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Gestão de grupo - Lauro Búrigo

Lauro Búrigo, foi-se o bruxo, ficou o Mito, o Gestor de Grupo
Por Willi Backes Em 29/07/2019 às 15:13

GESTÃO DE GRUPO – LAURO BÚRIGO (1).

Não há entre as atividades profissionais, grupo com maior complexidade para gerenciamento do que jogadores de futebol. Várias são as razões: pirâmides etárias, culturais, origens, formação familiar e educacional, usos e costumes, caráter diversos, solteiros e casados, friolentos e esquentadinhos, submissos e revoltados, temerosos e corajosos, e por aí vai. Tem os que gostam da Bíblia e outros da revista Playboy. A turma do churrasco, outros da farofa. Da água doce e os da água benta. Os do pagode e outros do sertanejo raiz. Significativa parte destes predicados inerentes à cada jogador não é pesquisada no momento da contratação.

O simples fato obrigatório de a cada semana pisar em arenas diferentes com a presença de público e meios de comunicação, e estar devidamente preparado e concentrado, faz do praticante do futebol profissional, um “cara” diferente. Se não, melhor dispensar o uniforme.

No moderno catálogo resolveu-se denominar de “Gestor de Grupo” o sujeito treinador ou diretor de futebol com função de obter e exprimir o melhor resultado de cada um, em benefício do grupo. A prática esportiva é necessariamente coletiva.

GESTÃO DE GRUPO – LAURO BÚRIGO (2)

Para que um treinador ou diretor de futebol atinja tal grau da importância da denominação de “Gestor de Grupo”, é preciso somatórias de virtudes naturais, inatas e das experiências adquiridas.

Tem que conhecer a atividade profissional e seu regramento, ter noção da preparação técnica e física, noções médicas básicas para distinguir lesão de simulação, o que é comida e o que é alimentação, o que é acanhamento, manha ou prepotência. É da natureza do futebol. O jogador testa o treinador ou diretor o tempo todo. Se o mesmo fraqueja, o provocador escala as costas.

O “Gestor de Grupo” obrigatoriamente tem que conhecer cada indivíduo e suas particularidades. Não há personalidade igual e repetida. A somatória dos predicados individuais irá formatar a consistência do grupo.

O treinador ou diretor de futebol Lauro Búrigo, era esse tal de “Gestor de Grupo”, muito antes das escrituras futebolísticas. Sabia e conhecia muito mais do que qualquer elemento ou grupo de jogadores que gerenciou.

No popular, era mais “malandro” do que qualquer um que lhe tentasse aplicar uma controvérsia. Do limão exprimia o suco e dela fazia uma saborosa e eficiente limonada.

GESTÃO DE GRUPO – LAURO BÚRIGO (3)

Em 1997, por pressão de forças externas do Criciúma EC, fez com que a diretoria do clube presidida pelo Milton Campos Carvalho, renunciassem, o que provocou enorme crise institucional. Fato para descrição em muitos capítulos.

Corajosamente o empresário Joacir Scremin compôs diretoria, ele na Presidência, acompanhado por Adair Lima, Geraldo Luiz de Farias, Édio Del Castanhel, Enocir Gonçalves e Willi Backes. No futebol Lauro Búrigo, Olávio Dorivo Vieira (Vacaria), Antônio Benatti, Álvaro Andreis e Evelton Isoppo. Mais, José Carlos Ghedin, Paulo Roberto Milioli, Douglas José Nazário, Otávio Bezerra Dias e Osmar Venâncio.

Em 1998, o Criciúma EC disputou a Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol, finalizando a competição em 6ª lugar. Naquele ano, o Criciúma EC foi Campeão Catarinense, e teve na sua composição de jogadores profissionais, a seguinte relação:

Alciney, Alexandre, Allyson, Anderson, Carlos Eduardo, Marcelinho, Clésio, Dionathan, Naldinho, Chico, Elias, Elizeu, Herton, Ivair, Jair Santos, Jefferson Douglas, Jivago, Júlio César, Leandro, Luciano, Luis Carlos Oliveira, Maciel, Marcelo Silva, Márcio, Marcos Paulista, Marcos Paulo, Nielsen, Paulo César Bayer, Paulo Henrique, Raul, Roni e Wilson.

GESTÃO DE GRUPO – LAURO BÚRIGO (4).

A relação com tantos nomes é proposital. Se provocadas, todas terão posicionamento testemunhal parecidas, talvez até idênticas, quanto a definição de como foi trabalhar e conviver com Lauro Búrigo, nos ambientes profissionais e particulares.

Lauro Búrigo era turrão, duro, amistoso, falastrão, garganta profunda, financiador, conversador, humilde, conhecedor, aglutinador, responsável, apoiador, malandro, flautista, amigo, avalista, bairrista, contrabandista, paizão.

Impunha condições ao grupo de jogadores e os defendia perante a direção. Jogador resmungava antes e depois admitia que o “bruxo” tinha razão. Dizem que um bom bruxo tem 13 princípios. Lauro Búrigo as tinham em maior número.

Lauro Búrigo, foi-se o bruxo, ficou o Mito, o Gestor de Grupo.