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O macaco e o elefante, uma explicação que pode ser complicada

Após 31 de agosto, estarei fora deste espaço, por questões político-eleitorais
Por Aderbal Machado Em 23/08/2020 às 10:35

Chegamos, na prática, no  limite dos fatos, adaptando a escrita de hoje ao título desta coluna.

Necessitarei de um tempo fora deste espaço, a partir de 31 de agosto, data da convenção de oficialização de candidaturas. A razão é simples: sou pré-candidato a vereador em Balneário Camboriú e, além do tempo a ser ocupado nas andanças eleitorais, se confirmada a candidatura em convenção, ficarei exposto a toda sorte de interpretações no que disser, tanto na minha cidade de domicílio quanto aí. Anos de experiência me ensinaram a contornar os problemas ao invés de enfrentá-los de frente, se isto for possível e enquanto for possível, pela simples e boa razão de que, nessas questões, muitas vezes, na opinião pública, vale mais as versões do que os fatos. Com os fatos é simples de lidar - eles são o que são -, mas versões são imponderáveis, porque subjetivas.

Nada há na lei nenhum dispositivo falando sobre isso, vedando ou proibindo jornalista candidato de veicular e/ou assinar colunas em espaços impressos ou virtuais. Mas o seguro morreu de velho. Até explicar que jacaré não é elefante vai longe. 

No Exército, quando servi, lá pelos idos de 1963/1964, no ápice da Revolução, da qual participei como Cabo e comandando coluna de pelotão, contavam uma história hilária (os próprios oficiais). Contavam que, numa das incursões, os milicos entraram na mata à procura dum elefante, que teria destruído algumas instalações militares. Informado e na dúvida, o macaco correu a esconder-se num pau oco e lá ficou. Encerrada a incursão, o macaco, entreverado, foi saindo e os outros animais perguntaram: "Macaco, por que te escondeste? Eles estavam atrás do elefante!". O macaco: "E eu sei lá se esses milicos sabem quem e como é o elefante? Se me pegam, até eu explicar que não sou o elefante e eles acreditarem, já apanhei um monte".

A piada é só uma interregno facilitador e um alívio no assunto. Servir ao Exército foi um dos meus maiores orgulhos de cidadania.

De qualquer maneira, permanecerei ligado aqui, com nome e sobrenome e, se ainda me quiserem, retornarei após a eleição - talvez como jornalista e vereador eleito ou ainda como simples jornalista. Um  jornalista sem votos. Isso não me assusta e nem me constrange. Conheço o jogo e o vivi em várias ocasiões como observador, parceiro, apoiador, eleitor, assessor de campanhas de vitoriosos e derrotados, repórter setorista na Assembleia e Palácio do Governo em Florianópolis e comentarista político de rádio, jornal e televisão. Vivência não falta.

Fica-se imaginando - e antecipo princípios que defendo e defenderei - qual seria a pauta de um vereador, além daquela de fiscalizar o Executivo, elaborar e votar leis, indicar medidas a favor da sociedade, debater sobre os assuntos coletivos, apresentar sugestões e, sim, batalhar por dignidade e honra nos encaminhamentos do mandato, de modo a não se deixar levar por descaminhos e enganos, ainda que sob a fascinação de objetivos pessoais vantajosos.

Suponho ser vital aos vereadores sugerir, por exemplo, que os grandes debates sejam verdadeiramente mais amplos, até regionalizados com outras Cãmaras, como os casos ligados a saneamento, tranporte, saúde, mobilidade urbana, educação, meio ambiente, geração de empregos, movimento da economia, segurança, atendimento social. Sair da  mesmice inútil do cada um por si e do minimizar de homenagens disso e daquilo, dar nomes a ruas e logradouros, indicar títulos de cidadania, apresentações de moções de congratulações. Nada disso, afirmo, é indevido ou não deva ser feito. O que não pode ser, como para muitos, é prioritário e único.

E gabinete de vereador não é usina de emprego e nem tem fundo infinito de gastos. Há que se cuidar disso. Reduzir ao mínimo dos mínimos e, dependendo de cada um, eliminar - por exemplo, gastos com telefone, internet, correspondência. Diárias para qualquer coisa, nem falar.

No caso de Balneário Camboriú, cada vereador (são 19) tem direito a cinco assessores e praticamente todos nomeiam. Defendo três, no máximo. É suficiente. Na composição da Câmara da cidade, 15 vereadores estariam de bom tamanho. Talvez 13, sem diminuir ou comprometer representatividade. Despesas comuns a qualquer cidadão - aquelas lá em cima citadas - por conta do vereador. O salário é bom e dá pra isso, com folga.

E vamos caminhando, que Deus nos ajude a todos.