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Portal Engeplus se manifesta após repórter ser agredida enquanto trabalhava

Agressão aconteceu nas arquibancadas do estádio Heriberto Hülse no último domingo
Portal Engeplus se manifesta após repórter ser agredida enquanto trabalhava
Foto: Rafaela Custódio
Por Redação Engeplus Em 04/03/2020 às 13:59

No último domingo, dia 1, na partida entre Criciúma e Brusque, disputada no Heriberto Hülse e válida pela 7ª rodada do Campeonato Catarinense, a repórter do Portal Engeplus Rafaela Custódio foi agredida enquanto realizava a cobertura jornalística do evento. O fato ocorreu após um chinelo ser arremessado no campo de jogo. Enquanto fotografava a ação, a jornalista foi empurrada por um torcedor cujo nome consta na lista oficial de membros transitórios do Conselho Deliberativo do Criciúma Esporte Clube. Ao lado de outros torcedores, ele tentou censurar o trabalho da reportagem justificando que a foto prejudicaria o clube.

O Portal Engeplus ainda não havia se manifestado sobre o caso, pois estava apurando o fato junto à diretoria do Criciúma e da empresa responsável pela segurança da torcida e profissionais envolvidos no evento. Tão logo a cobertura da partida finalizou, a equipe de reportagem registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil.

Também informamos que, mesmo com câmeras de monitoramento distribuídas pelo estádio, não foi possível acessar o vídeo do momento da agressão. O setor responsável pela segurança alegou que as câmeras estão dispostas em ângulo 360° e previamente focadas em pontos críticos do estádio. E que no momento da agressão havia outras ocorrências e por isso não foi possível capturar imagens da hostilidade sofrida pela repórter.

Repudiamos toda e qualquer tentativa de agressão e/ou censura ao trabalho jornalístico. Ressaltamos que atualmente nossa redação é formada por três mulheres e dois homens, sendo uma das maiores equipes femininas a cobrir os jogos do Criciúma Esporte Clube. Inclusive na data em que a violência aconteceu, a cobertura da partida era realizada pelas três jornalistas.

A classe jornalística

A editora do Portal Engeplus Amanda Garcia Ludwig avalia como inadmissível a conduta do torcedor enquanto a repórter trabalhava no estádio. “Rafaela estava cumprindo sua função. Não há justificativa para que ela tenha sido impedida de concluir o trabalho. Ainda que o torcedor que a agrediu alegue que ela poderia prejudicar o clube, quem teria causado este prejuízo é quem jogou o chinelo em campo, e não quem informou os leitores sobre o caso. Além disso, é inaceitável que em um momento como o que passamos, em que tantas mulheres conquistaram seu espaço no mercado de trabalho – mesmo que o ambiente tenha um predomínio masculino, como é o caso da área de futebol – algo como isso aconteça. O que posso dizer é que, ainda que agressões como esta aconteçam, não deixaremos de exercer nosso papel junto à sociedade e garantir nosso compromisso com a informação de responsabilidade em primeiro lugar”, destacou Amanda.

O jornalista Nei Manique é fundador do Portal Engeplus e também se manifestou sobre o caso. “Vai absolutamente na contramão de todos os esforços desenvolvidos pelo Portal Engeplus e pela imprensa local, no sentido de construir uma relação fraternal e profícua com o clube que é um patrimônio da coletividade”, afirmou.

O diretor do Tabelando/Engeplus Mateus Mastella declarou estar indignado com a situação. “Quando vejo que a imprensa está sendo proibida de trabalhar, só me revolta o fato de que a verdadeira informação não chega a quem interessa, independente se vai prejudicar uma pessoa ou outra. Quando vejo que essa forma de proibição acontece por meio de uma agressão, não há justificativa, não há emoção, não há razão para defendê-la. Me solidarizo com a Rafaela, que cada vez mais precisa informar as notícias do Criciúma, independente do que for.”

A diretora regional da Associação Catarinense de Imprensa Andressa Fabris relata que tem sido percebido um movimento para que se atrapalhe o trabalho jornalístico. “As pessoas não estão percebendo a importância da imparcialidade. A repórter estava ali para registrar aquele momento, e o fato de que o clube poderia ser prejudicado por aquilo não justifica a decisão do torcedor. O que mais me dói é ver o trabalho do jornalista sendo cerceado diariamente, não só por um torcedor dentro do estádio, mas a todo momento. Quando as pessoas perdem o respeito pelo jornalismo, elas impedem que a sociedade cresça.”

João Paulo Messer, diretor de jornalismo da Rádio Eldorado e colunista no Portal Engeplus, diz que embora não conheça a circunstância e os detalhes da ocorrência, é importante ressaltar que em hipótese alguma pode-se admitir uma agressão. “Ainda mais quando ela se dá em um gesto de covardia de um homem sobre uma mulher, e com agravante de que isso ocorra prejudicando o trabalho de uma profissional.”

Messer ainda afirma que não há razão alguma, nem mesmo a da emoção do futebol, que justifique uma atitude irracional "É pior ainda que este caso tenha acontecido na tentativa de tentar ocultar uma transgressão", conclui o jornalista.

O jornalista Adelor Lessa, proprietário do Portal 4oito e da rádio Som Maior, também se manifestou sobre o caso. "É um absurdo que isso ainda aconteça. Uma agressão descabida contra quem está apenas tentando trabalhar. Quem prejudica o clube é quem comete a infração. Nada mais autoritário, ultrapassado, condenável, do que censurar o trabalho da imprensa. O clube tem a obrigação de tomar providências contra quem jogou o objeto na hora do jogo, e contra quem agrediu a jornalista."

O Grupo SL de Comunicação emitiu uma nota sobre o caso. "O Grupo SL de Comunicação é contra qualquer ato que impeça a liberdade de imprensa e o exercício da profissão de jornalista. Principalmente quando este ato envolve a agressão física e intelectual contra um profissional que está exercendo sua função. Não podemos admitir que atitudes como esta, infelizmente, ainda ocorram. Nós, enquanto imprensa, apenas queremos cumprir o nosso papel de divulgar os fatos conforme eles acontecem. É nossa missão!"

O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Aderbal Rosa Filho, se manifestou, em nota oficial: "O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina repudia toda ação que possa representar cerceamento da atividade profissional e discorda, frontalmente, que um jornalista deixe de exercer sua atividade em virtude dos interesses de quem quer que seja. Registrar fatos é obrigação do jornalista e impedir, ou tentar impedir este dever, é flagrante ato contra a liberdade de imprensa; a assessoria jurídica do nosso Sindicato está à disposição da companheira ofendida durante sua jornada de trabalho".

O clube

O Portal Engeplus entrou em contato com o presidente do clube, Jaime Dal Farra, que lamentou o acontecido. “Não concordamos com esse tipo de atitude. Não apenas com vocês, que cobrem o evento, uma reportagem sempre dentro do clube, mas com qualquer um. O estádio recebe famílias, crianças vão até lá para se divertir e assistir ao futebol. O clube repreende e é contra qualquer tipo de agressão”, diz.

Dal Farra também ressaltou não concordar com qualquer tipo de agressão que possa acontecer durante um jogo, seja essa agressão física ou moral. “Pagamos a segurança, temos a Polícia Militar dentro do campo e no pátio, para tentar preservar a integridade de todos. É uma pena que não tenha sido evitado. Lamentamos esse comportamento do torcedor”, avalia o presidente do clube.

Também entramos em contato com o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Carlos Alamini, na manhã desta quarta-feira. Ele informou que quem se manifesta oficialmente pelo clube é o executivo, neste caso, o presidente Jaime Dal Farra. Entretanto, Alamini realizaria uma reunião com a diretoria do conselho para debater o assunto.

A torcida

A torcida Guerrilha Jovem também se manifestou sobre o caso através do presidente Diego Furlan Moraes. Para ele, é necessário que se entenda que a jornalista não estava errada quando tentou registrar um chinelo jogado em campo. “Sempre apoiamos os jornalistas e radialistas que entrevistam os torcedores. Nos manifestamos a favor da Rafaela, que foi submetida a este tratamento por tentar bater uma foto e retratar algo que acontecia naquele momento. Quem errou foi o rapaz que jogou o chinelo, e não ela que registrou o fato”, avaliou.

A torcida Barra Os Tigres emitiu uma nota sobre o caso. “Nós da torcida Os Tigres soubemos do ocorrido com a repórter Rafaela Custódio, e repudiamos quaisquer forma de violência a qualquer pessoa e ainda mais a uma mulher que estava fazendo seu trabalho em relatar ocorridos no estádio. Gostaríamos de ressaltar que todos são bem-vindos ao estádio para torcer, trabalhar, apoiar o nosso clube. Que esta atitude seja cobrada e que sirva de exemplo para todos.”