InternetData CenterAssinante

Banda Quatro Quartos lança música sobre depressão e faz alerta sobre suicídio

Grupo existe há dois anos e nova música foi escrita durante o isolamento social
Banda Quatro Quartos lança música sobre depressão e faz alerta sobre suicídio
Foto: Luiz Felipe Severo/Divulgação
Por Rafaela Custódio Em 21/07/2020 às 09:15

Falar sobre depressão por meio de uma canção foi o objetivo da banda Quatro Quartos. O grupo, que é de Criciúma, existe há dois anos e lançará a nova música em setembro. Até lá, os músicos buscam ajuda financeira para o novo trabalho, já que eles tiveram três shows cancelados durante a pandemia do novo coronavírus. 

O grupo é formado por George Bleyer (Gê), Luiz Gustavo Pereira (Kabelo), Eduardo Valcanaia (Dudu) e Gabriel Córdova (Tchê). Eles possuem dois EPs autorais gravados, um single e três clipes. A ideia do novo trabalho surgiu dos próprios integrantes da banda. 

“A ideia surgiu do Luiz Gustavo, guitarrista do grupo. Estávamos na casa dele conversando sobre os novos planos da banda, quando ele citou a vontade de falar sobre depressão e eu topei. Ele relatou ter sintomas dessa doença, mas que conseguia controlar com terapia. Porém algo o incomodava demais, como a taxa de suicídio ser alta no nosso país e as pessoas ficarem com vergonha ou criarem um tabu para falar sobre depressão. Quando ele falou isso pra mim, decidi entrar na ideia e começamos a falar sobre tudo que ele sentia e acabei vendo que muito do que ele relatou eu já senti também e aquilo me deu mais vontade de acreditar nesse projeto”, explica Eduardo Valcanaia

Valcanaia garante que falar sobre depressão é necessário e a música se chamará Setembro, justamente em virtude do Setembro Amarelo, que é o mês de prevenção ao suicídio. “Quando passamos a ideia pro resto da banda, eles concordaram totalmente e pensamos juntos: isso não é apenas sobre nós, é sobre todas as pessoas do mundo. Todo mundo um dia já sentiu tristeza, vontade de sumir e até depressão. Isso deve ser falado, conversado, tratado e não ignorado. Já perdemos muitas pessoas nesse mundo por falta de conversa”, lembra. 
 
A música foi escrita por Valcanaia e com relatos de Luiz Gustavo. “Por eu ter escrito a música, costumo dizer que a canção fala sobre depressão, suicídio e ansiedade. Eu sofro muito de ansiedade e, com o isolamento social, no início eu me senti muito mal e acabei trazendo essa ansiedade pra letra da música. O Luiz Gustavo fez todo o instrumental e me mandou, deixou que eu escrevesse tranquilo e pude passar bem o que eu queria. Ainda assim, ele deu bastante opinião e me ajudou bastante”, conta. “A música foi escrita no começo do isolamento social. Com o tempo livre, começamos a dar continuidade a ideia que nasceu antes da pandemia. Fomos gravando as guias em casa mesmo e, com o tempo, aprimorando”, acrescenta. 

“Muitas pessoas acham que falar de suicídio é uma coisa ruim, algo que pode ser gatilho para as pessoas, mas não. Conversamos com alguns psicólogos e todos nos apoiaram na ideia, nos elogiaram e disseram para sermos corajosos por estarmos falando disso. A pessoa que comete um suicídio não quer parar de viver, ela quer resolver o seu problema e não sabe como, e acaba acreditando que aquele é o único meio de resolver”.
Eduardo Valcanaia 
----------------

Valcanaia ainda ressalta a importância de uma conversa em tempos de pandemia do coronavírus e também de isolamento social. “Às vezes, uma conversa, um gesto de carinho, uma demonstração de amor pode acabar com a ideia dessa pessoa de praticar este ato. Porém, ainda vivemos num mundo careta, onde é preferível falar de guerra do que de amor, compaixão e carinho pelo próximo. Já perdemos pessoas demais no mundo por falta de conversa, seja na guerra, no trânsito, em festa e inclusive com uma pessoa que se sente mal consigo mesma”, observa. 

A música não terá clipe, porém terá um Lyric. “Lyric é uma animação em vídeo. Preferimos não fazer clipe por conta do coronavírus. Todo o projeto foi traçado com o intuito de lançar a música em setembro. Com o inverno, sabemos que a propagação do vírus se torna mais fácil e preferimos não arriscar”, explica George Bleyer.

A música Setembro tem o objetivo de mostrar a sociedade que tudo passa e a vida deve ser vivida. “Tudo é possível de resolver. Queremos também mostrar que não é feio ou vergonhoso buscar ajuda, buscar um terapeuta, um psiquiatra. Nosso país ainda tem uma cultura de fazer o que os outros acham bom pra nós e não o que nós achamos. Precisamos conscientizar as pessoas, principalmente pais de adolescentes e crianças, que podemos buscar ajuda e existe uma forma de ajudar. Nossa cidade está repleta de profissionais dessa área, muito competentes, que podem ajudar. Mas o principal é que é possível tratar. Não é feio tratar os seus problemas. Não é vergonhoso pedir ajuda. Ajude, se ajude, nos ajude a propagar essa ideia e chegar ao máximo de pessoas possíveis”, afirma Luiz Gustavo Pereira.

Ajuda financeira 

O grupo ainda está em processo de gravação da canção e precisa de ajuda para custear o novo projeto. “Estamos em processo de gravação e a música deve estar pronta no fim do mês. Estamos tomando todas as precauções para a gravação por conta do coronavírus, uso de máscara, álcool e sempre uma pessoa sozinha em cada cômodo do estúdio”, relata Gabriel Córdova.

Valcanaia explica que os custos para o lançamento de uma música são altos e, por isso, precisam de ajuda financeira. “Quando se lança um novo trabalho na música, você tem que tirar novas fotos, fazer a parte gráfica, vídeo clipe, lyric. Isso tem um custo muito alto e em caixa temos o dinheiro para pagar apenas uma música. Só de gravação, o custo total é de R$ 3,2 mil. O custo total do projeto, se arrecadado, é de R$ 7 mil. Temos planos caso não alcançamos essa meta. Será difícil, mas não vamos desistir de lançar esse projeto que tanto acreditamos. Esse projeto não é só nosso e nem queremos que seja. Queremos que todos participem contribuindo, divulgando e propagando a ideia. Precisamos atingir um número máximo de pessoas, não por buscar um sucesso, e sim, para ajudar e confortar quem precisa de ajuda”, explica.   

Os interessados em ajudar poderão entrar em contato pelo telefone (48) 9.9112.2302 e falar com Eduardo. “Aceitamos transferência bancária e também geramos boleto. Já temos a contribuição de três psicólogos: Alex Cambruzzi, Lidiane Rabelo e Fernanda de Souza Fernandes. Estamos em busca de mais pessoas da área da saúde que possam estar entrando junto neste projeto”, finaliza Bleyer.