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Jessé Lopes rebate Moisés: 'por falta de alinhamento com o partido, quem tem que ser expulso é ele'

Coluna Bastidores afirma que governador pediu a exclusão do deputado no quadro do PSL
Jessé Lopes rebate Moisés: 'por falta de alinhamento com o partido, quem tem que ser expulso é ele'
Foto: Reprodução/Coluna Bastidores
Por Thiago Hockmüller Em 21/08/2019 às 15:49

As divergências políticas entre o governador Carlos Moisés e o deputado estadual Jessé Lopes podem trazer resultados extremos para o Partido Social Liberal (PSL) de Santa Catarina. Conforme a coluna Bastidores, assinada pelo jornalista João Paulo Messer, o governador já ameaça sugerir a exclusão do deputado no quadro do partido.

O motivo? Lopes retirou da parede do seu gabinete um quadro com a foto do líder do executivo. O ato ocorreu em forma de protesto ao aumento da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 17% sobre os defensivos agrícolas.

Em entrevista para o Portal Engeplus, o deputado disse não ter recebido algum pronunciamento oficial do partido. Ele também rebate o aumento do ICMS, medida que, segundo Lopes, reduzirá a produção no campo. “De benefício para o governo, o aumento não tem nada. As pessoas vão comprar agrotóxico fora do Estado, vai diminuir a produção, ganhar antipatia com os agrícolas e destoa das ideologias do PSL pelo fato de aumentar impostos”, argumenta.

Eu estou me pronunciando pouco porque não tive nada oficial, só especulações. Ninguém me procurou. Se existir a expulsão por falta de alinhamento com o partido, quem tem que ser expulso é o governador.

Deputado Estadual, Jessé Lopes
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Após a retirada do quadro e a especulação da possível exclusão do partido, Lopes afirmou estar aberto para conversar com Carlos Moisés. Explicou ainda que é o único deputado que possui o quadro do governador e que deseja permanecer no PSL. “A questão do quadro, que foi a cartada do governador, acho inadequado. Ele tem meu telefone, poderia me ligar. Quando coloquei o quadro ele não me ligou e agora que decidi tirar temporariamente, por alguns posicionamentos dele que são contrários ao que o PSL defende, ele fica chateado. Poderia vir aqui, nós conversaríamos e poderíamos fazer uma foto colocando o quadro na parede. O governador é vaidoso, não gosta de voltar atrás, mas estou aberto a conversas. Quero ficar no PSL e vou lutar por isso. Se quiser conversar comigo, estou aberto. Jamais vou deixar de ser quem eu sou. Tenho tranquilidade”, afirma.

Entenda o caso

Incentivo fiscal para agrotóxicos em Santa Catarina existia desde 2001. Ainda no final do ano passado, o ex-governador de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira (MDB), assinou o decreto 1.866 revogando a isenção do ICMS para insumos agrícolas. No entanto, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou uma lei revogando as isenções até o último dia 31 de julho, data que a taxação subiu para 17%.

No dia 7 de agosto, a Alesc aprovou um novo projeto prorrogando a isenção até o final de agosto, matéria que ainda aguarda a sanção ou veto do governador. Aliás, em entrevista para a Folha de São Paulo, no último dia 14, Moisés defendeu a taxação. “É comprovado que causam problemas de saúde e doenças. Aplicar isenção sobre agrotóxico é uma excrescência política, jurídica, é uma irresponsabilidade de gestão. Qualquer pessoa que raciocine um pouco, que saia do padrão mediano, vai entender que não se pode incentivar o uso”, argumentou.

Reunião acontece amanhã

Nesta quinta-feira, líderes do setor agrícola participam de uma reunião com o governador, na Casa da Agronômica, em uma tentativa de sensibilizar o chefe do executivo. A intenção é que ele revogue o aumento da alíquota.

Devem participar os presidentes da Federação da Agricultura e Pecuária de SC (Faesc), José Zeferino Pedroso, da Organização das Cooperativas de SC (Ocesc), Luiz Vicente Susin, além do presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro), Cláudio Post, e o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura, José Walter Dresch.

O Portal Engeplus tentou contato com o governador Carlos Moisés, mas não obteve sucesso.