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Bancada do Sul comenta mudança no executivo e pede ‘maturidade política’ no processo de decisões

Daniela Reinehr assumiu de forma interina o governo do estado de Santa Catarina
Bancada do Sul comenta mudança no executivo e pede ‘maturidade política’ no processo de decisões
Foto: Maurício Vieira/Secom
Por Thiago Hockmüller Em 28/10/2020 às 15:32

A mudança de comando no governo do estado agitou os bastidores da política em Santa Catarina. Daniela Reinehr (sem partido) assumiu de forma interina o governo enquanto Carlos Moisés (PSL) responde ao processo de impeachment relacionado ao reajuste salarial dos procuradores.

Em entrevistas, a governadora demonstrou inclinação para retomar o diálogo entre governo e Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Também não descartou indicar deputados para o secretariado e disse definir juntos aos parlamentares o líder de governo na casa legislativa. 

O que dizem os parlamentares

O Portal Engeplus conversou com os deputados da bancada do Sul para saber as primeiras impressões dos parlamentares sobre a mudança no governo. Concederam entrevista Luiz Fernando Vampiro (MDB), Ada de Luca (MDB), Jessé Lopes (PSL) e Volnei Weber (MDB). Não ouvimos Rodrigo Minotto (PDT), que está licenciado do cargo porque concorre à prefeitura de Criciúma. Tentamos contato com os deputados Felipe Estevão (PSL), José Milton Scheffer (PP) e Julio Garcia (PSD), presidente da Alesc, mas não obtivemos sucesso. Entre os deputados federais, fomos atendidos pelo deputado Ricardo Guidi (PSD). Daniel Freitas (PSL) ainda não se manifestou enquanto Geovânia de Sá (PSDB) não atendeu a reportagem.

O deputado federal Ricardo Guidi disse que o julgamento no tribunal misto, que afastou Carlos Moisés e arquivou o processo contra Daniela, é democrático e previsto em lei. Ele afirmou que não há agenda de reuniões com a nova governadora e espera que o Sul receba atenção da nova gestão.

“Sempre se espera o melhor possível. O governador foi afastado provisoriamente. Espero que seja bem investigado. E se confirmar a suspeita, que seja afastado em definitivo. Espero que ela tenha o olhar voltado para a região Sul. Que as obras anunciadas ou começadas continuem. Que o Sul receba o melhor tratamento possível”, declarou.

Bancada do Sul quer diálogo

Entre os deputados da Assembleia Legislativa (Alesc), a principal expectativa é pela retomada do diálogo e maior participação na construção de políticas públicas. Para a deputada Ada de Lucca, o governo de Daniela precisar ter maturidade política, compreensão esta que faltou para Moisés na opinião da parlamentar.

“Se fosse ela, procuraria o diálogo. Temos uma pandemia aí de novo e temos que fazer um trabalho muito bem feito na área da saúde. E temos as crises institucionais. Ela tem que ter maturidade política. Com certeza faltou maturidade política (ao governador Moisés) e planejamento", disse. 

Pegar um governo não é brincar de casinha. Nosso estado não é grande, é pequeno e tem que ter uma visão política. Governar não é brincar, não é amadorismo, é uma coisa muito séria. Governar é uma questão de aparar as arestas, dialogar e conversar.

Ada de Lucca, deputada estadual
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Já o deputado Jessé Lopes tem expectativa que Daniela “rasgue os decretos do governador”, fazendo uma alusão às medidas de combate e prevenção ao novo coronavírus definidas pelo estado no decorrer da pandemia. “O estado tem que orientar as pessoas e não obrigar”, argumentou.

Tanto Lopes quanto Daniela mostram inclinação para com a linha ideológica do presidente Jair Bolsonaro. Mas o deputado afirma “estar vacinado" contra pessoas que se dizem ‘Bolsonaro’, levando também em consideração o rompimento de Carlos Moisés com a agenda bolsonarista. 

Ser ‘Bolsonaro’ não é só bater foto e dizer que é, tem que ter atitude. Não precisa conversar comigo, precisa mostrar trabalho. Entendo que os poderes são separados, independentes, mas quando os alinhamentos são convergentes é natural que se tenha bom relacionamento. Estou à disposição dela e espero que faça um bom trabalho.

Jessé Lopes, deputado estadual
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O deputado Vampiro também conversou com a reportagem (confira a matéria completa aqui) e desejou sorte ao novo governo. “Resultado de tribunal de julgamento não se questiona, se recorre se não está convencido. O resultado expressou a vontade dos julgadores. Temos que torcer para dar certo. Entendo desta maneira. Na interinidade ou na efetividade, que ela tenha sucesso”, declarou.

Ele também lembrou a abertura de diálogo de Bolsonaro com o Congresso Nacional para alertar a importância de construção conjunta das políticas públicas. "Faz parte do processo político. Não toma lá dá cá, mas conversas importantes para um conjunto de trabalho mais unificado. Santa Catarina não pode ficar 50% para esquerda e 50% para direita, tem que puxar para melhorar a posição de Santa Catarina no país”, avaliou.

Já Volnei Weber espera que os deputados sejam ouvidos pelo governo. Ele lembrou que são os parlamentares os conhecedores das necessidades regionais e afirmou estar à disposição de Daniela para contribuir pelo crescimento de Santa Catarina.

O que eu espero é um governo que tenha respeito com a Assembleia, que busque compartilhar os projetos com os deputados. Sempre trabalhei para ter sucesso na vida por meio do diálogo. Não é diferente na política, até para o governo entender as necessidades e prioridades das cidades e regiões. Somos nós deputados os representantes desse povo e levamos as reivindicações.

Volnei Weber, deputado estadual
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Weber também espera que o líder de governo de Daniela tenha boa articulação e abertura com o restante do parlamento. “Quando tive prefeito valorizei todos os vereadores, enrolei a bandeira partidária.  É preciso pensar no estado. Penso que o líder de governo é quem tem condição de fazer boa articulação com a Assembleia e lideranças políticas, com um bom convívio. Tem que observar muito bem (quem vai escolher)”, afirmou.

Ontem, a Alesc escolheu os cinco deputados que farão parte do Tribunal de Julgamento da segunda denúncia de impeachment contra Carlos Moisés. E Zé Milton Scheffer (PP) vai compor a comissão mista com outros cinco desembargadores. Os outros deputados são: Valdir Cobalchini (MDB), Fabiano da Luz (PT), Marcos Vieira (PSDB), e Laércio Schuster (PSB). Já a escolha dos desembargadores foi por meio de sorteio sendo formada a seguinte nominata: Luiz Zanelato, Sônia Maria Schmitz, Rosane Portella Wolff, Luiz Antônio Fornerolli e Roberto Lucas Pacheco. A primeira sessão está agendada para a próxima sexta-feira, dia 30, quando os membros definirão quem será o relator. 

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