InternetData CenterAssinante

O vintage que inspira negócios

Óculos Vintage e Ar.Cô surgem a partir da busca por estilo e reuso
O vintage que inspira negócios
Foto: Andressa Fabris
Por Andressa Fabris Em 30/07/2019 às 15:59

Uma mistura de estilo e propósito com uma pitada de necessidade financeira. Assim pode ser definida a fórmula que faz crescer o consumo de peças vintage. Como eu, muitas pessoas da minha geração cresceram vestindo peças de irmãos ou primos e muitos de nós continuaram esta tradição. Um círculo virtuoso que envolve também afetividade. Mas das “herdanças”, como chamamos em família, para a compra de itens usados, o passo era muito largo. Não nos dias atuais. Comprar aquilo que continua em bom estado e não faz mais sentido para outra pessoa não é mais estranho e é até uma questão de estilo e consciência, como mostra a fotógrafa Renata Cechinel nesta outra coluna.

Óculos Vintage

Deste novo comportamento, armários se abrem e um novo mundo surge. Como é o caso da técnica em ótica Elizane Fernandes. A formação profissional veio em 1989, mas a relação com os óculos “está no DNA”, como ela mesma diz. Há 30 anos Elizane já garimpava raridades no acervo da loja da família. Nesta busca, encontrava preciosidades. “Restaurá-los era uma paixão”, conta. 

Levou um tempinho até Elizane começar a dividir seu acervo. “Desde 96, venho compartilhando com algumas pessoas, que se identificam com a proposta e valorizam peças que são ícones de uma época, um pouco da história e dos bastidores do período em que foram produzidos. As pessoas  desde então vinham a minha procura, recomendadas por alguém que conhecia a minha "caixinha secreta" com peças exclusivissimas”, revela. Mas foi em 2008, depois de fazer uma exposição, que as suas raridades voltaram a circular. A partir dali, Elizane passou a se dedicar cada vez mais à área, ampliou seu acervo e estabeleceu critérios para identificar fases da criação. 

Autenticidade e consciência

Ela conta que o público que busca por seus óculos querem autenticidade, singularidade e histórias. “(Querem) saber de onde vem e quem usou, que época era, o que acontecia...é uma forma de se expressar também através dos óculos”, acredita. 

O consumo consciente também faz parte do perfil de clientes de Elizane. “Nesse momento incrível que vivemos,  onde a economia circular e o consumo sustentável trazem novos conceitos à tona, valorizando o vintage original como fonte criativa e inspiradora, estamos revisitando sonhos, revivendo com nossos óculos um resgate de grandes criações”, fala. 

O meio digital vem impulsionando a divulgação do seu acervo. No perfil @oculos.vintage, no Instagram, Elizane mostra óculos de várias épocas usados no passado e agora. “Nossos óculos estão associados a um movimento global de pessoas sensíveis interessantes e atentas que querem saber conhecer  e passar uma mensagem de consumo circular, afetivo, com história, significado e assim impactar e transformar o entorno delas. Esse é o nosso público. É algo que é cultural e vai muito além do poder de compra”, resume Elizane Fernandes (Registro CBO O0056 e Registro CRO/SC 0096).

Ar.Cô

As irmãs Anete e Deise Savi pertencem a uma daquelas famílias em que o reuso de peças é comum. A mãe, Dirce, habilidosa na produção de roupas e acessórios, costurava, customizava, fazia consertos nas peças das filhas. O bom gosto de Dona Dirce deu a ela o carinhoso apelido de Condessa. Anos mais tarde, as filhas abriram o Ar.Cô, um brechó que expressa o estilo vintage em roupas, acessórios, louças e artigos de decoração. 

Foi a filha de Anete, Adhara, quem casualmente transformou o hábito familiar em negócio. De mudança para o Reino Unido, em 2013, resolveu desapegar de muitas peças começando a vendê-las. O que não foi comercializado antes da viagem, ficou com Anete e ela foi vendendo aos poucos. Em 2016, em Balneário Camboriú, onde Anete morava, surgiu o Baú da Janis, um brechó montado dentro de casa. Deise gostou da ideia e se uniu à irmã, cada uma em sua cidade. Em 2018, Anete precisou mudar-se para Criciúma e surgiu o Ar.Cô.

Amor no negócio

O amor das irmãs pelo negócio já é demonstrado no nome da loja: Ar.Cô é uma homenagem à mãe, uma abreviação de Armário da Condessa. “Tudo que temos dentro da loja foi executado por nós, tivemos apoio e ajuda de toda a família na execução, incluindo sobrinhos e sobrinhas, tias e principalmente nossos três irmãos que são pessoas como habilidades diversas, ou seja, tem muito amor nesse projeto!”, conta Deise.

Sem preconceito

Ao abrir a Ar.Cô, Anete e Deise descobriram uma clientela despida de preconceito. “São públicos diversos, mas com uma coisa em comum, que é o fato de não terem preconceito de usar uma peça usada ou de coleções passadas”, avalia Deise. Ela explica que quem entra na Ar.Cô procura por bons produtos, bons preços e aquelas peças que já não existem mais. “Garimpar é uma delícia! Quando você entra num brechó está à procura de algo que dificilmente vai encontrar num outro tipo de loja e isso torna a busca mais interessante.”

Brechó com nova cara

Não foi somente a clientela que mudou e se aperfeiçoou nos últimos tempos, mas os próprios brechós se profissionalizaram. Deise Savi conta que tudo é higienizado e fica com cara nova, das peças de vestuário ao mobiliário. “Nossa loja vende um conceito, que é reusar com responsabilidade”, explica. “Não há razão para descartar uma peça que pode ser restaurada. O público que frequenta nossa loja e compra, está procurando estilo, mas se preocupa com sustentabilidade e economia, uma coisa acaba levando à outra.”