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Jessé, Vampiro e Minotto são a favor da flexibilização de mais setores econômicos

Deputados participaram de reunião na Acic para debater o tema
Jessé, Vampiro e Minotto são a favor da flexibilização de mais setores econômicos
Por Lucas Renan Domingos Em 18/04/2020 às 16:40

Mesmo com a flexibilização para a retomada de algumas atividades econômicas, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, segue sendo pressionado. Acontece que apesar da liberação da retomada dos trabalhos em alguns setores, outros ainda não foram autorizados a voltar ao funcionamento. É o caso de restaurantes, academias, transporte público de pessoas, shoppings e comércios em galerias. Os profissionais desses segmentos têm exigido do Governo do Estado uma portaria que permita a abertura dos estabelecimentos e a circulação de transportes coletivos.

Em reunião nessa sexta-feira, dia 17, representantes dos setores estiveram reunidos na sede da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), levando o pedido para lideranças políticas da região Sul de Santa Catarina. Entre os que acompanharam o encontro, estavam os deputados estaduais Luiz Fernando Cardoso (MDB), o Vampiro, Jessé Lopes (PSL) e Rodrigo Minotto (PDT), que analisam as decisões do governador em relação a volta das atividades econômicas como incoerentes ao permitir o funcionamento de alguns serviços e o bloqueio de outros.

Jessé Lopes

O mais crítico deles é Jessé Lopes. O parlamentar vem tentando reverter as decisões de Moisés desde o início do isolamento social no Estado. Chegou a protocolar na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) uma proposta de sustação de ato, que revoga os decretos do governador. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alesc e segue tramitando na Casa. Ele defende a volta de todas as atividades econômicas.

“Não podemos fazer muita coisa efetivamente. Quem tem o poder da caneta na mão é o governador. Os prefeitos e vereadores não podem passar por cima dos decretos definidos pelo governador. Na Alesc estamos tentando algumas medidas. Nesta semana foi aprovado como essenciais os serviços das academias e o funcionamento das igrejas. Existe também a minha proposta de sustação de ato, que revoga o decreto do governador. O que podemos fazer, estamos fazendo.

O meu entendimento é que todos os setores deveriam voltar a funcionar. Desde escolas, transporte público, restaurantes. Todas essas atividades já poderiam ter sido flexibilizadas há muito tempo. Tenho falado isso. É incoerente e injusto o atual formato. Um exemplo: as autoescolas estão funcionando, mas o Detran não. O que adianta? Tem muita incoerência.

Falta o Estado entender que as pessoas têm as suas responsabilidades. Se você abrir um restaurante, é preciso que se haja responsabilidade que aquele senhor de 70, 80 anos não vá ao restaurante. E se ele for, a responsabilidade é dele e de quem tem cuidado com o idoso também.

O Estado tem que parar de pensar que é pai das pessoas. Precisa orientá-las e passar essa reponsabilidade para cada cidadão. Quem tem loja e acha importante não abrir, que não abra. Mas é preciso liberdade para aqueles que querem abrir.

Regras precisam ser colocadas e elas são da vigilância. Pode funcionar, mas tem que obedecer essas orientações. Ninguém está negligenciando medidas. Afinal de contas estamos aí combatendo um vírus que realmente existe. Não com toda a força que a mídia e as pessoas estão propagando, mas é real e precisa de cuidados.

Mas não podemos fazer as pessoas que fazem do comércio o seu sustento fechar suas portas. Não podemos achar que eles têm que ficar em casa. E vão tirar dinheiro de onde? Vão comer como? Não são só grandes empresários, que conseguem ficar dois meses com a loja fechada. Estamos falando de pessoas que corta o salário hoje e amanhã está passando fome, que é a grande maioria. Se o Estado não banca a despesa dessas pessoas, não pode mandar elas parar de trabalharem".

Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro

Na questão voltada para a liberação dos setores econômicos, Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro, está com a ideia alinhada com o que pensa Jessé Lopes. Ele, inclusive, faz parte da CCJ e foi um dos que aprovou o texto de sustação de atos do governador apresentado pelo colega deputado do Sul catarinense. O parlamentar é mais um a favor da retomada dos setores econômico,s desde que sigam as orientações sanitárias.

“A responsabilidade é integral do governador de editar os decretos que ele entende pertinente. O que está acontecendo são incoerências nas decisões. Para nós a curva já foi achatada. E a flexibilização de alguns comércios em detrimento de outros faz com que as pessoas fiquem frustradas. Você tem uma porta de um lado aberto e na outra você não pode exercer o seu direito de trabalho.

O que a gente quer é que, como o Estado flexibilizou e regulamentou o funcionamento de algumas atividades, que faça o mesmo com as outras, fazendo com que as atividades retornem obedecendo as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde). Por que você pode ir em um banco e não pode ir em um restaurante? Qual a diferenciação neste sentido? Pode ir em um salão de beleza, mas não ir em uma academia? Então essas questões elas precisam ser regulamentadas. É isso que vamos pedir ao governador.

É um clamor não só da região Sul de Santa Catarina. Estamos recebendo reclamações de todas as regiões do Estado de representantes dos setores de turismos, bares, restaurantes e academias. A forma que o governo tem adotado é que as demandas sejam protocoladas nos Coes (Centro de Operações de Emergência em Saúde), que edita as portarias que flexibilizam algumas atividades econômicas. É um grupo de inteligência da Saúde. [A liberação das atividades econômicas] será mais um documento que vamos protocolar lá”.

Rodrigo Minotto

Já Rodrigo Minotto avalia que as medidas que estão sendo tomadas pelo Governo de Santa Catarina estão surtindo o efeito esperado de controlar o número de vítimas da Covid-19. Analisa que o governador tem conseguido dialogar com a sociedade civil por meio da conversa com as entidades representativas dos setores econômicos. Ele acredita que nos próximos dias novas atividades devam ser liberadas e se diz a favor de ajustes nas flexibilizações autorizadas por Carlos Moisés.

“Tudo que é possível dentro da nossa competência, estamos fazendo. Tanto é que a Alesc tem demonstrado, de certa forma, celeridade nas decisões e deliberações das demandas apresentadas pelo Executivo e pelo próprio Legislativo, por meio de votações no plenário. Entretanto, sabemos que há um grupo que foi constituído pelo governo, que tem a represetanção da sociedade civil por meio da Fiesc, da Facisc, da Fecomércio, da FCDL, também com representação do Ministério Público Estadual, Federal e do Trabalho, além do Tribunal de Justiça, da Secretaria de Estado da Saúde e da Defesa Civil.

Dentro das informações técnicas e científicas que estão sendo feitas é possível avaliar quais setores econômicos podem retomar as atividades. Houve por parte do governo algumas flexibilizações de setores da nossa economia produtiva. Evidente que há outros que ainda possuem restrições, mas acredito que a partir da próxima semana poderá haver novos avanços, sempre pensando na vida, nas pessoas.

O nosso Estado de Santa Catarina, se fizermos uma avaliação nacional, nós estamos lá embaixo no índice de mortes por estados se compararmos proporcionalmente o número de habitantes. Se não tivesse sido tomada essas ações do governo, talvez essa estatística seria maior.

Quando eu preciso cuidar da minha saúde, eu procuro um médico. Quando preciso cuidar de assuntos jurídicos, eu procuro um advogado. Neste caso, temos que procurar informações de quem entende da ciência e do conhecimento de quem sabe como conviver com este tipo de epidemia. Eu sempre respeito as opiniões contrárias, mas respeito mais ainda aquelas opiniões que possuam dados científicos que demonstram que este seja, até então, o melhor caminho. Saúde é uma coisa, Economia é outra coisa. Cada um tem que cuidar da sua.

Eu concordo [em liberar mais setores]. É inadmissível que um supermercado esteja aberto e as lojas dentro da mesma estrutura estejam fechadas. É inadmissível galerias abertas em Criciúma e outras lojas de Criciúma que tem pouco movimento estejam fechadas. Acho que faltam alguns ajustes"