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Os palavrões do presidente repercutem mais do que as roubalheiras de dinheiro público

Na tentativa frustrada de manipular dos fatos, cria-se um mar de obscurantismo midiático
Os palavrões do presidente repercutem mais do que as roubalheiras de dinheiro público
Foto: Alan Santos/PR
Por Aderbal Machado Em 25/05/2020 às 13:21

Pessoalmente, acho uma loucura o espanto da mídia e de louvaminheiros do moralismo capenga com os palavrões e xingamentos do presidente Bolsonaro numa reunião ministerial fechada, cuja gravação foi  liberada ao público por um ministro do STF sem fundamento fático e criminal nenhum. Loucura pelos precedentes: o presidente, em muitas ou quase todas as entrevistas polêmicas, como deputado, como candidato e como cidadão instigado por formulações mais ousadas costuma disparar os mais variados tipos de impropérios. Sempre foi assim, assim é e assim continuará sendo. Não parece ser do seu tipo deixar pra lá seu jeito de ser por causa da liturgia do cargo. Questionam a "respeitabilidade" necessária. Devem estar brincando. No país campeão de corrupção oficial a céu aberto do mundo, em que se rouba desde pensamentos até dinheiro de Bolsa Família na cara dura, falar em respeitabilidade por causa de palavrões ditos pelo presidente é algo bem exagerado.

E a reunião ministerial, em si, com sua divulgação por determinação indevida do STF, resultou num fenômeno inverso: de espada de Dâmocles sobre a cabeça de Bolsonaro, virou até motivo de projeção da imagem presidencial, politicamente falando. Houve mais adeptos em favor do que contra o presidente. Acabou sendo uma propaganda antecipada da reeleição em 2022, porque ele demonstrou, ali, que continua sendo o que sempre foi. Fortaleceu, definitivamente, a sua base.

O mais impressionante foi a forma como parte da grande imprensa tentou criar fatos inexistentes, interpretar à sua moda o que ocorreu e o que se disse, visando à prevalência de sua narrativa notoriamente tendenciosa e para criar fatos, sem êxito. De bala na agulha e de bomba de muitos megatons virou uma espoleta de festim. Só fez fumaça.

Pior é saber que isso - os palavrões presidenciais - têm mais efeito na grande mídia nos últimos dias do que a roubalheira descarada e desenfreada de governadores e prefeitos em cima das verbas destinadas ao combate do coronavírus.