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Religião

Diocese de Criciúma

Santuário de Caravaggio celebra cinquentenário

02
OUT
2017
| 10h21
10h21
Redação Portal Engeplus
Jornalista | Portal Engeplus
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Bibiana Pignatel

Dois dias de celebração para ficar na história e no coração da comunidade de Caravaggio, em Nova Veneza. Com júbilo, na manhã desse domingo, dia 1º, o Santuário Diocesano Nossa Senhora de Caravaggio viveu um dos pontos altos de seu cinquentenário, com a missa em ação de graças presidida pelo Bispo da Diocese de Criciúma, Dom Jacinto Inacio Flach, e concelebrada por seu primeiro Bispo, Dom Paulo Antonio De Conto, além do Reitor, padre Valdemar Carminati, Freis Missionários Capuchinhos e demais padres da Diocese de Criciúma.

Pastorais e movimentos, religiosas, peregrinos, descendentes de colonizadores e benfeitores, familiares do saudoso Monsenhor Gregório Locks participaram da santa missa, que teve início às 9 horas, animada pelo Coro do Santuário.

A celebração eucarística teve a intenção de Dom Jacinto por todos os membros da comunidade de fé já falecidos e por todas as pessoas que dão continuidade à missão de servir o Santuário. “Certamente, a Mãe quer isto: que os filhos consigam, cada vez mais, acolher, escutar, servir e testemunhar o seu Filho, que é Jesus Cristo. Por isso ela disse, na festa das Bodas de Caná: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’. Esta sempre deve ser a nossa grande missão: de buscarmos, dentro de nossas limitações e fraquezas, permanecer seguindo seu Filho Jesus, da maneira mais coerente e fiel. O Santuário tem essa grande missão de nos ajudar a crescer neste caminho. Aí tem sentido celebrar 50 anos, desde que também cresçamos na fé e na nossa conversão, senão, estaríamos fazendo festa para nós e a festa tem que ser para a Igreja. Com certeza, lá no céu, hoje, todos aqueles que começaram, que acreditaram, lutaram e construíram esta história, estão participando desta festa com alegria, porque sua missão está continuando”, frisou Dom Jacinto no início de sua homilia.

Entre os sinais acolhidos, a primeira estampa

Durante a celebração, dezenas de membros da comunidade de Tenente, interior de Jacinto Machado, que guarda a estampa original de Nossa Senhora de Caravaggio trazida pelos imigrantes, adentraram ao templo, colocando-a em um tronco de madeira semelhante ao primeiro capitel que antecedeu as igrejas que hoje dão lugar ao Santuário. Dom Jacinto lembrou a fé em Maria que acompanhou os imigrantes ao atravessarem o oceano rumo a terras desconhecidas. “A história que fazemos na fé, no amor e na misericórdia é uma história que vai se eternizando, porque está ancorada em Deus e em Maria. Este quadro lembra que a nossa história é feita de sonhos, mas sobretudo, pela fé. A fé que nos faz fazer coisas que não têm explicação racional. Maria era a grande peregrina, ela caminhava ajudando os outros e a primeira grande lição que ela nos deixou foi quando visitou sua prima Isabel. Maria nos ensina a sermos missionários, a sermos peregrinos sempre em busca do Reino”, afirmou o Bispo.

Lugar para se refazer

Dom Jacinto recordou os diversos santuários e igrejas espalhados pelo mundo, construídos para reunir os filhos de Deus. “Este santuário bonito nos acolhe e acolhe tantas pessoas durante o ano. Esta é a expressão do Santuário: acolher peregrinos que vêm a este lugar para se refazerem um pouquinho da correria, do estresse, do cansaço do dia a dia. Nossas igrejas têm isso muito presente: elas têm de ser um certo hospital espiritual, uma farmácia de deus onde as pessoas – os filhos e filhas – sempre se renovam e encontram força e ânimo para suas vidas lá no trabalho, em sua família, na comunidade”.

Louvores e homenagens

Ao final da missa, o Reitor, padre Valdemar Carminati, agradeceu pela presença de todos e dedicou sua gratidão a todas as lideranças envolvidas nas celebrações e festividades do jubileu. O Bispo da Diocese de Montenegro (RS), Dom Paulo De Conto, que permaneceu por 10 anos a frente da Diocese de Criciúma, manifestou seu carinho pelo povo da Diocese, a quem dedicou sua gratidão e oração. Dom Paulo afirmou que este é o segundo santuário dedicado a Nossa Senhora de Caravaggio mais visitado em todo o Brasil, depois do Santuário de Farroupilha (RS).

Na celebração, onde os homenageados receberam a estampa da Padroeira em azulejos emoldurados, o seminarista natural da comunidade, Giliard Gava, que atualmente estuda em Roma, fez a leitura da Bênção Apostólica concedida pelo Papa Francisco a Padre Valdemar e a todos os fiéis do Santuário.

Ainda na presença do Coral Santa Cecília e do padre Fábio Fiori, ambos de Zapatta, Itália, a comunidade do Santuário celebrou a inauguração e bênção da réplica do primeiro capitel e da placa de homenagem ao primeiro reitor, Monsenhor Gregório Locks, que idealizou a administrou a construção do Santuário, inaugurado em 1967.

O primeiro milagre

Um dos momentos emocionantes da manhã contou com a presença e homenagem à senhora Josefina Milanez Spillere e à família de Amália Dalmolin Topanotti, cuja história ilustra uma das pinturas internas do Santuário. Em uma noite de 1949, dona Josefina, mais conhecida como Pina, acolheu em sua casa Amália e o esposo, que saíram de carro de bois da comunidade de Terceira Linha, rumo à igreja de Caravaggio. Desenganada pelos médicos e extremamente magra e fraca, Amália não conseguia andar e nem se alimentar sozinha. Dona Pina era quem guardava as chaves da igreja e era responsável por abri-la, quando chegasse qualquer devoto. Como já era tarde, na manhã seguinte, Pina acompanhou-os até a igreja. “O carro não subia na estradinha e o marido a pegou no colo e a levou até a igreja, na frente da gruta. Rezamos o terço. Ela disse: ‘A senhora reza e eu respondo’. Quando terminamos o terço, ela pediu um copo de água. O marido pediu para irem embora, mas ela pediu para esperar. Baixou a cabeça por cerca de cinco minutos e ficou rezando, olhou para a imagem de Nossa Senhora e se benzeu. O marido queria carregá-la e ela disse que não, que iria caminhar sozinha”, conta dona Pina, 91 anos.

Mesmo diante da insistência do marido, a mulher desceu a pequena colina caminhando, até a estrada. “Ela quis caminhar atrás do carro, até que consegui avistá-la, em uma curva, ela seguiu andando”, recorda dona Pina. Conforme a neta, Agmar Topanotti Zanette, Amália, que estava a três anos doente, depois de um parto difícil, faleceu com 87 anos, em 1994. “Para nós é uma emoção muito grande esse exemplo de fé, de devoção e desde que ela recebeu o milagre, ela nunca falhou a uma festa de Caravaggio. No início, a pé, depois de charrete e nos últimos anos de automóvel, porque nós a trazíamos. É algo inexplicável e muito emocionante”, destaca a neta. Os familiares de Amália participaram da missa levando também o quadro que a mulher curada pela intercessão de Nossa Senhora de Caravaggio mandou pintar após o milagre, diante do qual rezava o terço todos os dias.

Colaboração: Bibiana Pignatel / Comunicação Diocese de Criciúma

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