InternetData CenterAssinante

Ativistas pedem cassação de mandato do deputado Jessé Lopes; parlamentar minimiza polêmica

Petição já ultrapassou 400 assinaturas e será encaminhada ao MP e Alesc
Ativistas pedem cassação de mandato do deputado Jessé Lopes; parlamentar minimiza polêmica
Foto: Luca Gebara/Agência AL
Por Thiago Hockmüller Em 27/05/2020 às 13:19

Uma petição online lançada na manhã desta quarta-feira, dia 27, já colheu cerca de 400 assinaturas corroborando com um pedido de cassação de mandato do deputado Estadual Jessé Lopes. O movimento é liderado pela ativista pelos direitos das mulheres, a dentista Giovana Mondardo, que entregará o documento ao Ministério Público (MP) e também à bancada feminina na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).

A justificativa para o pedido são as constantes polêmicas envolvendo o deputado. Segundo Giovana, são apelativas, radicais e incentivam a violência contra a mulher. Recentemente, Lopes mencionou no Twitter um suposto caso de gravidez envolvendo uma servidora do Estado e o governador Carlos Moisés, além do ex-secretário da Casa Civil, Douglas Borba. O deputado apagou a postagem, justificou dizendo que era apenas uma analogia ao “Caso dos Respiradores” e se desculpou com Moisés. 

Todavia, a polêmica repercutiu. Em um vídeo, o governador disse que tomaria as medidas cabíveis e repudiou a atitude do parlamentar. Outros deputados também se manifestaram, como Ada de Luca e o próprio presidente da Alesc, Julio Garcia, que emitiu uma nota sem citar o nome de Lopes

“Abrimos uma petição online para colher assinaturas de apoio. Está batendo em 400 assinaturas em duas horas de petição. Será levado ao Comitê de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia de Santa Catarina. Somos contra a exposição das mulheres que ele vem fazendo. Queremos uma mudança”, afirma Giovana.

Em janeiro, a própria bancada feminina já havia entregue à comissão e ao MP uma denúncia formal contra Lopes. Na ocasião, diante da campanha “Não é Não”, em combate ao assédio sexual no carnaval, o parlamentar se manifestou no Twitter questionando “quem, seja homem ou mulher, não gosta de ser assediado(a)?? Massageia o ego mesmo que não se tenha interesse na pessoa que tomou a atitude”, disse.

“No último carnaval ele fez manifestação dizendo que assédio era um direito da mulher e ficou por isso. A bancada entrou com um pedido, mas não foi para frente. Queremos uma mudança. Passou da hora dos deputados se comprometerem com o que está acontecendo. Isso incentiva a violência contra a mulher e precisa ser pautado”, alerta Giovana.

O contraponto de Jessé Lopes

Também em entrevista ao Portal Engeplus, Jessé Lopes minimizou o pedido de cassação e disse não conhecer o teor do documento. Todavia, citou que já se manifestou publicamente reconhecendo o erro e pedindo desculpas ao governador Carlos Moisés. Ele também disse não ter exposto a secretária, uma vez que não mencionou nome ou compartilhou áudios e fotos. 

“Eu não sei qual é o teor do pedido, mas vindo dela (Giovana) e desses movimentos não espero nada diferente. Já tivemos divergências por outros motivos. Com relação a menina (secretária), eu não tenho nada a ver com o fato da distribuição de fotos e nome. Isso já estava rolando antes da minha manifestação, onde não mencionei nome e fotos, não expus ela. Isso já estava rodando no WhatsApp e não repliquei esses materiais”, explica.

Lopes não se mostrou preocupado com o pedido de cassação de mandato. Até porque esta não é a primeira vez que é alvo de denúncia. “Já tem mais. O que mais me preocupou foi com o que me retratei. Vejo que errei ter me antecipado e comentado um boato. Eu mesmo retirei espontaneamente, me retratei e isso tem que valer. Essas questões feministas, não me importa nada e não vou pedir desculpa por uma opinião minha. A questão do governador extrapolei ter comentado um boato e os materiais não partiram de mim”, pondera. 

O documento, com assinaturas, deve ser entregue ainda hoje por Giovana ao Ministério Público. A meta é atingir até o final desta quarta-feira um total de mil assinaturas.