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Opinião

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Slogans das políticas educacionais: parte 2

28
JAN
2016
| 18h25
18h25
Redação
Jornalista | Portal Engeplus
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Fabricio Spricigo *

Atualmente, muitos pesquisadores da área educacional realizam estudos sobre os temas da “inclusão social” e “educação inclusiva”, revelando como passaram à condição de slogan nas políticas contemporâneas. Nesse sentido, Garcia (2004) coloca que os discursos que fundamentam as políticas de inclusão colocam superficialmente uma fórmula para solucionar os problemas sociais, econômicos, políticos e educacionais presentes na sociedade contemporânea.

Tal concepção fomenta uma aceitação acrítica da sociedade desigual, como se fosse naturalmente harmônica e coesa, enfraquecendo o sentido de lutas sociais que estão na base das conquistas populares em torno dos direitos sociais.

Outro slogan presente nas políticas educacionais diz respeito aos pressupostos da autoajuda que estão espalhados nos discursos educacionais. Tais princípios têm “a pretensão de preparar os indivíduos para viver mudanças, adaptar-se e assimilar novos valores necessários aos tempos de flexibilidade. Fala-se numa nova sociedade requerida, hoje, pelo capital”. (TURMINA, 2014).

Assim, segundo a autora, os discursos tanto da autoajuda como da UNESCO demonstram as características esperadas de um novo trabalhador apoiado no individualismo, na competitividade, centrado na lógica do mercado.

A autora faz uma incursão por documentos amplamente difundidos, tais como o Relatório Jacques Delors “Educação: um tesouro a descobrir” revelando que seus fundamentos teórico-metodológicos contribuem para a construção do cenário dominante ideal em tempos de neoliberalismo.

Outro tema presente nas políticas se refere às questões relativas à proposição Sociedade do Conhecimento”, constituindo-se em um slogan persuasivo e polissêmico usado para sustentar as relações de poder e para o aprofundamento da produção de lucro, gerando grandes desigualdades.

Essa ideologia é articulada às orientações das políticas para a educação superior. É salientado, nesse sentido, que “nessa nova versão do capital humano, opera-se a inversão da responsabilidade estatal sobre a educação, cuja tarefa passa para a empresa e, em última análise, ao indivíduo, sem apoio do estado”. (MARI, 2014).

Por fim, trago à reflexão as “Matrizes e repercussões da educação ao longo da vida como política educacional” (RODRIGUES, 2014). Tal ideia acaba atendendo às necessidades de um mercado afoito por aumentar seu lucro ao mesmo tempo em que dá ao trabalhador a ilusória possibilidade de inclusão na chamada “sociedade do conhecimento”, atuando como instrumento para acalmar os ânimos e pacificar os sujeitos para lidar com a incerteza.

Utilizada como eixo norteador das políticas de cunho neoliberalista, esta ideia de educação alimentada pelo individualismo, pelas intensas e rápidas necessidades de adaptação ao mercado de trabalho, apresenta-se como um problema real de esvaziamento da ação política, levando a uma nociva desagregação do sujeito social.

* Pedagogo

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