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O último adeus a José Augusto Hülse

Ex-prefeito de Criciúma e vice-governador morreu na manhã desta quinta-feira
O último adeus a José Augusto Hülse
Foto: Heitor Carvalho
Por Heitor Carvalho Em 08/08/2019 às 18:30

A partir das 15 horas desta quinta-feira, dia 8, o hall de entrada do Teatro Elias Angeloni começou a receber familiares, amigos, autoridades e lideranças de Criciúma e região que foram se despedir de José Augusto Hülse. O ex-prefeito de Criciúma e vice-governador do Estado, morreu nesta manhã, aos 82 anos, no Hospital São Batista, vítima de insuficiência respiratória.

Entre os presentes no velório estava Acélio Casagrande, secretário de Saúde de Criciúma, que recordou um episódio vivido com ex-prefeito na infância.  “Quando candidato a prefeito, ele fez já na época algo que o diferenciou, ele percorreu as casas do interior. Eu me lembro como se fosse hoje, a gente morava lá no interior, no Sangão e ele ia de casa em casa a pé, pedindo voto. E ele acabou ganhando aquela eleição, com uma margem pequena, mas ganhou e depois por seis anos governou Criciúma”, relembra o secretário.

Ainda segundo Casagrande, Hülse foi importante para que ele se filiasse ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). “Ele acabou me conquistando pelo jeito fazer administração naquela época. Ele foi um exemplo, um exemplo de vida pública e também pessoal”.

Zé: 30 anos depois - Reminiscências de um governo popular

Quem também compareceu ao velório para prestar a última homenagem a Hülse, foi o jornalista Nei Manique, responsável pelo documentário "Zé: 30 anos depois. - Reminiscências de um governo popular", que resgata os seis anos da administração do prefeito de Criciúma junto ao seu vice Roseval Alves entre os anos de 1983 e 1988. Manique comentou sobre o legado deixado pelo ex-político. “O legado dele é o de estadista, foi um estadista ocupando o cargo de prefeito de Criciúma. E justifico a comparação, porque ele além de ter tido um mandado entre dois regimes historicamente diferentes no Brasil - ele assumiu a prefeitura no final do regime militar e entregou com o país democratizado, ele assumiu a prefeitura com uma constituição “caolha” e  entregou com a carta magna de 88 -, ele foi um governo de transição, como todos os outros prefeitos, mas ele especificamente e especialmente, soube entender o momento que o país estava atravessando e assumiu essa postura que eu acho que era dele, da natureza dele, de conciliador, de aglutinador, de mediador de tensões”. 

Para quem não teve a oportunidade de viver o governo do ex-prefeito, o jornalista fez uma relação com os tempos atuais. “Você imagina um prefeito que chama um eleitor fanático do bolsonaro e um eleitor fanático do Lula para os dois serem secretários na mesma administração e trabalharem juntos. Tu vai lidar permanentemente com focos de tensões e ele viveu isso durante seis anos, com inúmeros focos de tensão, e soube administrar essas tensões. Pra mim esse é o maior legado dele como homem, como político, o de um estadista.”

O velório está acontecendo no hall de entrada do Teatro Elias Angeloni e o sepultamento será realizado nessa sexta-feira, dia 9, a partir das 9 horas, no Cemitério Municipal do bairro São Luiz.

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