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Criciúma EC, história construída.

Criciúma EC, história construída.
Foto: Foto – Comerciário/Criciúma 1982.
Por Willi Backes Em 30/11/2020 às 09:23

 

Rápida leitura da trajetória como entidade e desempenho futebolístico do Criciúma Esporte Clube desde o retorno nos anos 70 a 2020, dá clara argumentação para se pensar e planejar o futuro próximo.

Ainda com a denominação de Comerciário EC, sob comando diretivo nativo, capitalistas quase que de forma anônima – dentre eles Realdo Guglielmi – colocaram o clube na ponta das competições em que estava inserido. O fator maior para os destacados apoios, sempre foi o imenso bairrismo dos doadores. “Se o jogador é bom e pode nos ajudar, manda buscar”.

Antes mesmo de se mudar o nome e uniforme para Criciúma EC – evidencia maior do tamanho do bairrismo – o clube contava no grupo profissional jogadores como Zé Carlos/Botafogo, Larri, Mica e Anchieta/Inter, Álvaro/América, Edmar/Guarani, todos que recentemente haviam vestido uniformes da seleção brasileira de base.  

Naqueles tempos e nas décadas seguintes, o Criciúma EC foi comprador dos serviços profissionais de futebol, jogadores e comissões técnicas. Os tempos de clube “comprador” foi substituído nos últimos anos por “vamos apostar para ver se vai dar certo”. As sobras das sobras não atenderam mais às expectativas esportivas.

Recursos financeiros nunca faltaram, sobraram decisões equivocadas.

PLANEJAMENTO VIROU REALIDADE.

Desde sempre o Criciúma EC teve preocupação e atuação especial quanto ao seu patrimônio e equipamentos para o desporto. No princípio, o senhor Décio Góes, cuidou, ampliou e manteve o Estádio Heriberto Hulse e arredores, com dedicação pessoal quase que exclusiva. Mais tarde, o Governador Wilson Kleinubing e o Prefeito Altair Guidi, mas não só eles, ajudaram substancialmente para que hoje a cidade possua o portentoso Estádio Heriberto Hulse.

Na gestão do Presidente Milton Campos Carvalho, o Prefeito Eduardo Pinho Moreira promoveu a doação da área onde hoje estão os alojamentos e campos de futebol do Centro de Treinamento. O Presidente Joacir Scremin deu prosseguimento nos serviços de terraplanagem do centro de treinamento, com a importante participação da SETEP do senhor José Locks. De uma forma ou outra, todos na sequencia deram suas contribuições.

Profissionais técnicos competentes, em nome da entidade Criciúma Esporte Clube, elaboraram inúmeros projetos para captação de recursos públicos federais, o que possibilitou a construção e finalização do Centro de Treinamento batizado em homenagem a Antenor Angeloni.

Poucos são os clubes do futebol brasileiro que possuem – construídos e pagos – Estádio e Centro de Treinamento como ostenta o Criciúma EC.

O MUNDO DO FUTEBOL MUDOU.

Nas últimas décadas a organização e promoção do futebol em todas as partes cresceu de forma vertical quanto aos investimentos. Curiosamente o produto e os equipamentos se profissionalizaram requerendo investimentos bilionários, em qualquer moeda circulante, entretanto, o gestor, o dono do negócio futebol, ainda na sua maioria, não passam de transeuntes apaixonados torcedores nos cargos diretivos.

O Criciúma EC tem a fábrica e escola física, porém, não pesquisa e transforma a matéria prima disponível para produzir o futebol.   

No atual contexto, o Criciúma EC tem poucas chances em eventuais concorrências para aquisição de “passes” de jogadores de futebol. É tão obvio quanto a luz do sol todos os dias, que o Criciúma EC tem que ser formador, produtor, educador de praticantes para o futebol.

IMPACIÊNCIA TORCEDORA.

As decisões da direção do clube - de qualquer clube - basicamente são respostas às cobranças da torcida, notadamente quando a história não tão distante registra consecutivas vitórias e elas passam a rarear.

Resumidamente, a partir de janeiro próximo, o futebol do Criciúma EC, do infantil ao profissional estará pouco menos do que zerado. Tudo, tudo mesmo urge ser reconstruído. O primeiro ato a ser implementado com máxima urgência é a dispensa voluntária de todos responsáveis da atual demolição - Conselho Deliberativo e Direção Executiva - e limpar o canteiro de obras.

Paciência ....... Paciência ......... Paciência.

Novo gestor, novo engenheiro, novo arquiteto, novo pedreiro, novos serventes, novos insumos. Toda e qualquer obra, também no futebol, começa por fazer uma boa base.   

Comparativamente com outras agremiações, o Criciúma EC está longos passos à frente. Tem infraestrutura, equipamentos e mercado fornecedor.