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Moda consciente: aprenda a controlar as compras compulsivas

Gostar de moda não é sinônimo de consumir o tempo todo
Moda consciente: aprenda a controlar as compras compulsivas
Por Redação Engeplus Em 29/04/2019 às 13:00

Qual foi a última vez que você comprou alguma roupa? Hoje, semana passada, mês passado? É cada vez mais difícil vivermos em um mundo em que há tantos produtos e serviços disponíveis, mais difícil ainda é passar o mês sem comprar aquela ‘brusinha’ da promoção. Porque os armários estão abarrotados de peças e temos a sensação de estar sempre com a mesma roupa?

Uma pesquisa do Instituto Akatu, realizada em 2018, mostra que de cada dez brasileiros, sete não consomem de forma consciente. Mas o que é o consumo consciente? Consumir de forma consciente é estar atento à real necessidade do que consumimos e aos possíveis impactos que uma compra pode causar. O vestuário é um dos maiores gastos dos brasileiros. Dados coletados pelo Ibope Inteligência mostram que o país, em 2013, deu um salto de 35,84% no consumo de roupas em relação a 2011.

Segundo a psicóloga, Kariny Cunha, uma das várias explicações de porque consumimos tanto é a dificuldade de distinguir desejo e necessidade. Outro motivo é a busca por "solucionar" um desconforto emocional (sentimento de tristeza, raiva, medo ou frustração), em que se compra como uma compensação, para fugir desse desconforto. O marketing dos produtos também pode influenciar muitas compras.

A profissional afirma que no momento da compra surge realmente uma alegria, um prazer momentâneo, até o cérebro contribui com isso, liberando a dopamina e trazendo assim, essa sensação de prazer, mesmo que momentânea.

Para controlar os impulsos, a psicóloga aconselha o autoconhecimento. “É preciso aprender a se perceber, a se escutar, a tomar consciência de si e do que está realmente sentindo, e a partir disso se questionar. Por exemplo: é realmente necessário eu comprar esse sapato? Ou só estou tentando compensar, pois meu dia não foi tão bom quanto eu esperava, e devido a isso quero comprar para me sentir melhor?”, explica.

Desafio

Ficar 150 dias sem comprar. Esse é o desafio da contadora e advogada de 26 anos, Luiza Daitx Teixeira, que se propôs a renunciar as compras de roupas, sapatos, acessórios e maquiagens. “As pessoas às vezes confundem e acham que é não comprar nada, eu só elenquei as coisas que eu comprava demais e que eu acabava nem usando, por sempre comprar coisa nova”, explica.

A contadora afirma que sempre teve um grande interesse por moda e que ao longo do tempo acabou confundindo o ‘gostar de moda’ com o ‘consumir moda’. Pela grande oferta que se tem hoje, diversos produtos e preços, Luiza tomou a iniciativa de rever essa relação, que muitas vezes era comprar só pelo prazer passageiro do consumo, do que realmente pela moda.

Luiza conta que uma das suas inspirações foi o projeto ‘1 ano sem Zara’, que também tinha como objetivo evitar o consumo desenfreado e compulsivo. “Eu acho que um projeto desse é como dieta, só funciona quando tu conta pras pessoas, acho que compartilhar com os outros te coloca no compromisso de cumprir”. Foi por isso que ela criou a conta no Instagram @luizadiet. Um diário virtual da dieta fashion.

O projeto é inspirador, mas o dia a dia nem sempre é fácil. “É mais legal do que difícil, mas tem dias que tu vê uma coisa nova e quer muito comprar, das promoções mesmo eu passo longe, para não sofrer”, brinca. Ela ressalta que não é contra o consumo, mas acredita que é preciso reavaliar o que realmente é necessário.

Para Luiza, as mulheres são mais consumistas que os homens pelo fato de serem mais cobradas pela sociedade para estarem sempre arrumadas, de roupa nova e bonitas. “Eu acredito que essa pressão social faz com que as mulheres sejam mais consumistas, por estarem sempre falando nesse assunto”, afirma.

Dicas práticas

Consultora de imagem há 10 anos, Lica Poltozi,  afirma que não existe uma peça coringa que toda mulher deve ter, isso varia de estilo para estilo. “Eu não vou dizer para uma mulher que não tem um estilo clássico que ela deva ter uma camisa branca, mas posso sugerir uma camisa jeans, de acordo com o gosto da pessoa, primeiro se avalia o estilo pra só depois sugerir uma padronagem”, explica.

Repetir as peças com confiança e combinações diferentes é outro ponto que a consultora ressalta. “Eu brinco que temos que fazer o cálculo do 10, tem que usar a roupa pelo menos 10 vezes pra dizer que ela se pagou”, avalia.

Conforme Lica, na hora da compra é preciso analisar o que tem no guarda-roupa primeiro e ver o que está faltando, para comprar melhor, não indo atrás das tendências. Procurar lojas que dão a opção do condicional é uma dica, porque assim é possível visualizar os looks com as peças que já se tem em casa.

A profissional afirma que para não usar sempre a mesma roupa não é necessário comprar peças a todo momento, é somente uma questão de pensar fora da caixa usando a criatividade. “Não é para comprar um look de uma vitrine e usar só daquela maneira, é necessário brincar com as peças, não existe mais regra”, aponta.

Para a consultora é necessário avaliar cada pessoa de maneira diferente, percebendo o trabalho, biotipo e estilo pessoal. “A gente tem que olhar os mínimos detalhes que influenciam na vida da mulher, se ela vai pro trabalho de carro, a pé ou de ônibus, se ela é mãe. Tudo isso interfere na hora de escolher uma roupa”.

A dica de ouro para aproveitar de maneira diferente as peças é fazer o desafio de três looks diferentes com a mesma parte de baixo, por exemplo, uma calça jeans ou uma saia com três possibilidades de uso. Uma mais formal, uma informal e outra meio termo. Para isso a aposta é abusar dos acessórios, mudar o calçado e a parte de cima.

“Tem que provar, ir na frente do espelho, bater foto e não ter medo de errar, às vezes o que fica bem pros outros não fica legal pra gente, o que importa é que a nossa personalidade esteja na nossa maneira de se vestir”, finaliza.

A consultora de imagem também oferece cursos de estilo e imagem pessoal, para saber mais é só acessar pelo perfil do Instagram @licapoltozi.

Colaboração: Beatriz Formanski

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