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Leituras & Cia

Psicanálise

Livro aborda como transformar o sofrimento em algo produtivo

“Gozo(s), do sintoma ao sinthome” trata sobre psicanálise e será lançado neste mês

03
SET
2017
| 18h43
18h43
Redação Engeplus
Jornalista | Portal Engeplus
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O sofrimento é uma condição inerente ao ser humano, porém, o que cada pessoa faz com o seu sofrimento pode ser determinante para a sua saúde psicológica e física. Seguindo este raciocínio, o tratamento psicanalítico se propõe a lidar com a angústia e, de preferência, transformá-la em uma potência criativa. Um estudo aprofundado sobre o assunto foi realizado pelo psicanalista e professor Doutor Maurício Maliska em sua tese de Doutorado, cujo conteúdo foi transformado em livro e o lançamento de “Gozo(s), do sintoma ao sinthome” acontece neste mês, em Criciúma.

Principalmente baseada nos estudos de Sigmund Freud e Jacques Lacan (psicanalistas reconhecidos mundialmente como pensadores que mudaram a forma de entender não somente os seres humanos, mas, também, as várias formas de mal estar da vida em sociedade), a obra trata da relação do gozo no percurso de uma psicanálise. Ela mostra a relação com o sintoma e como este gozo se transforma em sinthome (lê-se sântome) ao longo do tratamento.

“O gozo, quando tratado pela psicanálise, é diferente do conhecimento popular de prazer sexual. Ele está relacionado com tudo aquilo que vai além do prazer e produz uma alta tensão no organismo porque mistura satisfação e sofrimento”, destaca Maliska ao acrescentar que as compulsões alimentares, como a bulimia, são exemplos deste tipo de gozo, pois, ao mesmo tempo em que a pessoa tem prazer em comer, ela também tem a angústia por comer demais e acaba vomitando (nos casos de bulimia), o que traz prejuízos não apenas psicológicos, mas para o corpo também.

Em relação ao termo sinthome, o autor explica que a palavra foi usada por Lacan em suas pesquisas, as quais serviram como base para a tese de Doutorado de Maliska e, por isto, ele preferiu manter a forma original. “O sinthome seria a forma como é apresentado o gozo no percurso da análise do paciente que sofre. O que a gente propõe ao longo da psicanálise é transformar este gozo, que é sintomático, em ‘sinthomático’ (sântomático), que seria o gozo produtivo. É desvinculá-lo do sofrimento, virando algo criativo”, pontua.

“Esse é o processo de cura para a psicanálise, que visa trabalhar com a estrutura psíquica e, por isso, não se propõe a ser um tratamento breve, já que não visa mudanças adaptativas”, explica a psicanalista Maria Cristina Carpes, que participa de um grupo de psicanalistas e estudiosas da psicanálise, em Criciúma, e é uma das organizadoras do evento de lançamento. Também fazem parte do grupo as profissionais Ana Paula Gramacho, Ana Pizolati Cardoso e Débora Sônego Búrigo.

Felicidade adaptativa e ilusões

Maria Cristina ressalta ainda que Freud propôs, através da psicanálise, transformar uma infelicidade conflitiva, a qual consome grande parte das energias psíquicas, em uma infelicidade do dia-a-dia, possível de lidar como parte da condição humana.

“O importante é não buscar medidas adaptativas para substituir as decepções. Além dos transtornos alimentares, estas medidas adaptativas também podem ser o abuso de álcool e/ou drogas, automutilações, depressão e até aquisições materiais, como um celular de marca ou o carro do ano. Elas têm o valor agregado da condição de felicidades, mas, na verdade, são ilusões porque não garantem a felicidade idealizada. E, quando a felicidade não vem por estes meios, o que surge é a tristeza profunda, a amargura”, afirma Maria Cristina.

Lançamento

O lançamento de “Gozo(s), do sintoma ao sinthome” será no próximo dia 23, às 10 horas, na Livrarias Fátima, no Centro de Criciúma. O livro é voltado para psicanalistas, psicólogos, psiquiatras, estudantes e profissionais da área de saúde, bem como estudiosos ou interessados pelo tema e por saúde mental. O evento é aberto ao público e contará com a presença do autor. Ele falará sobre a obra, a clínica psicanalítica nos tempos atuais e ainda sobre como a psicanálise aborda os sofrimentos na contemporaneidade.

Sobre o autor

Maurício Eugênio Maliska é Doutor em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestre e Doutor em Linguística pela UFSC, com estágio de Doutorado (sanduíche) na Université Paris 7, na França. Psicanalista. Professor de psicanálise no curso de Psicologia e no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). Membro e ex-presidente (2013-2014) da Maiêutica Florianópolis – Instituição Psicanalítica.

Colaboração: Vanessa Amando/NBCom

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