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Tradição entre pescadores no sul inspira projeto “Boto de Parede Laguna”

Objetivo é divulgar tradição em todo o Estado e até mesmo em todo Brasil
Tradição entre pescadores no sul inspira projeto “Boto de Parede Laguna”
Foto: Divulgação
Por Redação Engeplus Em 16/10/2019 às 14:19

A história da amizade e parceria entre pescadores artesanais de Laguna, no sul de Santa Catarina, e os botos, já é antiga. Na lagoa Santo Antônio dos Anjos, eles são vistos com frequência, ainda mais se tiver que cercar algum lanço de tainha. Ao todo são 50 botos de uma mesma família que vivem no local. Os animais são conhecidos por lá, e os mais “atuantes” entre os pescadores, ganharam até nomes: tem o Scooby, o Caroba, o Borracha, o Latinha e muito outros que foram batizados pelos moradores.

Essas histórias estão contadas em vídeo, livro e num acervo, que faz parte de um grande projeto que iniciou há sete anos. Neste período, foram produzidos e reunidos um vasto material com o objetivo de solicitar o Registro que conferiria à pesca artesanal com auxílio dos botos, um Patrimônio Cultural e Imaterial de Santa Catarina. E o reconhecimento veio no ano passado, através da Fundação Catarinense de Cultura - FCC, com parecer favorável do Conselho Estadual de Cultura e chancelado pelo Governo do Estado.

O objetivo era envolver um número maior de pessoas, explicando sobre a importância de preservar essa tradição. Foi então que, surgiu a ideia de mostrar essas histórias de maneira mais lúdica, usando a arte, por exemplo.  Desta maneira, o pesquisador Wellington Linhares que começou todo este processo, buscou inspiração na onda pop “Parade”, como a CowParade e o Elephant Parade Brasil e idealizou o “Boto Parade Laguna”.

“O Boto Parade Laguna tem um diferencial, em relação às outras obras, além de ser uma escultura a ser colorida, é a nossa bandeira, o nosso símbolo maior de preservação e manutenção dessa tradição que é a pesca artesanal com o auxílio do boto e da espécie boto pescador. A obra incentiva a Educação Patrimonial, que é um dos pilares do projeto”, destaca o pesquisador.  

Uma escultura piloto foi esculpida pelo artista plástico lagunense, Everson Souza e ganhou cores através do trabalho do artista Bruno Alvares. A pintura do Boto Parade foi feita ao vivo e transmitida pela internet, diretamente do Parque Ambiental Encantos do Sul, em Capivari de Baixo, num evento alusivo ao Dia Nacional do Patrimônio Cultural. Nela estão os nomes dos botos da região, o Farol dos Molhes da Barra e Mar Grosso, as gaivotas e o pescador com a sua tarrafa.

O custo para produzir a obra foi arcado pelo próprio Wellington, com verba de um prêmio de cultura que recebeu pelo reconhecimento do projeto de fomento e valorização da pesca artesanal com auxílio dos botos, o qual resultou na solicitação de Registro junto ao IPHAN e FCC.

Incentivo

O projeto Boto Parade agora precisa de mais apoio, pois a intenção é fazer com que todo o Estado e até mesmo o Brasil, conheçam essa tradição de Laguna.

Além do investimento de recursos próprios para a construção desta primeira obra, o pesquisador também contou com o apoio do Parque Ambiental Encantos do Sul, que tem como proposta propiciar aos visitantes uma educação patrimonial e ambiental e com a parceria da marca Itajaiense Santacosta, que tem entre seus propósitos, essa sensibilidade ambiental.

“Para a Santacosta apoiar esse projeto é preservar a natureza. Nós gostamos disso e seria muito bom que outras empresas catarinenses também abraçassem a causa de uma história que precisa ser preservada”, destacam os sócios da marca Christopher Stoner e Jefferson Matias.

O idealizador do Boto Parade Laguna também já inscreveu o projeto em alguns editais de Incentivo à Cultura, para conseguir recursos e confeccionar mais esculturas. Na sequência, aguarda até novembro deste ano, aprovação do projeto para buscar  apoio junto às empresas através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), que possibilita que empresas (pessoas jurídicas) e cidadãos (pessoas físicas) aplicarem uma parte do IR (imposto de renda) em ações culturais.

“É importante que todos saibam que falamos de duas espécies muito vulneráveis e que podem extinguir: o pescador artesanal e o boto pescador. Se um dos dois deixar de fazer este trabalho de cooperação, a pesca artesanal com auxílio dos botos morre”, destacou Wellington.

Mais informações sobre o projeto “Boto Parade Laguna” pelo e-mail botoparadelaguna@pescacombotos.art.br ou pelo site www.pescacombotos.art.br  onde também é possível ter acesso a um QRCode para informações. O telefone de contato é (48) 99999 - 9237.

Colaboração: Mídia Press