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A saga do rádio dos anos 60 e 70, numa epopeia duradoura

A vida é feita de muitos sobressaltos e de ilusões deliciosas
A saga do rádio dos anos 60 e 70, numa epopeia duradoura
Por Aderbal Machado Em 22/02/2020 às 17:47

(Na imagem, da esquerda para a direita e de cima para baixo: Vera Michels (hoje morando nos EUA), Adilamar Rocha, Clésio Búrigo (falecido), Hélio Costa (hoje deputado federal), Sebastião Farias (falecido), Milioli Neto (falecido), Aderbal Machado, Antônio Rosa, Pedro Barcelos, Antônio Luiz (falecido), Aryovaldo Machado (falecido) e Lenita Cauduro)

 

Em 1962, o PTB, via Jango e Doutel, instalou uma rádio na cidade, concorrendo com a Eldorado. A Rádio Difusora (A Emissora do Trabalhador) iniciou na Rua João Pessoa, quase defronte à antiga sede do INSS (na época IAPETC – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Empregados em Transportes e Cargas, onde se filiavam os mineiros do carvão). Entregaram o jornalismo para o Aryovaldo, que para lá me levou. Nela trabalharam Paulo Delmiro de Lima, tão logo chegou de Garanhuns, sua terra Natal (a mesma do Lula), Luiz Carlos Viana (que exibia seu programa de nome manjadíssimo, “Salão Grená” (por causa do sucesso de Carlos Galhardo), com valsas, tangos, boleros e ritmos hoje não mais ouvidos por aí) e o Bolacha (Osvaldo Costa), com o seu indefectível programa noturno “Você, a música e eu” e ainda discotecário, o melhor que conheci, então funcionário da agência da Varig na cidade. A Varig, por sinal, tinha voos diários para Criciúma, pousando no Aeroporto Leoberto Leal, onde hoje é o Paço Municipal.

A Difusora foi uma aventura e tanto. Eu lia os comentários escritos pelo Aryovaldo, que preferia não lê-los, embora fosse um baita locutor. Em 1963, fui convocado para o Exército. Poderia ter retornado para a emissora, mas houve uma reviravolta política na cidade: Neri Rosa renunciou ao mandato, a Câmara elegeu o vereador Arlindo Junkes (PSD) para cumprir o restante do mandato, o Aryovaldo brigou com eles e eu “sobrei”. Em 10 de dezembro de 1964 fui admitido na Carbonífera Próspera (subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional), ainda por influência do Aryovaldo, e lá fiquei por cinco anos, até 1970, quando, após alguns “bicos” eventuais entre este ano e 1967 na rádio Eldorado, nos horários noturnos (era empregado efetivo da Próspera, não podia ter outro emprego em horário incompatível), fui contratado oficialmente. Assinou minha carteira o Dite Freitas.

A Próspera foi um bom aprendizado. Vivi ali momentos importantíssimos na minha formação profissional. Era uma grande empresa, enorme, e só no escritório trabalhavam mais de 80 pessoas, eu inclusive. O escritório era um grande salão, sem divisórias, exceto a sala fechada da tesouraria, dos chefes principais (Célio Grijó era o chefe do escritório e Moacir Jardim de Menezes o subchefe) e a Seção de Pessoal, chefiada pelo Laurindo Lodetti. Trabalhar na Próspera em termos de salário e status equivalia, naqueles tempos, a ter um emprego no Banco do Brasil (hoje já nem tanto). Um luxo. Saudade…

Nem me toquei. Só quando já tinha certo nome na cidade é que acordei do sonho sonhado quando lia a revista do Osmar Zapellini. Eu era, então, já não mais apenas um locutor, mas companheiro de trabalho de Antônio Luiz, Clésio Búrigo e Kátia, os meus ídolos do passado.

Na Rádio Eldorado e no Grupo Freitas, ou RCE, fiquei de 1970 – oficialmente – até 1992. Foram 22 anos na Eldorado (com apenas dois breves interregnos – um, em 1971, quando fiquei oito meses na Rádio Santa Catarina, do Amílcar Cruz Lima e em 1976, um ano na Rádio Diário da Manhã, em Florianópolis), na Rádio Araranguá, na TV Eldorado, na Rádio Cultura e, depois, na rede de televisão, a partir da TV Cultura de Florianópolis. Foi uma verdadeira faculdade de jornalismo e rádio.

Essas histórias eu conto outro dia, se vocês tiverem a paciência de ler.

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