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Opinião

Dez razões para pleitear o ensino universitário público em Criciúma e região

02
MAR
2017
| 11h00
11h00
Redação
Jornalista | Portal Engeplus
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Ademar José Fabre *

O desejo de hospedar escolas de ensino superior público e gratuito é antigo na região carbonífera: remonta aos tempos do movimento pró-implantação de nossa primeira unidade universitária (FUCRI). As lideranças de então já pleiteavam um Curso de Serviço Social da UDESC, não concretizado. Nas principais sedes regionais do Estado cogitava-se obter, no futuro, extensões de cursos da Universidade Federal (UFSC).

Ao longo dos anos, as fundações universitárias municipais se consolidaram, outras estruturas privadas de ensino superior idem e os movimentos pró-extensões na AMREC silenciaram, enquanto em outras regiões se mantiveram e conseguiram bons resultados.

Hoje a UDESC tem campus em 9 cidades do Estado e a UFSC está presente, além da capital, também em Joinville, Blumenau, Curitibanos, Araranguá e Chapecó, nesta com universidade autônoma, que atende alguns municípios da região oeste.

As reivindicações de caráter político, levadas a efeito nos últimos anos, alcançaram resultado positivo na microrregião da AMUREL (campus da UDESC em Laguna) e da AMESC (campus da UFSC em Araranguá). Essas duas extensões tiveram êxito ao contar com forte coesão das respectivas comunidades, reforçadas pelo fato de não possuirem, então, qualquer unidade própria de ensino superior.

No caso de Criciúma, os pleitos não se concretizaram, seja pela falta de entendimento entre as lideranças políticas, seja porque não esteve presente essa coesão comunitária e, também, pelo fato de a cidade já contar com mais de 70 cursos superiores em funcionamento.

Acompanhando o crescimento do ensino universitário no Estado e sua distribuição regional, o autor lista 10 razões que estariam a justificar a presença de, pelo menos, uma entidade de ensino público gratuito na sede da AMREC:

1. Criciúma é a única sede mesorregional do Estado que não hospeda uma estrutura universitária com ensino público e gratuito (as outras sedes são: Florianópolis, Joinville, Blumenau, Chapecó e Lages).

2. Dos seis polos mesorregionais do Estado, três já possuem sede ou extensão de duas universidades públicas (Florianópolis, Joinville e Chapecó), dois possuem um polo ou extensão (Lages e Blumenau) e Criciúma não possui qualquer unidade da espécie.

3. A sede da AMREC detém o quarto maior polo de ensino médio-profissionalizante do Estado, cujas matrículas nesse nível representam 4,10% da população municipal estimada pelo IBGE para 2015.

4. De cada dez alunos que estudam no ensino médio na mesorregião sul (45 municípios), três estão matriculados em Criciúma. Ou seja, enquanto sua população representa 20% da mesorregião sul, 30% dos alunos do nível médio são aqui matriculados.

5. Essa concentração de alunos do ensino médio na sede da microrregião se explica por diversas razões, como: bom nível de ensino dos colégios, proximidade geográfica, meios de transportes/facilidade de acesso. Traduzindo em números: em 2015 havia 15.402 matriculas do nível médio na microrregião, sendo 8.487(55,10%) na sede e 6.915 ( 44,90 %) nas demais 11 cidades, entre essas, apenas Orleans e Lauro Muller distam mais de 25 km. de Criciúma.

6. Importante frisar que a grande presença de alunos matriculados no ensino médio é a principal pré-condição para justificar a localização de uma estrutura universitária, pois eles são potenciais candidatos ao ensino superior.

7. Cabe mencionar que, à exceção de Lages, todas as sedes mesorregionais do Estado, contempladas com ensino superior gratuito, detêm maior PIB (Produto Interno Bruto per capita) que Criciúma.

8. Em face dessa condição, pode-se argumentar que a região sul e, em especial, sua maior cidade, deveria merecer tratamento prioritário no exame de pleitos que desejam contar com a extensão dos estabelecimentos de ensino público e gratuito.

9. Na pesquisa do IBGE, contida no livro “Regiões de Influência das Cidades”, Criciúma é classificada como Capital de Nível “C”, logo abaixo das cidades de Florianópolis (Nivel A), Joinville, Blumenau e Chapecó (Nivel B).

10. Os dados e informes aqui examinados dão a certeza de que a falta de estabelecimentos de ensino universitário público e gratuito, em Criciúma e respectiva microrregião, não se dá por carência de condições, pois a cidade dispõe da melhor infraestrutura econômica e social dentre todas as suas congêneres da região sul catarinense.

* Economista, MSC em Desenvolvimento Regional, autor do livro “Criciúma - Metrópole do Sul”, publicado em agosto / 2016.

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