InternetData CenterAssinante

Silvia Zanette: uma vida dedicada ao Bairro da Juventude e ao voluntariado

Ela atua há quase 40 anos na instituição e não se vê longe da entidade
Silvia Zanette: uma vida dedicada ao Bairro da Juventude e ao voluntariado
Foto: Rafaela Custódio / Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 05/12/2019 às 08:18

Uma pessoa melhor. Assim se define Silvia Zanette, de 65 anos, ao falar de sua trajetória no Bairro da Juventude. Ela completará 40 anos de instituição em março de 2020 e afirma que entidade lhe mudou para melhor. Atualmente, é diretora executiva e não se vê longe das 1,5 mil crianças que frequentam a fundação.

Formada em Engenharia Agronômica, Sílvia chegou ao Bairro aos 25 anos como voluntária e não saiu mais. Uma parente lhe apresentou a instituição. “Nasci em Criciúma, mas minha faculdade fiz no Rio Grande do Sul. Quando voltei para a cidade carbonífera, comecei a procurar emprego e uma parente me apresentou o Bairro da Juventude. Eu comecei a fazer voluntariado, mas me apaixonei e, quando percebi, já estava 100% envolvida e de lá nunca mais saí”, lembra. “Trabalhei na Unesc como professora de zoologia, no curso de Biologia. Atuei 12 anos na instituição de ensino, mas nunca abandonei o Bairro, nunca consegui, pois desde que entrei pela primeira vez na instituição, me encontrei e sabia que ali era meu lugar”, acrescenta. 

Sílvia começou atuando como voluntária atendendo as famílias nos bairros e, após ter conhecimento no trabalho, foi efetivada. “Irei completar 40 anos de instituição. O Bairro mudou muito, muito mesmo. Mas uma coisa a entidade não mudou e não mudará que é na essência. Desde que entrei, a essência do Bairro é a mesma e é isso que me impressiona e me deixa apaixonada”, descreve. 

Muito além de um trabalho 

Sílvia faz parte da história do Bairro de Juventude e a instituição da história de toda família dela. Mãe de dois homens, Daniel e André, e avó de quatro netos, ela comenta que sua família sempre apoiou sua trajetória. “Sou casada há 40 anos. Meu marido Gilson sempre me apoiou e também sempre esteve envolvido com o Bairro. Meus filhos cresceram comigo trabalhando no Bairro, assim como meus netos. Não tenho como fugir disso”, afirma. “Não posso dizer que não deixei minha família pelo Bairro porque algumas vezes deixei. Mas sempre digo que quantidade não é qualidade. Todas as vezes que estive com minha família, me dediquei ao máximo a eles e busquei estar de corpo e alma nos momentos especiais”, completa. 

Muitas mudanças aconteceram nesses quase 40 anos de instituição, porém, Sílvia lembra que o Bairro passou por diversas fases difíceis, e em todas ela sempre teve o apoio dos funcionários e sociedade. “Costumo dizer que o Bairro não faz caridade e nunca vamos fazer. Nós temos potencial para mudar vidas, para trazer oportunidades, mas para fazer caridade, não. Nós queremos pensar diferente, fazer com que nossos alunos tenham personalidade e, principalmente, que possam fazer a diferença na sociedade e, por isso, buscando dar o melhor a eles. Nós lutamos por direitos, dignidade e mostrar para os alunos que eles podem”, declara. 

Atualmente, o Bairro da Juventude atende 1,5 mil crianças diariamente. São cinco mil refeições diárias. A instituição completou 70 anos em 2019. “O Bairro não é meu, não é seu, não é de ninguém, é público. O Bairro serve para mudar vidas e é por isso que todos que trabalham lá buscam o seu melhor todos os dias. Todo dia saio da entidade com a visão de que cumpri minha missão e que voltarei no outro dia com mais uma missão. Mas nem sempre foi assim. Lógico que já levei trabalho para casa, já fiquei sem dormir, fiquei ansiosa. Porém, com o tempo você aprende e eu aprendo todos os dias a lidar com os problemas e buscar soluções”, comenta. 

“Nunca pensei em desistir. Isso nunca passou na minha cabeça. O Bairro sempre me trouxe alegrias”.
Silvia Zanette
------------------------------------

Problemas? Quem não tem? 

Sílvia explica que vários momentos a instituição apresentou dificuldades, mas que sempre tentou ajudar. “Já chorei muito. Já foram muitos desafios, mas nunca, nunca mesmo, paramos no caminho. A vontade de vencer e de ver uma criança feliz sempre foi maior do que uma pedra no caminho. E assim sempre será”, pontua. 

A diretora executiva relata que se tornou uma pessoa melhor após conhecer o Bairro. “Sou uma nova pessoa. Com certeza, eu seria uma mulher pior se não conhecesse o Bairro. Eu melhorei como ser humano e minha trajetória já vale a pena por isso”. 

Mudando pessoas, transformando vidas 

A profissional, que tem quase 40 anos de casa, avalia o Bairro da Juventude como um local que oferece oportunidades. “O talento é das crianças. Nós despertamos o talento, mas a sabedoria de aprender é deles, das crianças. Somos desafiados todos os dias na instituição e isso faz com que cresçamos”, observa. 

“Hoje preciso mais do Bairro da Juventude do que ele de mim”.
Silvia Zanette 
------------------------------------

Com quase quatro décadas de história no Bairro, Sílvia já presenciou muitos casos e, claro, que diversos marcaram sua vida. “Não posso citar um momento. Mas posso citar que alguns acontecimentos nunca, nunca mesmo, serão esquecidos. Você sabe o que é uma criança dizer que passa fome? Tens noção do que é isso? Você sentir fome é uma coisa, você passar fome é completamente diferente. Ninguém, ninguém deveria passar por isso. É injusto, é algo muito triste. Isso me chateia e me marca muito quando escuto de um pequeno essa frase”, afirma. “Além da fome das crianças, outros relatos também me marcaram, como de crianças que são violentadas sexualmente, crianças que apanham. Isso mexe comigo e me chateia muito”, completa. 

Sílvia conta que os funcionários do Bairro são muito profissionais e isso ajuda muito no trabalho. “Quando eu caio, alguém me levanta e assim sucessivamente. Isso é muito importante. Não são todos os dias que consigo aguentar os problemas, mas sempre tem alguém para me estender a mão”, garante. 

Futuro 

Falar de futuro e não falar de Sílvia no Bairro da Juventude é algo que não combina, mas ela garante que seu ciclo chegará ao fim. “É difícil dizer que vou sair hoje, amanhã ou daqui 20 anos. Estou caminhando, trabalhando e buscando o melhor para a instituição e para as crianças. O importante é que quem continuar no Bairro, continue buscando o melhor. O planejamento da entidade é sensacional e muitos profissionais trabalham para dar certo”, conta. 

O Bairro da Juventude possui 16 mil metros quadrados e, para Sílvia, cada centímetro da instituição foi sonhado. “Todos os nossos sonhos foram buscados e os sonhos não chegam ao fim. Por isso os novos planejamentos”.

“O Bairro é um filho para mim e convenhamos ninguém quer largar um filho, né? Assim é comigo”.
Silvia Zanette
------------------------------------

Quer conhecer o Bairro da Juventude e também a Sílvia? Faça uma visita a instituição que está localizada na rua Cônego Aníbal Maria Di Francia, n: 1483, bairro Pinheirinho, em Criciúma. Confira o site e as redes sociais (Instagram e Facebook).

O Bairro da Juventude oferece:

EDUCAÇÃO – Aproximadamente 950 crianças e adolescentes têm acesso ao ensino integral.

OPORTUNIDADE - Por ano, 540 jovens são direcionados ao mercado de trabalho.

SEGURANÇA - O transporte dos alunos é feito por três ônibus que percorrem mais de 80 bairros de Criciúma e municípios vizinhos.

ALIMENTAÇÃO - Quatro refeições diárias e o acompanhamento de nutricionistas garantem uma alimentação saudável e balanceada a todas as crianças e jovens.

SAÚDE - Por ano, o Bairro da Juventude realiza mais de três mil atendimentos na área médica e de enfermaria, e quase dois mil atendimentos odontológicos.

ESPORTE, LAZER E CULTURA - Os momentos de descontração, movimento e criatividade são garantidos através das Atividades Esportivas, Culturais e Laboratórios Educativos.