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Memória

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VÍDEO: A noite que dividiu a nossa história

Há 20 anos, o confronto entre agricultura e mineração levou à depredação do Palácio do Estado

12
NOV
2016
| 20h34
20h34
Redação
Jornalista | Portal Engeplus
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ESPECIAL / Nei Manique

Tinha tudo para ser uma sessão tensa e foi. Se foi. A mais tensa e turbulenta, na real, já registrada pela Câmara de Vereadores de Criciúma. Convocada para votar um projeto de lei que reduziria uma área de preservação ambiental, a reunião acatou rígidas medidas de segurança. A mudança de local, a primeira.

Na noite de 12 de novembro de 1996, os vereadores se reuniram no salão do tribunal de júri do Palácio do Estado, então fórum da cidade. O projeto do vereador José Paulo Serafim (PT) e dirigente do Sindicato dos Mineiros de Criciúma, era questionado pelos agricultores de três comunidades.


Palácio do Estado /1996
Todas as imagens: Maurício Vieira / Cortesia: Jornal da Manhã

Morro Estevão, Morro Albino e bairro Dagostin delimitavam o entorno do Morro do Bananal, cortado pela Rodovia Luiz Rosso. A redução da APA visava permitir a mineração de uma reserva de carvão no subsolo da Mina A da empresa Nova Próspera, sucessora da CSN.

Menos de 100 agricultores e mais de 400 mineiros reuniram-se já à tarde na frente do fórum. Caminhões e máquinas foram usados por funcionários da mineradora para bloquear a Avenida Getúlio Vargas. Vereadores e agricultores sofreram hostilidades. A votação: 12 votos a oito contra o projeto.


Vereadores votando contra o projeto de lei. A vereadora Maria Dal Farra (d) fora eleita vice-prefeita de Paulo Meller em outubro

A reação dos mineiros foi violenta. Paus e pedras de uma construção próxima deixaram o fórum com poucas vidraças. Até veículos de vereadores foram depredados. "Foi um ato de extrema selvageria", resumiu no dia seguinte o presidente do Tribunal de Justiça, Napoleão Amarante, ao vistoriar o local.


Agricultores oram após término da sessão dentro do fórum durante o apedrejamento


Presidente do TJ, Napoleão Amarante (e) com autoridades locais, entre elas o juiz Jânio Machado (à direita de Amarante)
o prefeito Eduardo Moreira (centro) e o promotor Jacson Correa (de braços estendidos)

 

Apoiada por reforços do 9º BPM, a tropa de choque comandada pelo capitão Cosme Manique Barreto perseguiu os manifestantes até a sede do sindicato da categoria. O confronto dentro do prédio resultou em pancadaria, depredação, nove presos e feridos nos dois lados.


Vereador e sindicalista José Paulo Serafim gravemente ferido e detido

Uma semana depois, o juiz Ricardo Machado de Andrade permitiu que os detidos deixassem o Presídio Santa Augusta. A fiança de R$ 5.040 paga no fórum cobriu os danos. Dali, o grupo seguiu até a Nereu Ramos para um protesto silencioso. Um cacho de bananas foi pendurado no Monumento do Mineiro.


Os nove presos deixam o Presídio Santa Augusta e chegam ao fórum.
À frente, o presidente da Federação Interestadual de Mineiros, Arlindo Barzan (in memoriam)

Cerca de 500 postos de trabalho foram extintos. Vinte anos depois, a depredação do fórum é lembrada como um "divisor de águas" na história do movimento sindical catarinense. Manifestações violentas não se repetiram. Um marco também para os ambientalistas. Duas décadas depois, o Morro do Bananal mantém o seu cinturão verde.

Nos últimos anos, segundo o chefe do escritório do Departamento Nacional de Produção Mineral, Odair Lamarque, a Nova Próspera vem "abrindo mão de seus direitos minerários. Ou por caducidade ou por não oferecer recurso aos processos, a empresa tem optado por deixar de minerar", sublinha.

A perda de reservas carboníferas significativas em Içara, Criciúma e Maracajá, porém, não repercute na superfície. Imóveis valiosos continuam integrando o patrimônio da empresa em Criciúma e Forquilhinha, todos alvos de projetos de recuperação ambiental bem executados.

Assista ao vídeo e confira a análise de alguns dos personagens da "noite que mudou a nossa história".

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