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Conheça Martinho Mrotskoski, treinador que luta para colocar o handebol no DNA de Criciúma

Profissional trabalha desde 1997 para formar jogadores e projetar a modalidade
Conheça Martinho Mrotskoski, treinador que luta para colocar o handebol no DNA de Criciúma
Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus
Por Thiago Hockmüller Em 01/10/2021 às 17:23

Desde 2001, Criciúma conta com um verdadeiro defensor do handebol que contribuiu para a expansão e desenvolvimento da modalidade no município. Este é Martinho Mrotskoski, professor de educação física formado pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), pós graduado em gestão escolar, treinador de handebol capacitado com diversos cursos da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) e personagem de hoje do quadro Personalidade do Sul.

Para entender o processo que levou Mrotskoski a tamanha relevância na modalidade, é preciso voltar no final da década de 90, quando ele iniciou a trajetória em Içara. Em 2001, assumiu o handebol na Satc, onde permaneceu até 2020. Lá, ajudou no desenvolvimento das categorias sub-12, 14, 16, 18 e adulto. Também participou de um vitorioso projeto de handebol para cadeirantes e levou a modalidade para as areias. 

“Vencemos vários estaduais e Jogos Escolares de Santa Catarina (Jesc). É uma carreira consolidada em Criciúma, então é uma história de sucesso. Se tu olhar como profissional e pessoal, eu já conquistei tudo que tinha para conquistar. Mas se olhar pelo lado de competição e de ajudar as pessoas, ainda falta a gente fazer mais jogadores, mais atletas, mais profissionais, mais médicos, mais professores, mais auxiliares. A ideia é massificar a modalidade e ajudar o esporte como um todo”, reflete o treinador.

Em 2009, ele assumiu a equipe de handebol da Fundação Municipal de Esportes (FME). Revolucionou a modalidade, venceu Joguinhos Abertos, Olimpíada Estudantil Catarinense (Olesc) e estaduais. Também contribuiu para o desenvolvimento de projetos como o Mini-Handebol. Recentemente, Criciúma foi eleita pela CBHb como um dos pólos nacionais do Mini-Handebol, voltado à introdução do esporte para crianças de 5 a 10 anos, com brincadeiras lúdicas. E Mrotskoski recebeu o devido reconhecimento sendo eleito embaixador do projeto em Santa Catarina.

“Eu só vejo boas perspectivas, vejo apoio do município, da FME, vejo projetos saindo do papel, equipes se organizando, os técnicos estudando e se qualificando, as crianças cada vez mais inteligentes para o jogo e para a vida.  Esta relação do handebol para crianças de 5 a 10 anos está massificando e a gente vê uma perspectiva muito boa, mas é uma sementinha”, afirma. 

A pandemia prejudicou bastante, mas Criciúma tem uma visão muito boa para o esporte. Talvez precise de algumas políticas públicas mais voltadas para o alto rendimento, não só para o social, que está legal, é preciso ver a questão do alto rendimento. Eu acho que as últimas gestões da Fundação deram passos importantes para esse caminho, estamos contentes, mas o caminho é longo e o poder público faz a sua parte. As empresas deveriam investir um pouco mais. Hoje o handebol é muito vitorioso nos dois naipes. O esporte amador de Criciúma é mais profissional que os próprios profissionais.

Martinho Mrotskoski, treinador de handebol
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Parceria com a FME rendeu bons frutos para o handebol carvoeiro. (Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus)

Investimento privado

As universidades e as escolas particulares deveriam investir mais no jovem. No Brasil só o poder público que investe. Eu acho que falta esse feeling, se bem que Criciúma tem uma universidade que apoia bastante o handebol masculino e estamos contentes. Tem coisas que são devagar, são degraus que vamos conquistando. Quando o esporte vai bem, as demais áreas vão bem também. 

Martinho Mrotskoski, treinador de handebol
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A história de sucesso de Martinho Mrotskoski também faz ele refletir sobre o futuro da modalidade. Hoje, além das categorias de base, ele também trabalha com uma equipe adulta da Associação Desportiva de Handebol de Criciúma (ADHC). Os atletas normalmente são pagos com bolsas de estudo. Para o treinador, o poder público garante o investimento necessário para o desenvolvimento do esporte a nível amador, todavia, é a iniciativa privada que deve fomentar o esporte profissional. 

"A gente vê coisas boas. Talvez falte uma grande empresa, um grande patrocinador para dar um salto para onde queremos chegar. Já demorou porque Criciúma tem o DNA para o handebol. Nosso país é do futebol, é muito mais fácil para o futsal e para o futebol de campo. Para handebol, vôlei e basquete o trabalho é mais lento. Mas tenho certeza que vamos chegar neste nível”, projeta. 

Handebol para cadeirantes pode voltar

O crescimento da modalidade em Criciúma pode ser ilustrado com o número de jovens atletas convocados para as categorias de base da Seleção Brasileira. Nos últimos dez anos, foram 12 convocados, muitos destes seguem buscando nível de excelência no esporte e competindo. Criciúma também é considerada uma das principais forças do Estado e sempre competindo em igualdade com Joinville, Blumenau, Itajaí e Florianópolis.

Já o projeto de handebol para cadeirantes está parado desde 2019. Depois veio a pandemia em 2020 e ficou inviável manter a perspectiva de reativar o programa. Todavia, agora a história pode ser diferente. O treinador explica que existe uma instituição interessada e o projeto pode ressurgir com uma nova roupagem. “Temos conversas com outra instituição, com outra universidade e as portas estão abertas. Quem sabe voltamos com outro projeto, com uma nova roupagem, talvez com uma idade mais baixa, para atingir adolescentes", argumenta.


Handebol
para cadeirantes foi um dos projetos de sucesso da modalidade. (foto: Divulgação)

Mais que atletas

Mrotskoski conta com orgulho a história que construiu no esporte. Lembra de diversos moleques que cresceram praticando a modalidade, ganharam bolsas, uma formação, e hoje estão integrados ao mercado de trabalho. 

“Trabalhamos na base pensando no futuro em ser um atleta, mas também formando um bom homem para a sociedade, que sabe pensar, discernir, dialogar, que entende o seu processo dentro da sociedade. Não importa o troféu e ganhar medalha. A foto que vejo é: esse cara virou engenheiro, advogado, dentista, médico, professor. O troféu esquece, empoeira e some, mas isso é o que fica", explica.

Interessados em conhecer os projetos de handebol podem buscar mais informações na Fundação Municipal de Esportes de Criciúma. Também é possível obter detalhes sobre as escolinhas de handebol, destinadas para crianças de 8 a 12 anos. Atualmente são três na cidade, mas existe projeto para chegar a oito. 

Também estão disponíveis treinamentos mantidos no ginásio da FME, para idades de 14 a 35 anos.