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“Não sou mãe Diná, não tem como saber”, diz sargento Lima sobre reaproximação entre governo e Alesc

Deputado conversou com a reportagem, após a votação que invadiu a madrugada de sábado
“Não sou mãe Diná, não tem como saber”, diz sargento Lima sobre reaproximação entre governo e Alesc
Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus
Por Thiago Hockmüller Em 26/10/2020 às 08:41

Um voto em especial agitou os bastidores do julgamento que afastou o governador Carlos Moisés (PSL) e tornou a vice Daniela Reinehr (sem partido) a primeira governadora mulher de Santa Catarina. O deputado do PSL, sargento Lima, foi único a dividir o voto acolhendo a denúncia contra Moisés e manifestando pela não admissibilidade em relação à vice. O processo é relativo ao reajuste salarial dos procuradores, após representação do defensor público Ralf Zimmer Junior. 

O voto de Lima gerou dúvidas nos bastidores. Em dois momentos chegou a ser ventilado que não haveria legalidade na divisão do voto e desta forma ele teria que proferir a mesma decisão para ambos os denunciados. Isto quer dizer que a votação seria encerrada sem a necessidade do voto de minerva do presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), desembargador Ricardo Roesler. Se a decisão fosse pelo acolhimento da denúncia, governador e vice seriam afastados. Do contrário, o processo seria arquivado.


Sorriso maroto: voto do sargento Lima foi decisivo para a mudança de mãos do poder executivo. (foto: Thiago Hockmüller)

"Quem manda no meu voto sou eu"

No final a decisão do deputado sargento Lima valeu e a sequência de votação definiu o afastamento de Moisés e tornou Daniela (foto) governadora interina do estado catarinense. Após a tensa reta final de julgamento, o deputado conversou com a reportagem do Portal Engeplus e falou sobre a decisão que foi providencial para mudar de mãos o poder executivo.

“Eu tenho meu voto bem balizado, os deputados votaram neles mesmos, não em mim. Quem manda no meu voto sou eu e assim vou tocar meu mandato”, argumentou.

Questionado sobre uma reaproximação entre executivo e legislativo, já que há um rompimento de Moisés com a base do PSL e o restante dos deputados, ele afirmou que com Daniela espera o retorno do diálogo entre Alesc e a Casa d'Agronômica. Todavia, deixou claro que esse será um processo a ser construído.
 

Não sou mãe diná, não sou pai de santo, não tem como saber (se ela retomará a base e o relacionamento com a Alesc). A intenção é que seja essa. Uma boa escola ela já teve sobre o que não se fazer. Agora é hora de arregaçar a manga e trabalhar. 

deputado sargento Lima (PSL)
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Em um dos focos de entrevistas que a governadora participou, ela comentou o voto que possibilitou uma decisão distinta em relação à Moisés, com quem não há um clima amistoso. “Muita gratidão, fiquei muito feliz, foi o voto determinante e tenho muito a agradecer ao deputado sargento Lima. Ele tem uma identidade de posicionamento, mas especialmente com cumprimento da justiça. Certamente (será uma grande aliado do governo)”, projetou.


Deputado e governadora se cumprimentaram, após a votação histórica do tribunal misto. (foto: Maurício Vieira/Secom)

“Não é salvar a vice-governadora. É ajudar SC”

Na entrevista ao Portal Engeplus, o deputado sargento Lima também não escondeu a frustração com Carlos Moisés. A mudança de postura do governador em relação à agenda bolsonarista é um dos grandes motivos dele ter perdido a base. Além do mais, durante a leitura de seus votos, os deputados acusaram Moisés de desrespeito com a Alesc.

Durante a argumentação, Lima chamou o governador de omisso, fraco e displicente. Defendeu Daniela afirmando que ela foi vítima de blindagem por parte do governador e de uma desconstrução política. “Como gosto de parafrasear meu presidente (Jair Bolsonaro), (Moisés) é um canalha. Essa desconstrução em torno dela é política", reclamou.

Após a votação, refletiu sobre as medidas adotadas pelo governo para combater a pandemia do novo coronavírus. “Na verdade não é salvar a vice-governadora. É ajudar salvar Santa Catarina. Um dia você pode ir para escola, outro dia você não pode. No outro dia você pode ir de ônibus, no outro dia não pode, estamos em uma sucessão de abre e fecha comércio, uma sucessão de abre e fecha empresa. Agora, inclusive, tem empresas acionando municípios, e os municípios acionando o Governo do Estado com relação a perdas de empresas de transporte. Onde isso vai parar?”, questionou.


Votação na Alesc iniciou na manhã de sexta-fera e entrou na madrugada de sábado. (foto: Maurício Vieira/Secom)

Pedido para a governadora

Além do processo sobre o aumento dos procuradores, Moisés também enfrentará o tribunal no segundo processo de impeachment, este referente ao caso dos 200 respiradores adquiridos junto à empresa Veigamed, à tentativa da contratação do hospital de campanha de Itajaí, entre outras supostas irregularidades. O processo já está no TJSC e ele foi notificado pessoalmente na última quinta-feira, dia 22. “Nos últimos três meses não se discutiu nessa casa, não se mostrou nada na imprensa a não ser o impeachment do governador. Tem uma hora que teremos que parar com isso e retomar o trabalho. O único pedido que fiz para a governadora foi esse: parar de se preocupar um pouco em permanecer no governo, que é o que ele (Moisés) tem feito nos últimos quatro meses, isso é público e notório. E começar a se preocupar em o que fazer por Santa Catarina daqui para frente”, analisou.

Ainda na sessão, Daniela assinou a notificação gerada pelo presidente do TJSC para assumir o Governo do Estado, todavia, a tramitação deve ser concluída apenas na terça-feira, dia 27. Já Moisés será intimado do resultado nesta segunda-feira e se afastará do cargo por 180 dias, além de perder um terço dos vencimentos. Em caso de absolvição no processo de impeachment, o valor deduzido será restituído.