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Amor pelo vintage

A fotógrafa Renata Cechinel apresenta este mundo cheio de história
Amor pelo vintage
Foto: Acervo de Renata Cechinel
Por Andressa Fabris Em 23/07/2019 às 16:41

Discos de vinil, berloques dos anos 50, aparelhos de rádio, toca-discos… qual destas imagens é mais vintage para você? Há quem diga que artigos vintage são peças antigas, mas são mais que isso, representam um estilo de vida adotado em outra época. Este lifestyle está em objetos de decoração, utensílios domésticos, roupas, acessórios, enfim, tudo o que faz parte do dia a dia de alguém. 

Usar as roupas da avó foi o pontapé para a fotógrafa Renata Cechinel  entrar no mundo vintage. Aos 15 anos, ela abria a caixinha de biscoitos da Vó Nena para se deslumbrar com as fotos antigas. Naquela época, em 2005, a internet já não era mais discada e abriam-se muitas possibilidades de pesquisa de imagens. “Sim, desde os 15 anos eu já pesquisava imagens de moda, salvava para o meu computador em pastas separadas por tema e algumas vezes imprimia e criava painéis de imagens na porta do meu guarda-roupas, misturando com alguns recortes de revistas”, conta. 

As pesquisas logo levaram Renata à atividade que hoje é a sua profissão, a fotografia de moda. “Junto com meu melhor amigo e uma câmera Sony cyber-shot, começamos a brincar de fotografia na garagem da minha casa, com temas bem aleatórios que iam do circo ao Moulin Rouge (tinha assistido o filme e amado). Era lençol colado na parede, roupas antgas da mãe e da vó e muita diversão. Nosso programa favorito depois das aulas, tudo bem amador e sem compromisso”, relembra. 

 

Brechós

Apesar o amor pelas roupas antigas, foi a necessidade financeira que levou Renata ao primeiro brechó. Em 2007, a adolescente de 17 anos queria roupas descoladas, mas não tinha dinheiro para shoppings e grifes. “Enquanto minhas colegas adoravam se encontrar no shopping, eu só queria bater perna nos brechós para encontrar peças que eu gostasse e que estvessem de acordo com o preço que eu poderia pagar na época, já que eu estudava e não trabalhava.” As compras nos brechós não eram aleatórias, mas também fruto de pesquisa. The Cobrasnake, uma festa hipster famosa na Califórnia, e a cantora inglesa Lily Allen eram as principais referências para as escolhas nos brechós.

 

Consciente

Do apreço pela estética e da necessidade financeira, o mundo vintage passou a ter outro significado para Renata Cechinel na vida adulta: consumo consciente. Mesmo sem saber, a fotógrafa já fazia parte de um movimento crescente, o slow fashion, reduzindo cada vez mais as compras de artigos novos. “Desde 2007 comprando peças antigas e criativas em brechós, em 2013 eu já tinha um acervo gigante, estava na hora de começar a desapegar, criar um ciclo. Junto com isso, comecei a estudar mais sobre o movimento de slow fashion, upcycle e entender mais sobre o que estava por trás daquela blusinha da Zara que eu ainda comprava às vezes”, conta. Ao longo dos anos, Renata reduziu significativamente as compras de itens novos e de marcas fast fashion. Desde 2016, 90% do que entra em seu guarda-roupa vêm de bazares, brechós e lojas vintage. 

 

Cuidado e autoconhecimento

O caso de amor entre Renata e o vintage é tão grande que está expresso no cuidado com as peças. Tudo é lavado à mão por ela e todas as peças estão catalogadas. “Tenho uma galeria de imagens das peças, consigo facilmente usar looks ainda hoje com roupas que tenho há mais de 10 anos”, revela. Além da organização, o conhecimento do próprio estilo e personalidade influenciam nas compras acertadas. “Só compro peças que realmente uso e chaves que estão faltando no meu guarda-roupas”, explica.

 

Mercado

Há 15 anos consumindo produtos em brechós, Renata acompanha agora o crescimento deste mercado. Segundo ela, a internet contribuiu para a popularização do estilo e também do consumo consciente. “A dúvida que fica é: será que a maioria só está consumindo dessa maneira por conta das tendências de mercado e a necessidade de sucesso digital, ou estão realmente se preocupando com todo o processo produtivo e social que existe por trás disso? Vale a reflexão!”


 

Na próxima coluna você confere oportunidades de negócios com o mercado Vintage.