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Se disserem que você é f*#@, sorria!

Se disserem que você é f*#@, sorria!
Foto: Kat Jayne de Pexels
Por Lúcia Búrigo Em 29/01/2020 às 21:34

“Mãe, tu é muuuuito foda!” exclamou meu filho, na adolescência, ao que eu retruquei: “que é isso, garoto?”. Enquanto a caçula se inflitrava na conversa e ratificava o ponto de vista do irmão com um sonoro “lacrou, mãe, foi tipo assim, muito massa” reforçando em mim a tese de que para comunicar é preciso pensar bem nos elementos envolvidos no processo. Aí, vou assistir a palestra do meu amigo Piangers. Ele, o Caito Maia, o Dado Schneider, o Murilo Gun e mais um monte de caras legais, também acham várias coisas foda e dizem isso em alto e bom som nas suas intervenções ovacionadas por milhares de pessoas dos 8 aos 100.  Ser Foda está em título de best seller. Até a Martha Gabriel, nossa maior expressão internacional no mundo do marketing, substitui adjetivos como:  maravilhoso, incrível, inacreditável, aderindo a onda fodástica que estamos vivendo. Sim, eu me achei, literalmente, depois desta descoberta.

 

Num primeiro momento questionei como assim? É isso, então? Não dá pra ficar chocada com os palavrões inseridos nos novos discursos, tá ligado. Pois é, a ficha caiu. O tempo todo a questão mais elementar do marketing nos lembra que entender e atender são verbos que andam juntinhos e sincronizá-los é primordial para criar as tão desejadas pontes que nos permitem estabelecer conexões com o cliente e que nos possibilitam desenvolver as experiências criativas com as quais ele sonha. Ele e nós também, principalmente quando estamos na condição de clientes. Aliás, quando somos clientes queremos  a prática do tudo de bom, em tempo integral, mas nem sempre quando interagimos do outro lado do balcão nos dispomos a fazer o nosso melhor, não é? Tenho refletido sobre isso. A empatia tornou-se praticamente um mantra, porém poucos realmente a utilizam. E ela começa pela forma com a qual nos comunicamos.

 

Estar atento a todas as etapas do processo de comunicação torna-se fundamental para atingirmos nossos objetivos. Isso significa realmente procurar observar o público alvo com o qual interagimos, conhecendo bem a persona que o representa. Em cada momento, nas diferentes ações que empreendemos, podemos lidar com diferentes grupos. Sobretudo, é necessário pensar no público interno da organização, que muitas vezes acaba sendo negligenciado nas ações implementadas. O esforço empreendido para  gerar atratividade,  interesse, desejo e desencadear ações deveria sempre começar de dentro para fora. Cuidar da comunicação interna, portanto, tem seu valor.

 

E que valor, diga-se de passagem. É por isso que a comunicação nas organizações começa pouco a pouco a ser compreendida como um elemento importante para promover o engajamento daquele que é o primeiro a replicar a mensagem de uma empresa. Ao ter seu momento da verdade, que é quando o colaborador entra em contato com o público externo, ele acaba também sendo mídia. E lembre que tudo comunica, seja no ambiente corportativo ou pessoal. Não apenas o que é verbalizado. Então, é preciso socializar a informação e, sobretudo, orientar as pessoas a respeito do que deve ser feito com ela. Comunicação é poder. Sendo assim, ela promove o empoderamento e contribui para o alinhamento dos propósitos da organização, o que certamente reverbera nos resultados.

 

O mais incrível é que diante destes fatos uma ponderação acaba sendo indispensável: ao analisar a comunicação interna, é preciso considerar que pela primeira vez na história temos várias gerações interagindo nos mesmos ambientes e que sendo desta forma, é preciso rever conceitos, que passam, inclusive pelo vocabulário adotado. Não é só uma questão de rever os canais, mas basicamente a maneira com que estamos nos comunicando. Quer saber? #ficadica se alguém disser que você é foda, sorria.