra todas as informações necessárias para que ela conduza o ato de amamentar da melhor forma possível. E não desista já nos primeiros momentos de dificuldade.

Portal Engeplus - De quanto em quanto tempo a criança deve ser amamentada? 

Secretária de Saúde: Aconselha-se a amamentar o bebê de 8 a 12 vezes por dia, mas cada bebê tem o seu momento. Alguns têm mais horas de sono, outros têm mais necessidade de amamentação, outros exigem um espaço maior. Então a mãe deve sentir todo esse processo e entender quais os momentos de amamentar o bebê, não descuidando da alimentação. É um fator crucial, entender os seus momentos de amamentação, mas seguir o que a pediatra aconselha. 

Portal Engeplus -O que acontece com as crianças que não são amamentadas como deveriam? Qual a importância do leite materno para a criança?

Secretária de Saúde: Crianças que não são alimentadas como deveriam acabam perdendo peso, adoecendo muitas vezes e por isso é sempre necessário, de imediato, procurar um pediatra, uma Unidade de Saúde básica, para ela que possa ser orientada. Todo cuidado dos primeiros momentos de vida do bebê são fundamentais, e se ele passar por esse cuidado com o descuido, terá consequências. Leite materno é precioso. Quanto mais a mãe amamentar, melhor vai ficar o bebê, menos doente ele vai estar. Vai protegê-lo, fortalecendo a sua imunidade. A própria gestante vai ficar mais protegida de doenças. É um alimento rico em vitaminas, proteínas. Ele por si só, garante todos os nutrientes que o bebê precisa, por isso, é tão importante a gestante tomar consciência disso e ficar atenta. Procurar se informar para que todo o processo de aleitamento seja de forma natural e com o cuidado necessário. 

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