InternetData CenterAssinante

Desejar a morte de quem quer que seja: dois erros não produzem um acerto

Há ainda, em meio a isto, o escândalo das remunerações milionárias em tempos de crise
Por Aderbal Machado Em 10/07/2020 às 11:31

Colunista da Folha desejando a morte do presidente. Na justificativa - "ódio do bem" contra "ódio do mal" -, o jornalista alega que o presidente, lá atrás, também desejou a morte da ex-presidente Dilma e de FHC. E daí? Dois erros não produzem um acerto. Ambas atitudes condenáveis e  merecedoras de punição, num momento em que querem plenificar restrição às fake news ou à "política do ódio". Duas bostagens (assim mesmo, com "b", no sentido lato) explícitas. Pronto.

Depois temos outro episódio doido: diretores da Celesc receberam, em junho, valores estratosféricos em seus holerites, à guisa de "participação nos lucros" da empresa. E aduzem: é legal. Claro que é, está numa lei esdrúxula. O que não anula o caráter de indecência em qualquer tempo, muito mais neste momento vivido pelo país, com milhões perdendo empregos e negócios e sob o espectro da fome.

Isto tudo, somados às inconveniências de Fundo Eleitoral intocado, privilégios de remuneração de políticos no exercício dos cargos eletivos, mordomias incessantes, leva à descrença popular na legitimidade e nos valores da política como caminho de soluções para o país. 

As vergonhas se acumulam e avançam a uma velocidade muito maior que as virtudes.

Coitados de nós.