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Projeto sobre redução de gratificação de servidores: as justificativas dos votos

Projeto prevê a diminuição de 30% dos valores de gratificação de servidores da prefeitura
Projeto sobre redução de gratificação de servidores: as justificativas dos votos
Foto: Divulgação / Câmara de Criciúma
Por Rafaela Custódio Em 04/04/2020 às 21:41

Os vereadores de Criciúma votaram na tarde deste sábado, dia 4, em sessão extraordinária online, o PE 10/2020 de autoria do prefeito Clésio Salvaro. A matéria, que foi aprovada, trata da redução temporária de 30% das gratificações dos servidores públicos que têm direito ao benefício. 

Todos os 17 vereadores participaram da sessão, sendo que apenas o vereador Tita Belloli (PSDB) não votou porque é o presidente da Câmara e só vota apenas em caso de empate. Foram oito votos a favor do projeto, seis contra e duas abstenções. A reportagem do Portal Engeplus conversou com os parlamentares e traz a justificativa de cada um. Confira: 

Quem votou a favor? 

Geovana Benedet Zanette (PSDB): "Sou funcionária pública também. É difícil pra mim. A minha justificativa é uma redução apenas das gratificações, é difícil, mas estamos passando por crise humanitária. É um momento de sacrifício. Voto tranquila, pois é uma redução temporária. Sou servidora e tem que fazer esse gesto. Minha consciência está tranquila. Como ser humano não me vejo diferente. A intenção é não demitir ninguém. É um sacrifício de todos e que possamos passar por esse momento sem demissões. A Câmara de Vereadores também vai baixar seus salários".

Arleu da Silveira (PSDB): "O governo precisa fazer a retomada econômica. A equipe da Secretaria da Fazenda levou o projeto ao prefeito Clésio Salvaro para cortar as gratificações e não os salários. Todos terão um sacrifício para que não haja falta de pagamento e demissões. Será uma medida temporária. A Câmara de Vereadores também tem que fazer uma reflexão do repasse para que tudo isso passe e retomamos as atividades".

Valmir Dagostim (PP): "Não foi mexido no salários, e sim nas gratificações. A Câmara também fará seus cortes. É uma forma de contribuir para pandemia e temos que fazer o gesto. É uma pena que os dois projetos [da Câmara e do Executivo] não foram votados juntos". 

Os vereadores Aldinei João Potelecki (Republicanos), Salésio Lima (PSD), Moacir Dajori (PSDB), Antonio Manoel (PSDB) e Dailto Feuser (PSDB) votaram a favor ao projeto, porém não atenderam as ligações da reportagem do Portal Engeplus. 

Quem votou contra? 

Edson Luiz do Nascimento (PSL): "Tivemos uma reunião com o prefeito Clésio Salvaro [na última quinta-feira] e ele falou de alguns cortes e nos informou que mandaria para votação, mas o projeto me parecia que já estava pronto porque horas depois já estava na imprensa. Nós não tivemos tempo para discutir o projeto. Não podemos votar por partido, neste momento só temos um inimigo que é o coronavírus. É uma pena não podermos confiar no prefeito. As próximas reuniões com o Salvaro vou gravar. Na reunião não ficou decidido isso. Temos que mexer em cargos que possuem altos salários. Na próxima semana vamos votar o da Câmara e deveria ser os dois juntos".

Jair Augusto Alexandre (PP): "Sou favorável que se reduza. Mas não acho justo tirar de uma classe e não darmos nenhuma contribuição. Meu objetivo era adiar o projeto, mas fomos voto vencido. Queria um projeto de reduzir também os cargos dos salários e cada um entraria em uma contribuição. Não posso votar contra minha consciência, estamos apenas crucificando uma classe".

Ademir Honorato (MDB): "Na reunião de quinta-feira passada, [o prefeito] nos falou a pauta e fez a projeção dele. Contou que teria que fazer a redução e ele faria um planejamento para descontar dos funcionários e também dos parlamentares. Ia nos enviar um impacto financeiro o quanto ia ajudar a redução, porém não tivemos isso. Ele enviaria na segunda-feira, dia 6, mas uma hora depois da reunião já soltou na mídia. Ele tinha apalavrado com nós uma coisa e descumpriu. O prefeito não pode ter duas palavras. Nós queríamos fazer a nossa parte. Ele nos expõe contra o povo e contra os funcionários. O compromisso era fazer a redução em conjunto. O Salvaro não mostrou nada sobre os assessores. E os cargos de confiança?".

Júlio César Kaminski (PSL): "Na reunião que tivemos com o prefeito ele falou que mandaria na segunda-feira. Nós conversamos entre nós e vamos apresentar um projeto também do custo da Câmara. Me parece que ele já estava com o projeto pronto. Nós pedimos informações, nós queríamos discutir o projeto. Por que sacrificar mais o servidor? Por que não atingirá os comissionados? Não queremos demitir ninguém. É para ter um projeto que abrange todos. Sacrificar de novo o servidor? Não é inteligente. Tem muita pergunta sem resposta. Ainda pedi para o Salvaro não mandar no afogadilho para avaliarmos, porém, ele mandou. Não podemos classificar uma classe. Quer redução? Que seja de todos". 

Zairo José Casagrande (PDT): "A crise do coronavírus impõe sacrifícios em toda a sociedade e nós não vamos nos omitir e vamos dar nossa contribuição. Nosso gabinete já fez redução de custos desde o início do mandato e sempre apoiaremos iniciativas nesse sentido. É tempo de exercitar o diálogo, negociação entre as partes e sobretudo transparência. O projeto não apresentava nenhuma dessas características, não houve transparência, diálogo, nem negociação entre as partes. Sequer consta na justificativa do projeto o impacto da proposta, que recai somente nos servidores. Sou favorável as reduções por tempo determinado, mas, pela ordem, primeiro dos agentes políticos no Legislativo, no Executivo com seus cargos comissionados. Depois, que se faça um plano global de contenção de gastos, de cortes semelhantes a 2017 e nenhum novo contrato que aumente o endividamento do município no período. Por último, se necessário, a contribuição dos servidores, sendo negociado entre as partes. Por esses motivos, fui contrário ao projeto". 

O vereador José Paulo Ferrarezi (MDB) votou contra o projeto, mas não atendeu a ligação da reportagem do Portal Engeplus. 

Quem se absteve? 

Julio Colombo (PL): "Abstenção se deu por conta de um prazo maior e também por falta de informação. Eu me abstive da votação. Não tivemos os esclarecimentos e por essa razão a abstenção. Não entendi o motivo de tanta pressa, porque dois dias a mais não faria diferença. O subsídio dos professores não ficou bem esclarecido também. 

A vereadora Camila Nascimento também se absteve do voto, mas não atendeu a ligação da reportagem do Portal Engeplus.