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Confira a repercussão em Santa Catarina após o pedido de demissão do ex-ministro Sergio Moro

Parlamentares conversaram com a reportagem do Portal Engeplus e comentaram a saída de Moro
Confira a repercussão em Santa Catarina após o pedido de demissão do ex-ministro Sergio Moro
Foto: Isaac Amorim/MJSP
Por Thiago Hockmüller Em 24/04/2020 às 15:37

A saída de Sergio Moro do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública reverberou também em Santa Catarina. O governador Carlos Moisés lamentou a baixa do ex-juiz dizendo ainda que ele seria bem-vindo no Estado. Por outro lado, políticos aliados ao presidente Jair Bolsonaro preferiram não se manifestar. Casos do deputado Federal Daniel Freitas, que só emitirá opinião “após a oficialização”, e do deputado Estadual Jessé Lopes, que ainda está se “informando sobre o caso e não possui um posicionamento”.

O Portal Engeplus também tentou contato com a deputada Federal, Geovânia de Sá. A assessoria de imprensa informou que ela cumpre agenda no Oeste do Estado, mas no Instagram a parlamentar comentou a saída de Moro. “Somos gratos por todo o trabalho prestado a nossa nação. Moro tem todo o nosso respeito e prestígio”, afirmou.

Já o deputado Federal Ricardo Guidi disse à reportagem que Moro é um ícone do combate à corrupção e que é preciso investigar as acusações de que Bolsonaro estaria tentando acessar documentos sigilosos da Polícia Federal e obter informações sobre investigações. “Ainda não vi a repercussão (no Congresso Federal), estava envolvido em outros compromissos. Isso tem que ser investigado, é grave e não pode acontecer. É algo preocupante”, lamentou. 

Entenda

Em coletiva na manhã desta sexta-feira, Sergio Moro anunciou o pedido de demissão de seu cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública ao Governo Federal. Ele se tornou o oitavo ministro a deixar o governo e justificou a decisão após a exoneração de Maurício Valeixo do comando da Polícia Federal.

Durante um longo pronunciamento, e polêmico, ele deixou claro que a substituição de Valeixo atenderia uma interferência política de Bolsonaro, inclusive, para acessar informações sigilosas e colher relatórios de inteligência da Polícia Federal. "O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente. E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”, disse o ex-ministro.

 

Imaginem se durante a própria Lava Jato, ministro, diretor-geral, presidente, a então presidente Dilma, o ex-presidente, ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações sobre as investigações em andamento?

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro
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Além do mais, Moro também explicou que contornaria a situação para não criar uma crise política em meio aos esforços de combate à epidemia do novo coronavírus. Todavia, a situação ficou insustentável com a publicação da exoneração sem o seu consentimento, mas com a utilização de sua assinatura no Diário Oficial da União. "Eu não assinei esse decreto e em nenhum momento o diretor da PF apresentou um pedido oficial de exoneração", disse. 

A oficialização da saída de Sergio Moro deve acontecer ainda nesta sexta-feira. O presidente Jair Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o caso. Confira abaixo a repercussão em Santa Catarina e o que disseram** os deputados estaduais da bancada do Sul.

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O que eles dizem

Os Brasileiros perdem com a saída de Sergio Moro. Moro é sinônimo de luta contra a corrupção, condição essencial para a construção de um Brasil melhor. Lamento. Seu trabalho sempre foi correto e ético. Agradeço as parcerias com Santa Catarina. Será bem vindo aqui.

Carlos Moisés, governador de Santa Catarina
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O Brasil perde muito com a saída de Sergio Moro do governo. Ele é um ícone do combate à corrupção em nosso país. Vejo com muita preocupação, esperamos que seja substituído à altura com alguém comprometido com o combate à corrupção. Ele vinha fazendo um bom trabalho.

Ricardo Guidi, deputado Federal
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O ministro é uma referência ao combate à corrupção. Não tinha vinculação política e renunciou ao cargo de juiz por essa bandeira. É uma perda expressiva para o país e para o presidente Bolsonaro. Moro é um símbolo de homem austero, é um prejuízo para nós brasileiros. O presidente terá que fazer a recuperação imediata da imagem, pois as colocações foram fortes. Ele precisa convidar uma pessoa a altura do Sergio Moro, que toque com imparcialidade essas instituições. 

Luiz Fernando Cardoso (Vampiro), deputado Estadual
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Fiquei sabendo agora. Estava em uma agenda e não acompanhei as redes sociais. Eu não me informei sobre o assunto. Tenho que esperar o que o Bolsonaro tem a dizer e entender os dois lados. Lamento porque gosto muito do Moro, mas prefiro não me manifestar até ter um posicionamento.

Jessé Lopes, deputado Estadual
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Tem que ter um motivo para substituir, uma falha grave ou uma insuficiência... Não tinha motivo e o Sergio Moro agiu de forma correta. Se ele é o ministro e não pode contar com a equipe que vai trabalhar na direção que ele quer caminhar, fica difícil. Tem que respeitar a hierarquia, mas a decisão dele é acertada. Cada um vai responder por seus atos e suas ações. Bolsonaro é inteligente o suficiente para saber até onde pode intervir como presidente. Penso que passou dos limites. Entendo que a polícia tem que ter a sua autonomia com todos os critérios para realizar um bom trabalho. O presidente acabou avançando o sinal vermelho. O Brasil perde com isso porque o Moro vinha fazendo um ótimo trabalho. Deixo meus parabéns para ele.

Volnei Webber - deputado Estadual
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O governo perde uma liderança importante e com isso demonstra a fraqueza que Bolsonaro está tendo no comando do país. É uma instabilidade que causa prejuízo à nação e não é diferente em nosso Estado. Diante da pandemia que estamos vivendo, a crise na saúde pública e agora uma crise institucional e política instaurada pelo próprio presidente. São declarações fortes e comprometedoras. Ele quis e quer interferir no comando da PF e no Ministério da Justiça. Logo vai aparecer o 19° pedido de impeachment contra o atual presidente tendo como testemunha principal o ex-ministro de Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. 

Rodrigo Minotto, deputado Estadual
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Pegou todos de surpresa. Estão todos em estado de choque. O ministro Moro não é criança, sabe muito bem o que fez. A minha grande revolta não é o que Bolsonaro fez ou quem vai entrar, mas por ter acontecido em uma hora de crise, que estamos perdendo vários brasileiros. Eu fiquei triste com o contexto todo. Estou fazendo o que posso fazer pela vida. É muito triste, vou esperar o pronunciamento do presidente. 

Ada De Luca, deputada Estadual
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É um assunto que nos pegou de surpresa. Fico triste, tenho admiração pelo Sergio Moro pelo trabalho que fez como juiz. Sabemos que o Moro é candidatíssimo à presidência em 2022. A esquerda está fragilizada e são os dois caras que vão dividir a centro-direita no futuro. Moro sai com grandes chances, é um candidato fortíssimo. A muito tempo ele vinha impondo condições, viu a brecha de sair e lançar a campanha dele. Isso faz parte do processo democrático. Será um grande líder de centro-direita, eu particularmente ficaria dividido. Queremos ver o Brasil bem.

Felipe Estevão, deputado Estadual
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**O Portal Engeplus também entrou em contato com os deputados estaduais, Julio Garcia e José Milton Scheffer, mas não obteve sucesso.