InternetData CenterAssinante

Cloroquina, convergências e divergências

O uso da cloroquina no tratamento do coronavírus em discussão: é ou não é, afinal?
Por Aderbal Machado Em 16/05/2020 às 07:20

Um estudo sobre a eficiência da cloroquina no tratamento de coronavírus:

(CLIQUE AQUI)

Um estudo antagônico:

(CLIQUE AQUI)

As duas versões são colocadas aqui por mero jornalismo e não invencionice ou desejo ideológico disso ou daquilo. Interessante, contudo, ouvir um médico, o doutor Luiz Alberto da Silveira, personagem de outra coluna nossa neste portal sobre o assunto, cansado de ouvir invencionices de leigos sobre o tema. Julguem vocês. Diz ele, resumindo tudo:

Há uma hipocrisia repugnante quando se assiste um “pastor” prometendo a cura de doenças a quem utilizar seu lenço suado (protelando tratamentos necessários) adquirido por régio valor e ninguém reage. Provavelmente o estudo com lenço suado foi consolidado. Foi hipocrisia aceitar a determinação de um juiz do STF para o uso da “pílula do câncer” sem nenhum estudo em humanos e ninguém reagiu porque caiu na simpatia do povo.

Os gastos do Ministério da Saúde com a judicialização cresceram 4.600% de 2007 a 2018. Em 2016, esse ministério despendeu R$ 1.157.375.425,35.

Estima-se que, em 2018, ele tenha gasto R$ 1,3 bilhão para cumprir as decisões judiciais. Os Estados e os municípios vêm sendo ainda mais atingidos. A maioria das determinações judiciais recaem em tratamentos não claramente consolidados  e ninguém reagiu.

A medicina nunca será uma ciência exata por mais completa que seja uma pesquisa, porque seres humanos não são exatos, mesmo que seletivamente identificados em estudos clínicos. Na URGÊNCIA e ausência de um tratamento estabelecido, evidências individuais de benefícios de uma substância, esparsas em serviços médicos em múltiplos centros de atendimento, permitem o tratamento compassivo que é previsto e permitido pelo Estado, sob responsabilidade profissional, com todos os cuidados possíveis.

A evidência provável ou possível é sempre uma alternativa para uma não evidência quando nada mais pode ser feito. Aprendi isto nas súplicas por tratamento de pacientes e, sobretudo familiares, quando as condutas convencionais foram esgotadas e tentativas não completamente estudadas (apenas em fase II) foram aplicadas e aumentaram a sobrevida de muitos pacientes. Juízes dizem: determino o tratamento, determino a internação, determino o procedimento (compassivamente pelo “direito à vida”). Por que ninguém reage mesmo não tendo estudos definitivos? Por que médicos responsáveis não podem fazê-lo de comum acordo com os pacientes na falta de alternativas havendo experiências técnicas positivas ainda que não consolidadas frente à urgência? Se os estudos finais com a hidroxicloroquina forem positivos como se poderá ressarcir àqueles que foram impedidos ao tratamento?

Quando “ religiões” vendem curas estapafúrdias, abertamente nas TVs e ninguém oficial e científico reage, repito, é de uma hipocrisia repugnante o que está ocorrendo. Se você ou alguém seu estiver frente a esta urgência, sem outra alternativa consolidada de tratamento aceitará ou até pedirá um tratamento não consolidado sob os cuidados de um profissional ou se despedirá da vida em respeito à necessidade da evidência científica definitiva que ocorrerá em um tempo que você não terá ? Se a penicilina foi e é um tratamento consolidado na pneumonia pneumocócica,  por qual motivo foram estabelecidos mais uma dezena de tratamentos para a mesma doença? Deste iceberg nem a ponta conhecemos.

Ao final, bom também ler isto: (AQUI)

E gostei, a propósito do tema, de um comentário do Jairo Viana, fera cá da Criciúma de tantos tempos vividos e acontecidos:

“Brasileiro toma por conta própria Rivotril, termogênico, analgésicos, Sibutramina, Trembolona, Durateston, Viagra, remédio para pressão, relaxante muscular, anti-inflamatórios e etc. Mas acha um absurdo usar hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, pois o remédio tem efeitos colaterais. Só pode ser sacanagem”.

Leia mais sobre: